A Serpente, A Leoa E A Loba - Canto XIII


Lilith - Dori Hartley


Lilith me fez renascer
Entre as entranhas
Dos mortos,
Renasci em mil peles
De decapitados,
Renasci em mil peles
De desmembrados,
Renasci em todas as peles
Dos Tombados
Em Har Mah Ron.
Ela abriu os
Serpentinos Lábios
E em poesia recitou
Cada um dos nomes
Que eu tive como
Guerreiro abatido
E vitorioso
Em todos os campos
De minhas batalhas.
Ela abriu os meus
Lábios cheios do sangue
Daqueles que fui,
Daqueles que serei
E daqueles que matei,
Mato
E matarei
Na cegueira das lutas
Em todas as guerras
Que travei.
Ela cuspiu em minha garganta
E Seu cuspe queimou
Tudo que dentro do meu
Infatigável corpo
Brada por novas batalhas
Em novas guerras.
E eu cuspi no solo
As minhas ossadas!
E eu cuspi no solo
As minhas mortalhas!
E eu cuspi no solo
As minhas entranhas!
As ossadas
Dos que eu fui,
Dos que eu serei
E dos que eu sou
Em Har Mah Ron!
As mortalhas
Do que eu pedi,
Do que eu pedirei
E do que eu peço
Em Har Mah Ron!
As entranhas
Do que eu desprezei,
Do que eu desprezarei
E do que eu desprezo
Em Har Mah Ron!
E o Machado Dela
Cortou todos os muros
De alguma Humanidade
Em minha alma!
E o Machado Dela
Cortou todos os retalhos
De alguma Humanidade
Em minha mente!
E o Machado Dela
Cortou todas as ruínas
De alguma Humanidade
Em meu corpo!
E o que me tornei
Fora desta Apodrecida
Humanidade?
Serpente,
Augusta,
Suprema,
Única!
E o que estou
Me tornando
Fora desta Arruinada
Humanidade?
Serpente,
Atroz,
Cruel,
Soberana!
E o que
Me tornarei
Fora desta Atormentada
Humanidade?
Serpente,
Selvagem,
Terrível,
Indomável!
E qual é o meu
Nome
Agora?
Um Sibilar
Que Nunca Foi
Nomeado!
E qual será o meu
Nome
Amanhã?
Um Sibilar
Que Jamais Será
Nomeado!
E qual foi sempre
O meu
Nome?
Um Sibilar
Eternamente
Inominável!
Sou Sibilar
Vosso,
Mãe Lilith!
Sou O Sibilar
Entre Os
Inomináveis,
Mãe Lilith!
Sou A Serpente
Fora De Todos
Os Nomes,
Imperatriz Lilith!
Inominável,
Sibilo Como Guerreiro
Entre Os Fortes
E Os Fracos!
Inominável,
Sibilo Como Guerreiro
Entre Os Grandes
E Os Pequenos!
Inominável,
Sibilo Como Guerreiro
Entre Os Mortos
E Os Não-Mortos!
Inominável,
Lilith,
Inominável
Como Tua Vitória
Entre Os Imortais,
Como Teu Grito
De Existência
E Resistência
Diante Do
Anti-Natural!
Inominável,
Lilith,
Como Tudo Que
Nunca Buscará
O Repouso Entre
Fraternais
E Maternais
Braços Anti-Naturais!
Inominável,
Lilith,
Como Aquilo Que
Te Faz Insubmissa
Diante De Cada
Trono De Pó
E Cada Semblante
Da Areia Menor!
Sou Da Tua
Areia Maior,
Lilith!
Sou Do Teu
Desértico Império,
Lilith!
Sou Do Teu
Venenoso Ser,
Lilith!
Sou Da Tua
Afiada Lâmina,
Lilith!
E cuspo
Nas realidades
Que submetem
Almas,
Mentes
E corpos
À Anti-Natural
Escravidão Existencial
Que Extingue
A Verdadeira Natureza
De Um Ser!
Eu cuspo,
Eu cuspo,
Eu cuspo!
E sempre irei,
Inominavelmente,
Vencer
Como venço
E já venci
Espelhado em
Ti!




