sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Paremos O Tempo


Drastique - Photo by K. Fuchs


Paremos O Tempo,
calando a nossa
estupidez,
sufocando a nossa
ignorância,
estrangulando os nossos
preconceitos,
estuprando os nossos
conceitos,
desmembrando os nossos
caprichos,
afogando os nossos
preceitos,
decapitando os nossos
defeitos,
desafiando os nossos
medos,
refletindo sobre nossos
ossos…

Paremos O Tempo,
buscando algum momento
harmônico,
buscando algum momento
pacífico,
buscando algum momento
tranquilo,
buscando algum momento
ordenado,
buscando algum momento
correto,
buscando algum momento
sadio,
buscando algum momento
sábio,
buscando aquele momento
feliz…

Paremos O Tempo,
chega de
disputas,
chega de
putas,
chega de
putos,
chega de
filosofias,
chega de
ideologias,
chega de
religiões,
chega de
dramas,
chega de
brigas,
chega de
opiniões,
chega de
egoísmo,
chega de
procrastinação,
chega de
tudo que nos detona…

Paremos O Tempo,
percebendo
As Luzes,
percebendo
As Trevas,
percebendo
O Kaos,
percebendo
A Ordem,
percebendo
A Verdade,
percebendo
A Mentira,
percebendo
A Destruição,
percebendo
A Construção,
percebendo
O Som,
percebendo
O Silêncio,
percebendo
A Obra Se Expandindo…

Paremos O Tempo,
se possível
agora…

Paremos O Tempo,
se possível
ontem…

Paremos O Tempo,
se possível
amanhã…

Paremos O Tempo,
se possível
sempre…

Paremos O Tempo,
se possível
abraçando Cronos
nos Leitos
De Saturno…

Inominável Ser
PARANDO
O TEMPO
NESTE
AGORA




sábado, 12 de agosto de 2017

Sombras Vingadoras


Michelle Maron - Haris Nukem


Se me compreendem
Através dos meus versos
Como um monstro,
Como um demônio,
Como desumanamente formado,
Como lixo,
Como esterco,
Como bosta,
Como lama,
Eu me vingo pensando
Que todos estão
Nas sombras.

Todos possuem as suas sombras
Possíveis,
Impossíveis,
Vigilantes,
Adormecidas,
Altas,
Baixas,
Positivas,
Negativas.

Quem me julga
Pelas minhas sombras
É julgado pelas suas
Próprias sombras.

Eu não julgo as sombras
Dos que me julgam
Pelas minhas sombras.

Eu compreendo as sombras de todos,
Pois sou poeta
Em minhas sombras.

Sombras nascidas
Quando o meu amigo Diabo
Conversa comigo
Nas noites vermelhas minhas.

Sombras nascidas
Quando o meu amigo Satan
Conversa comigo
Nas noites adversárias minhas.

Sombras nascidas
Quando o meu amigo Lúcifer
Conversa comigo
Nas noites luzidias minhas.

Sombras nascidas em mim,
Sombras minhas,
Sombras vingadoras
A vingarem-me com versos
Das sombras que me são
Inimigas.

Vingo-me da ralé que julga
Sendo uma ralé que poetiza.

Não me considero
O rei dos poemas.

Não sou
O Rei Dos Poetas.

Sou apenas
Inominável.

Sou apenas um
Ser.

Sou apenas uma
Sombra.

Sombra esmagada.

Sombra aflita.

Sombra corajosa.

Corajosa por não negar
As próprias outras
Sombras
Em si eternizadas.

Inominável Ser
SOMBRAS




quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Em Todo Pesadelo


Art by Douglas Verden


Em todo pesadelo,
A certeza do alcance da morte
Que arrasta consigo as hostes
Das tremendas forças da
Efemeridade.

Em todo pesadelo,
A crescente marca da marcha
Contra as sombras escravocratas
Detentoras dos ferrolhos da
Dualidade.

Em todo pesadelo,
A simbologia dos obscuros templos
Onde os Primeiros Magos Negros
Exercem seu Domínio
Pleno.

Em todo pesadelo,
A Voz Caótica ressoando sobre
As marés do Grande Mar
Agitadas pelos passos do Gigante
Endurecido.

Em todo pesadelo,
A história de um tormento
E de uma verdade destruidora
De cada lamento ecoado pela
Humanidade.

Em todo pesadelo,
O grito que pede passagem
Para cada corrente de mensagens
Trazidas pelos possuidores da
Chave.

Em todo pesadelo,
O Mistério Revelado da Escuridão,
Da Vida,
Da Morte
E da Luz.

Em todo pesadelo,
A Revelação do Cadáver
Do Diabo,
De Deus
E do Medo.

Em todo pesadelo,
A Realização dos Livros
De Sangue,
De Poder
E de Adeus.

Em todo pesadelo,
A Realizade dos Planos
De Lutas,
De Guerras
E de Libertação.

Em todo pesadelo,
A Maldição
Daqueles que jazem na Lama
E tentam a todo custo nadar
Nas Chamas.

Em todo pesadelo,
A Maldição
Daqueles que seguem sem mãos
Pelo mais árido Caminho
Desta Criação.

