sexta-feira, 7 de julho de 2017

Gato Em Telhado De Frio Eterno


Soft And Sad - Serdar Turkoglu

Ronronando meditativo
sobre um telhado onde
observo as nítidas
decadências de toda
a cidade congelada,
quebro cada parede
em cada dimensão
habitada por gemidos,
gritos,
lamúrias,
angústias
e as mais frias
solidões…

Sou um gato
entendedor da solidão
dos meus pares
no ronronar,
um andarilho estranhando
o fato de ter
de me esgueirar
entre os que se encontram
na cegueira de seu
caminhar.

Um gato,
com a malícia dos
selvagens grandes caçadores,
caçando
uma cama quente,
caçando
uma morada acolhedora,
caçando
um colo quente,
caçando
uma
e outra
chance de companhia
na cidade feroz.

Mas,
como o gato que sou,
imitando outros gatos
que ronronam
em todos os telhados,
sou sempre guiado
para O Frio Eterno
que me faz companhia
tanto neste
belo Inverno
quanto na
florescente Primavera,
incandescente Verão
e desfolhante Outono.

Gato,
pêlos eriçados,
pêlos tensos,
pêlos rígidos,
acariciados pelos ventos
de um Norte
que sempre trazem
as Mãos De Cronos
espelhadas nos mapas
de Saturno,
a dureza do Titã
que molda a combustão
da saturnina sombra
em minhas andanças
por cada telhado.

E sou envenenado
sempre,
sem morrer.

E sou espancado
sempre,
sem morrer.

E sou abandonado
sempre,
sem morrer.

Eu sou um gato
de sete infinitas vidas,
um rei entronizado
em um trono
de barro
e de cinzas.

Ronrono atravessando
os milênios
como eremita solitário.

A ração
e o leite
e o peixe
há muito,
para mim,
acabaram.

Inominável Ser
UM SOLITÁRIO
FELINO
INOMINÁVEL




Korn - Black Is The Soul


As it all falls down
Do I walk away?
Or do l stand my ground
And accept my fate?

And there's the faceless cries
That twist my every dream
And almost every night
I hear the demon sing

Why are we going on this way?
Why do we play these games in vain?
Nothing's gonna break it down and build us back again
So why did the path have to lead this way?
Black is the soul that's led astray
You're leading me to places I can never follow

Happiness is found
In darkest ways
And as I search around
I knew nothing but mistakes

And there's the faceless cries
That twist my every dream
And almost every night
I hear the demon sing

Why are we going on this way?
Why do we play these games in vain?
Nothing's gonna break it down and build us back again
So why did the path have to lead this way?
Black is the soul that's led astray
You're leading me to places I can never follow

And when you scream
You push me so much further ahead
And when I leave
I always walk right back again
And when you cry
The tears are cleansing bitterness
I'm out of time
I'm slowly dying, give me back my life!

Just give me back my life!
Just give me back my life!
Just give me back my life!

Why are we going on this way?
Why do we play these games?
Nothing's gonna break it down and build us back again
So why did the path have to lead this way?
Black is the soul that's led astray
You're leading me to places I can never follow

As it all falls down
Do I walk away?
Or do I stand my ground?
There's nothing left to say


terça-feira, 4 de julho de 2017

Invernos, Cigarros & Tardes


Smoke - Mario Teodosio

Somente um gélido vento bate
em minha pele ardendo,
nos muitos muros da
cidade acidentada,
nos muitos rostos
da multidão acorrentada
e nos muitos campos
que ainda restam
entre os gigantes
de aço
e de ferro.
É apenas uma
tarde de Inverno,
mas quantas tardes
podem ser tão cortantes
diante da geleira
que se amontoa
dentro de uma alma
solitária?

Pergunta inspira.
Pergunta insólita.
Pergunta boba.
Pergunta escrita.
Pergunta escrota.
E a resposta é um sopro
muito mais forte
do vento gélido soprado
pelos Gigantes Do Gelo
com suas cruéis gargantas
e ferozes rostos.
É uma resposta cheia também
de massacradas manchas
que sujam o solo onde
cada pé congelado pisa.
Um solo onde as cinzas
de cigarros acesos com desgosto
desaparecem com gosto
no ponto crescente
de diversas farpas.

É um cigarro aceso
por mundanos de todas
as horas,
por mundanas de todas
as covas.
Baforadas lentas.
Baforadas violentas.
Baforadas rápidas.
Baforadas áridas.
Baforadas quentes.
Baforadas frias.
E a fumaça impera
trazendo cada lembrança
sobre um amanhã
sem esperança,
um ontem
sem alegrias
e um hoje
sem graça.

E por isso fumamos,
querida fantasma
de uma imagem nascida
de uma mente
tão cortante quanto
a minha.
Fumamos ao vento.
Fumamos ao relento.
Fumamos ao fundo.
Fumamos ao centro.
Fumamos ao anoitecer.
Fumamos ao amanhecer.
Fumamos ao entardecer.
Neste Inverno,
então,
é um hábito que mais
louvamos.

Louvamos na quietude.
Louvamos na altitude.
Louvemos no silêncio.
Louvamos no cimento.
Louvamos no piso.
Louvamos no frio.
No frio,
O Frio,
de cada tarde invernal
inspiradora das missões
de versos invernais.
No frio,
O Frio,
acarretando precipícios
e alargando abismos
onde é possível escrever
sob a neve,
lagos congeladas,
cachoeiras congeladas,
montanhas congeladas,
céus congelados
e infernos congelados.
No frio,
O Frio,
inspirador de poetas,
Amantes Dele
cheios de puros
e impuros fetiches
e desejos,
como eu,
invernais poetas
com os dois pés
nas Geleiras Universais
Eternas.

