quarta-feira, 24 de maio de 2017

A Flauta Vértebra - Vladimir Maiakowski - Tradução: Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman



Всем вам,

Я любил и люблю,

иконки хранятся в сердце пещеры,

который, как банкет поднимает чашку и отмечает,

полный стихов поднять мой череп.


Я думаю, больше, чем когда-то:

возможно, было бы лучше

принести мне конец пули.

В любом случае

Я

Сегодня я дам свой прощальный концерт.


Память!

Звонки в залах мозга

бесчисленное ряд любимой.

Налейте зрачок смеха в зрачке

одежда ночь прошла бракосочетание.

Melee налить радость.

сегодня войдет в историю.

Сегодня я буду исполнять свои стихи

флейта моих позвонков.




A todos vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.

Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.

Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.
esta noite ficará na História. 
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.




Al-Namrood - Hayat Al Khezea


قالو لعبيدهم بولوا على النار
وما النار جاعلة بولهم ماء

و لا صار بعيشهم اميناً
فتمسكوا بخلا ان تجود به
فما تعطيك النار الا بمقدار
فعالم من ظلمات الجور
حيث تسقط في امل على عرشهم
يريدون تمزيق ارواحم
ان تُذل من قبل اسيادهم
و ما كانوا يحسبون الند مفاكيك
حتى لا زالوا بدار من الاحقاد
قربانهم إن اودعوا سرا
كذلك غيروا عقول الاخيار
وما النار جاعلة بولهم ماء
و لا صار بعيشهم اميناً
فتمسكوا بخلا ان تجود به
فما تعطيك النار الا بمقدار
يريدون تمزيق ارواحم
ان تُذل من قبل اسيادهم
و ما كانوا يحسبون الند مفاكيك
حتى لا زالوا بدار من الاحقاد
قربانهم إن اودعوا سرا
كذلك غيروا عقول الاخيار







domingo, 21 de maio de 2017

Um Sonho No Qual Eu Estarei A Te Destroçar.


Vampire's Embace - Kat Jinx


Prometo não ser
Muito breve,
Prometo não
Me prolongar,
Isto vai ser
Como parar todo
O Tempo
Enquanto estarei
A te destroçar.

Arda mais
Um pouco,
Arda,
Aproveite meu
Toque,
Aproveite meus
Beijos,
Aproveite minhas
Mãos,
Aproveite meu
Pênis,
Aproveite o
Frio
Que eu sou…
Vão ser
Os últimos momentos
De algum prazer
Que te darei
Antes de realizar
O que necessito
Realizar.

Pense em mim
Como
O Verdadeiro Carrasco,
Aquele que cumpre
Um Eterno Papel
Determinado.
Pense ainda em mim
Como
O Verdadeiro Assassino,
Aquele que a Natureza
De todos os lados
Faz ser
Aos Deuses
E Demônios Do Sangue
Devotado.
Pense muito em mim
Como
O Verdadeiro Amante,
Aquele que devora
O seu objeto
Usado
Sem amor,
Sem desejo
E sem querer
Colecionar tal
Objeto.

Você pensa
Que eu te amo?
Você pensa
Que eu te desejo?
Você pensa
Que eu te quero?
Não pense,
É a tua sepultura
Que quero abrir
Com terra manchada
Pelo seu sangue
E gotas de muito
Mais sangue
Que já consumi.

Deixe de acreditar
Que em mim há
Alguma humanidade,
Eu não sou
A barata ficção
De uma sessão
De cinema
E nem o guardião
De donzelas
Ou rapazes
Por mim apaixonados.
Eu sou uma fera,
Apenas uma
Fera
Entre todas
As Feras.
Fera
Caminhando entre
As carnes mortais
Que me atraem,
Fera
Exalando milênios
De poderes únicos
Que você sequer
Pode imaginar.
Fera
Chegando sempre
Ao fundo
De uma jugular.

Portanto,
Pare de sonhar
E de delirar
Com tudo que eu
Aparento ser.
Depois de você,
Vou partir
Para a próxima
Vítima que irei
Destroçar.
Este sou eu,
Revelado entre
Os oceanos de sangue
Que comprovam
Minha história
Milenar.
Este sou eu,
Noturno Aventureiro
Sem pátria
E sem nome
Dentro da voracidade
Das eras que
Não se permitem
Parar.

Fique tranquilo,
Como eu te disse
Não vou demorar
E nem me prolongar.
Vai ser como dormir,
Quando estiver tudo
Dentro de sua
Jugular…
Um sonho no qual
Eu estarei
A te destroçar.

Inominável Ser
NOTURNO
DESTROÇADO
POETA




Chaminés - Goes Mariano



Roubei um beijo na boca da noite.
De dentes finos e caninos brancos.
E ela sorriu. Se rio, como de um açoite,
Que lhe cravasse vincos sobre os flancos.

Virou-me a cara em meio à gargalhada.
Ouvi dizer que a noite é uma criança.
Ela saiu correndo na calçada,
Como de um pé de vento ou de uma dança.

Sentou depois, mais mansa, na poltrona,
Fumando turvos e densos narguilés,
Com ar escultural de beladona.