Em todo pesadelo,
A Maldição
Daqueles que sugam a Energia
Que se esconde na Fúria
Da Contestação.

Em todo pesadelo,
A Maldição
De cada um que insiste
Em abrir Caminhos
Como Destruição.

Em todo pesadelo,
A Maldição,
A Mais Eterna Maldição,
Daquilo Tudo Que É
A Mais Duradoura Libertação!

Inominável Ser
UM DISCÍPULO
DOS MALDITOS
MESTRES
PESADELOS




Vaidade - Florbela Espanca


Memorial - Vampirenish


Sonho que sou a poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que num verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...
E não sou nada!...




quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Olhos De Miséria


Lost In Misery - Nazrin-Polad


Permitem que eu veja
Tudo daqui,
Deste ponto de vista
Que de tão minúsculo
E desprezível
É tão mísero
Quanto toda a bosta
Que a civilizada corja
Garante ser evoluída.
Evolução
No olho do cu?
Evolução
No fundo da buceta?
Evolução
Onde?
Lá no México,
Uma mulher foi estuprada
E cortada em pedacinhos
Em um açougue;
Aqui no Brasil
Uma menina de seis anos
Foi estuprada
E morreu afogada
Após ser jogada
Em um rio
Dentro de uma mala;
Imaginemos agora
Qualquer crime hediondo
Ocorrendo em qualquer
Parte desta porra
Chamada Terra;
Imaginemos agora
Cada tipo de crime
Que a Raça Humana
É capaz de realizar
Neste exato momento
Em qualquer recanto
Deste odioso planeta;
Imaginemos…
Imaginaram
Comigo?
Imaginaram?
Ou pararam de ler
Este poema
Logo quando a realidade
Lhes foi vomitada
Na porra da cara?
E eu pergunto
De novo
Neste poema de rancor
Contra tudo que
Meus olhos permitem
Que eu veja:
VOCÊS IMAGINARAM
O CRIMINOSO SER
QUE NÓS,
SERES HUMANOS,
SOMOS???
IMAGINARAM???
IMAGINARAM???
IMAGINARAM???
Então,
Amigas Coveiras,
Amigos Coveiros,
Sabemos que chegamos
Ao ponto apocalíptico
Da nossa miserável
História!
O ponto
Final!
O ponto
Definitivo!
O ponto
Conclusivo!
O Final
Do Verme Homem!
A Definição
Da Extinção Humana!
A Conclusão
Do Funeral Humano!
Notamos
E sabemos
Que é assim
Que funciona.
Os demais…
Bem…
Os demais
Anunciam uma cegueira
Bem escandalosa,
Olhos arrancados
Desde o nascimento,
Paredes de uma cova
Já lhes arrastando
Direto para a morada
Em um cemitério.
E os nossos olhos,
Abertos para vermos
O enxame de misérias
Se acumulando em torno
De todo o mundo,
Nunca querem ficar
Quietos,
Fechados
E calados…
Sina de miseráveis
Como nós,
Os augustos fracassados
De miseráveis olhares
Para um horizonte
De podridão
E enterros.

Inominável Ser
SEMPRE
A OLHAR
O PODRE
E CADA
ENTERRO




sexta-feira, 7 de julho de 2017

Gato Em Telhado De Frio Eterno


Soft And Sad - Serdar Turkoglu

Ronronando meditativo
sobre um telhado onde
observo as nítidas
decadências de toda
a cidade congelada,
quebro cada parede
em cada dimensão
habitada por gemidos,
gritos,
lamúrias,
angústias
e as mais frias
solidões…

Sou um gato
entendedor da solidão
dos meus pares
no ronronar,
um andarilho estranhando
o fato de ter
de me esgueirar
entre os que se encontram
na cegueira de seu
caminhar.

Um gato,
com a malícia dos
selvagens grandes caçadores,
caçando
uma cama quente,
caçando
uma morada acolhedora,
caçando
um colo quente,
caçando
uma
e outra
chance de companhia
na cidade feroz.

Mas,
como o gato que sou,
imitando outros gatos
que ronronam
em todos os telhados,
sou sempre guiado
para O Frio Eterno
que me faz companhia
tanto neste
belo Inverno
quanto na
florescente Primavera,
incandescente Verão
e desfolhante Outono.

Gato,
pêlos eriçados,
pêlos tensos,
pêlos rígidos,
acariciados pelos ventos
de um Norte
que sempre trazem
as Mãos De Cronos
espelhadas nos mapas
de Saturno,
a dureza do Titã
que molda a combustão
da saturnina sombra
em minhas andanças
por cada telhado.

E sou envenenado
sempre,
sem morrer.

E sou espancado
sempre,
sem morrer.

E sou abandonado
sempre,
sem morrer.

Eu sou um gato
de sete infinitas vidas,
um rei entronizado
em um trono
de barro
e de cinzas.

Ronrono atravessando
os milênios
como eremita solitário.

A ração
e o leite
e o peixe
há muito,
para mim,
acabaram.

Inominável Ser
UM SOLITÁRIO
FELINO
INOMINÁVEL