Está frio,
o cigarro precisa estar
sempre aceso.

Está frio,
o Inverno precisa estar
sempre aqui.

Está frio,
as tardes invernais precisam
ser sempre daqui.

Está frio,
devemos dormir aqui,
devemos acordar aqui.

Inominável Ser
UM POETA
QUE AMA
O FRIO
E TARDES
INVERNAIS




David Bowie - Something In The Air


Photo by Frank Ockenfels

Your coat and hat are gone
I've really can't look at your little empty shelf
A ragged teddy bear
It feels like we never had a chance
Don't look me in the eye

We lay in each others arms
But the room is just an empty space
I guess we've lived it out
Something in the air
We smiled to fast then can't think of a thing to say

Lived with the best times
Left with the worst
I've danced with you too long
Nothing left to save
Let's take what we can
I know you hold your head up high
We've raced for the last time
A place of no return

And there's is something in the air
Something in my eye
I've dance with you too long (yeah)
Something in the air
Something in my eye

Abracadoo, I loose you
We can't avoid the clash
The big mistake
Now we're gonna pay and pay
The sentence of our lives
Can't believe I'm asking you to go

We used what we could
To get the things we want
But we lost each other on the way
I guess you know I never wanted anyone more than you

Lived all our best times
Left with the worst
I've danced with you to long
Say what you will
There's something in the air
Raced for the last time
Well I know you'll hold your head up high
But it's nothing we have to say
There's nothing in our eyes

But there's something in the air
Something in my eye
I've danced with you too long
There's something I have to say
There's something in the air
Something in my eye
Do do do do
Do do do do
I've danced with you too long
Do do do do
Do do do do
Danced with you too long
Do do
Danced with you too long
Something in the air
Something in the air
Do do do do






terça-feira, 27 de junho de 2017

Respondendo A Tudo Com Suada Procrastinação


Jada Stevens 

Que o mundo caia em redor,
Que bodes velhos sejam desmascarados,
Que mitos falem merda,
Que merdas se tornem presidentes,
Não quero entrar no jogo
Das energias dementes,
Eu estou no Tantra Permanente
Em um jogo muito maior
Que o das massas fodidas
Desta merda de Humanidade!

À esquerda
Lilith
E uma Maria Padilha;
À direita
Uma Deusa 
Encarnada
E parceiras no crime
De incentivo supremo
À carnalidade:
Minha descida aos Infernos
E às Trevas onde me sinto
Muito melhor do que
Entre os céus
E as luzes
Das cinzentas cidades
De pedra!

Infernos entre as pernas
De uma mulher,
Trevas dentro do cu
De uma mulher,
Por que eu haveria de ser
Um santinho
Politicamente correto
Em matéria de falar
Das minhas mais perversas
Expansivas Loucuras 
E Absolutíssimas Taras?

Não há prazer maior do que uma
Verdadeira Liberdade
Sem as determinações
Do juizinho,
Do pastorzinho,
Do padreco
Ou do moralistazinho
De merda que insistem
Em profanar a sagrada santidade
Da carnalidade!

Prazer,
Machos
E fêmeas
A lerem este recado
Em forma de discurso
De tarado,
Que os ricos tesouros
Em vossos 
Lábios,
Tetas,
Paus,
Bucetas,
Cus,
Pés
E mãos
Podem saborear!

Estamos no Inferno,
Nós somos
Os Demônios,
Não percamos tempo
Com o
"Crescei
E multiplicai-vos",
Nos matemos no
CRESCEI
PRÁ FODER
PRÁ CARALHO!!!

Preciso dizer o nome
Daquela que a isto
Ordena?

Inominável Ser
SENTINDO
A MORDIDA
DA PROCRASTINAÇÃO
MAIS ENVENENADA




A Você Que Me Chama Nas Chamas


Angelina Petrova

Eu ainda digo que 
O Diabo
É mulher
E tem olhos verdes
E surge em meio
Aos meus sonhos
E delírios
Como cada maravilha
Do feminil ardor
Das Cortes Infernais...

Saiba,
Ó,
Povo da Internet,
Que eu adoro
O Diabo,
Os olhos 
Do Diabo,
As curvas
Do Diabo,
A voz
Do Diabo,
A essência
Do Diabo!

Adoro 
As Potências
Do Diabo,
Adoro
As Relíquias
Do Diabo,
Adoro
As Presenças
Do Diabo,
Adoro
As Palavras
Do Diabo!

Ele sussurra ao meu
Ouvido esquerdo
Palavras de puro
Ataque
Ao absurdo
Das crenças
Vazias
E incentivos
Para o afogamento
Nos carnais abismos
Onde todos devem
Procurar se afogar!

O Diabo,
Os olhos verdes,
As curvas,
A voz,
A essência,
Me inspiram
Nesta manhã outonal
Onde as portas
E as janelas
Estão escancaradas!

Você já abraçou
O Diabo?

Você já beijou
O Diabo?

Você já dançou com
O Diabo?

Você já fodeu com
O Diabo?

Olhem bem
Para as noturnas danças
Do noturno véu
Neste tempo outonal
E verão 
O Diabo
Com olhos verdes
E formas de uma
Mulher entre todas
As infernais mulheres
Dançando com as
Estrelas Fatais...

O Diabo
É o único Deus
Digno dos nossos
Silenciosos apelos
Pela Verdadeira Salvação:

A DA CARNAL
ENTREGA
AO DELICIOSO
EMBLEMA
DE EXISTIR
PARA VERDADEIROS
SERMOS!!!

Foder
É também
Um dos muitos
Caminhos
Para A Luz
Que
O Diabo
Ensina!

"Enquanto houver
A carne
Aproveite 
Assim.."

Inominável Ser
AMIGO
AMANTE
IRMÃO
DO DIABO