Tendo a cidade esparramada aos pés,
Num estado de coma ou de redoma,
Sob o ópio de tantas chaminés.

Anjos urbanos
@Direitos reservados




Words - Sylvia Plath - Tradução: Ana Cristina César



Axes 
After whose stroke the wood rings, 
And the echoes! 
Echoes traveling 
Off from the center like horses. 

The sap 
Wells like tears, like the 
Water striving 
To re-establish its mirror 
Over the rock 

That drops and turns, 
A white skull, 
Eaten by weedy greens. 
Years later I 
Encounter them on the road--- 

Words dry and riderless, 
The indefatigable hoof-taps. 
While 
From the bottom of the pool, fixed stars 
Govern a life. 




Golpes,
De machado na madeira,
E os ecos!
Ecos que partem
A galope.

A seiva
Jorra como pranto, como
Água lutando
Para repor seu espelho
sobre a rocha

Que cai e rola,
Crânio branco
Comido pelas ervas.
Anos depois, na estrada,
Encontro

Essas palavras secas e sem rédeas,
Bater de cascos incansável.
Enquanto
Do fundo do poço, estrelas fixas
Decidem uma vida.







Rotting Christ - Threnody



The frozen wind I feared , a song of laugh and tear
My single son was singing the beauty of this living
A lament cleaved the air, the sole request of bier
My single son was crying, life was too short to satisfy

He sang and he was fighting with bevy of crow that eagerly
Waiting his flesh to eat , thirsty his blood to drink
Hit with his heavy hand the ground so hard
The earth that growed him, this earth will bury him

Earth in your ground I lived my first exile
Earth your ground watered with my bile
Earth your ground marked with my sign
And you erased it with my dying
Boatman accept the coin of my son and lead him to the other bank
And send my damn to the time, that Charon decided to take the son of mine

Earth in your ground I lived my first exile
Earth your ground watered with my bile
Earth your ground marked with my sign
And you erased it with my dying






sexta-feira, 19 de maio de 2017

Até Aquele Grande Dia, Florbela...



Florbela, Eterna Poetisa inspiradora da minha Cova…


As frias lembranças de coisas passadas
advém agora nesta carta-poema
sem nenhuma das pretensões
dos homens que almejam apenas
mulheres-objeto.
Você,
mulher,
é um objetivo alcançado
pelos que hoje se derramam
em poesias por ti ditadas,
é um objetivo que alcanço
em cada poesia que
aqui é enterrada,
um objetivo presente nas sepulturas
deste Portal Do Abismo onde
minha essência escorre por cada
lápide…


Aqui tem de tudo,
Florbela,
tanto das vivas flores que nascem
do meu sangue derramado
quanto das mortas folhas
que se amontoam sobre
os meus ossos esmagados.
Há Ruína
e Desordem;
Partidas
e Paradas;
Chegadas
e Desencontros;
Gemidos
e Gritos;
Pesadelos
e Sonhos;
Desespero
e Desejos;
Solidão
e Sofrimento;
Poesia
e Poesia
e Poesia…


Quanto mais passam os dias
neste decadente mundo insano
onde você caminha junto
com todos que te amam,
mais os versos a mim chegam
trazidos pelas Vozes que ouço
nos ventos…
Uma destas Vozes é a vossa,
um lamentoso sussurro,
Florbela,
agitando cada tumulto
da minha estranha alma
de poeta enredado
nos círculos e quadrados
da niilista geometria caótica
dos contemporâneos tempos
baratos,
bárbaros,
horrorosos,
imundos
e perversos.


Queria mesmo é estar contigo agora
no Vale Dos Poetas Perdidos,
ouvindo as declamações dos teus
poemas novos e antigos,
ouvindo os cânticos de alegria
de nossos amigos todos,
nossos Eternos Irmãos
na Deusa Poesia!
Porém,
Desgraçada Metáfora Existencial
nos separa agora nesta época
de irrealizações nesta esfera
de amotinadas idealizações
sufocadas…
Estou aqui sufocado
na solitária carne…
Estou aqui sufocado
na solitária mente…
Estou aqui sufocado
na solitária alma…
Morto neste Romance Da Cova
apreciado por loucos,
outros solitários,
outros perdidos
e infinitos fantasmas…


Seria preciso sair daqui de qualquer
modo…
Já pedi à Deusa Morte…
Já tentei a morte física…
Já quase me deram esta morte…
Contudo,
Florbela,
Algo Inominável ainda me prende
aqui nesta Terra,
uma Deusa,
um Deus
ou Demônios em forma
de Elevados Deuses
(o que dá na mesma)
me mantém aqui enjaulado
nesta prisão nefasta…
Um dia escapo,
naturalmente escapo
para contigo me encontrar
naquele Vale tão cheio
de versos caindo do firmamento!
Um dia,
Florbela!
Um dia,
Flor Bela!
Um dia,
Flor!
Um dia,
Bela!


Até tal dia,
Flor Bela
Que Me Espanca!


Até aquele dia,
Flor Bela
Que Espanca!


Até O Dia,
Flor Bela Espanca!

Com amor,
Inominável Ser.



sexta-feira
19 de maio de 2016
00:49 h