Lilith - Espejo



El dice te llevo en mi coche 
Dominado por la serpiente 
Entre las piernas hay sangre y semen 
El espejo se rompe 

No quiero no 

Mam la noche va a caer 
Mam sobre mi desnudez 
Mam estrellas en la piel 
Mam regalos para el 

Entre el mareo el sueño y el deseo 
He perdido todo en lo que yo creo 
Me duelen siento que todos los huesos 
Pedazos de un espejo 

No quiero no 

Mam la noche va a caer 
Mam sobre mi desnudez 
Mam estrellas en la piel 
Mam regalos para el 

No quiero no 

Mam la noche va a caer 
Mam sobre mi desnudez 
Mam estrellas en la piel 
Mam regalos para 






A Amante Do Meu Crânio


Grimvr


Inferno de Amante
Inferno de Musa
Inferno de Mulher
Inferno de Feiticeira
Inferno de Serpente
Que traz multidões
De escravos cadáveres
A seguirem-lhe os passos
Nas Obscuras Vias

Sorridente para cada
Um que acolhe entre
As vociferantes mãos
Sempre a pedirem
O morrer mais agoniante
Dos que se submetem
Ao jugo dos Inomináveis
Seres Do Abismal
Lar

Caçadora de crânios
Colecionadora de crânios
Artista de crânios
Advogada de crânios
Atleta de crânios
Fantasma das histórias
Que contadas são nas letras
Daqueles que fantasiam
Inebriados pelo Noturno
Poder Único

Obsessora semigual
Que persegue em sonhos
Que segue em tribos
Que almeja os tronos
De todas as almas
Que se julgam firmes
Em sua tênue forma
Que sempre evoca
A final derrocada
Nas formosas mãos
Dela

Amante de poemas
Amante de poetas
Amante de poetisas
Amante da Poesia
Amante sedenta
Pelo crânio que escreve
Sua própria história
De Luz e de Trevas
De Terror e de Horror
De Alegria e Infelicidade
De Angústia e  Medo
De Pesadelo e Desespero
De Agonia e Morte
De Tortura e Sangue
De Estupro e Assassinato
De Sexo e Ódio
De Amor e Desprezo
Dentro de cada verso
Através de uma pena
Sangrado

Figura bizarra que
Tem apenas o desejo
De beijar cada crânio
Que vem desde
As Primeiras Eras
Poetizando em todas
As Artes Moldadas
A Grande Noite
Que molda todos
Os Eternos Terrores
Inomináveis

Amante de crânios
Amante do meu crânio
Este meu poético
Inominável crânio
Repleto de idéias
Repleto de vontades
Repleto de desejos
Repleto de sede
Repleto de fome
Repleto de encontros
Repleto de encantos
Repleto de cantos
Repleto de letras
Repleto de vozes
Repleto de silêncio
Repleto de tudo
Que Ela ama
Como Seu Próprio
Eterno Crânio

Subterrânea Andarilha
Subterrânea Eremita
Subterrânea Sombra
Subterrânea Chama
Subterrânea Fumaça
Subterrânea Cinza
Ser que vela por
Cada crânio
Daqueles que estão
Destinados ao Vale
Dos Poetas Perdidos

Ela tem
O crânio de Byron
Ela tem
O crânio de Baudelaire
Ela tem
O crânio de Florbela
Ela tem
O crânio de Rimbaud
Ela tem
O crânio de Álvares
Ela tem
O crânio de Cruz e Sousa
Ela tem
Cada crânio daqueles
Que foram Verdadeiros
Poetas Perdidos
Ela já tem
O meu crânio
Ela já tem
O seu crânio
Se você for como nós
Amantes do Cemitério
Do Verso De Ossos
Que Ela É

Inominável Poetisa
Inominável Homicida
Inominável Canibal
Comedora da carne
De cada poeta
E de cada poetisa
Deitando com eles
No romântico invólucro
Da sepultura

Inominável Ser
INOMINÁVEL
AMANTE
DAQUELA QUE AMA
APENAS
O CRÂNIO
DELE