sábado, 28 de abril de 2007

Esta Minha Sede Eterna...



Longas e tortuosas todas

As

Noites...


Longas e tenebrosas todas

As

Noites...


Longas

E

Tortuosas...


Longas

E

Tenebrosas...


Noites...


Noites...


Noites...


Noites...


Noites...


Noites...


Noites...


Noites

Noites

Noites

Tortuosas

Tortuosas

Tortuosas

Tenebrosas

Tenebrosas

Tenebrosas


Não há o tortuoso para mim


Não há o tenebroso para mim


Tortuosas são as vossas noites

Seres humanos


Tenebrosas são as vossas noites

Seres humanos


O Tortuoso lhes atormenta

Porque todos vós

Encaminham-se para o pó


O Tenebroso lhes atormenta

Porque todo vós

São vítimas dos Terrores Diurnos

E dos Terrores Noturnos


Eu sou um dos Terrores Noturnos


Esta minha sede eterna...

Esta minha sede eterna...

Esta minha sede eterna...


Contemplo os oceanos humanos

E nado nas ondas vazias


Vazios vós sois

Seres humanos


Vazios que apenas servem de comida

Para os Vampiros


Vazios que servem de comida

Pois vós sois belíssimos aperitivos


Esta minha sede eterna...

Esta minha sede eterna...

Esta minha sede eterna...


Lutem pelos vossos ossos caídos

Seres humanos


Lutem pelos vossos olhos perdidos

Seres humanos


Lutem

Eu vos admiro


Eu vos admiro como joguetes

Nas mãos da Deusa Destino


Joguetes que podem ser esmagados

Pelas mãos de um Vampiro


Joguetes que esmago

Pois sou uma Vampira


Não sou vossa amiga

Seres humanos


Mas eu amo a todos vós

Porque sois o alimento que me mantém eternamente aqui


Eternamente aqui neste mundo

Que vossa estupidez está vindo a destruir


Esta minha sede eterna...

Esta minha sede eterna...

Esta minha sede eterna...


Cantem para os corvos que vos rodeiam

Seres humanos


Dancem para os esqueletos que vos chamam

Seres humanos


Cada um de vós é uma cova fria

Seres humanos


Cada um de vós já está enterrado

Seres humanos


Encomendem já vossos enterros ou cremações

Seres humanos


Se não for um Vampiro

Será a Deusa Morte


Se não for a Deusa Morte

Será a vossa própria falta de sorte


Esta minha sede eterna...

Esta minha sede eterna...

Esta minha sede eterna...


A Festa Do Sangue é ótima

Seres humanos


A Festa Do Sangue é excelente

Seres humanos


Dentes em eterno estado de perfeição


Dentes em eterna busca de refeição


Dentes em eterna sintonia com a Vampírica Ação


Sobrevivo aos milênios assim

Seres humanos


Sou Filha De Amalya assim

Seres humanos


Sou ali a mulher estranha da esquina


Sou lá a mulher risonha do bar


Sou aqui a mulher solitária no pub


Sou acolá a mulher oferecida do bordel


Sou Vampira e estou convosco

Seres humanos


Sou Vampira e vos alcanço até em locais sagrados

Seres humanos


Sou Vampira

Seres humanos


Esta minha sede eterna...

Esta minha sede eterna...

Esta minha sede eterna...


Beijo crucifixos em minha Cova Eterna


Bebo água benta à espera de uma chance de confissão


Sorrio para o sol diante das Horas Ocultas Do Meio-Dia


Saí das ruínas


Parei nas rotinas


Amo vossas rotinas

Seres humanos


Amo ser-lhes Caçadora Eterna

Seres humanos


Amo-os como ovelhas sem pastores

Pastores que vos sejam pais

Seres humanos


Vampiros são alguns dos vossos pastores

Seres humanos


Sou uma dos vossos pastores

Seres humanos


Minhas fazendas são as ruas vazias


Meus intrumentos são os meus dentes


Meu arado começa e termina em vossas jugulares

Seres humanos


Esta minha sede eterna...

Esta minha sede eterna...

Esta minha sede eterna...


Sorriam

Seres humanos

Vós estais sendo ordenhados!!!


Chorem

Seres humanos

Vós estais domesticados!!!


Relaxem

Seres humanos

Vós sois rebanho bem pastoreado!!!


Esta minha sede eterna...

Esta minha sede eterna...

Esta minha sede eterna...


Inominável Ser

DO REBANHO PASTOREADO

PELOS VAMPIROS



Reações:

10 Lamentos Finais De Cadáveres:

Zana disse...

Olá ISer,
Estou aqui somente para ver a cova, não é uma cova cálida, não há repouso nesta cova.
Estar na cova é inominável para mim...então... eu já vou...até.

Deixo "Ao Leitor" para ti, te desejo boa semana.

"Ao Leitor
A tolice, o pecado, o logro, a mesquinhez
Habitam nosso corpo e o espírito viciam,
E adoráveis remorsos sempre nos saciam,
Como o mendigo exibe a sua sordidez.

Fiéis ao pecado, a contrição nos amordaça;
Impomos alto preço à infâmia confessada,
E alegres retornamos à lodosa estrada,
Na ilusão de que o pranto as nódoas nos desfaça.

Na almofada do mal é Satã Trismegisto
Quem docemente nosso espírito consola,
E o metal puro da vontade estão se evoca
Por obra deste sábio que age sem ser visto.

É o diabo que nos move e até nos manuseia!
Em tudo que repugna, uma jóia encontramos;
Dia após dia, para o Inferno caminhamos,
Sem medo algum, dentro da treva que nauseia.

Assim como um voraz devasso beija e suga
O seio murcho que lhe oferta uma vadia,
Furtamos ao acaso uma carícia esguia
Para espremê-la qual laranja que se enruga.

Espesso, a fervilhar, qual um milhão de helmintos,
Em nosso crânio um povo de demônios cresce,
E, ao respirarmos, aos pulmões a morte desce,
Rio invisível, com lamentos indistintos.

Se o veneno, a paixão, o estupro, a punhalada
Não bordaram ainda com desenhos finos
A trama vã de nossos míseros destinos,
É que nossa alma arriscou pouco ou quase nada.

Em meio às hienas, às serpentes, aos chacais,
Aos símios, escorpiões, abutres e panteras,
Aos monstros ululantes e às viscosas feras,
No lodaçal de nossos vício ancestrais,

Um há mais feio, mais iníquo, mais imundo!
Sem grandes gestos ou sequer lançar um grito,
Da Terra, por prazer, faria um só detrito
E num bocejo imenso engoliria o mundo;

É o Tédio! - O olhar esquivo à mínima emoção,
Com patíbulos sonha, ao cachimbo agarrado.
Tu o conheces, leitor, ao monstro delicado
- Hipócrita leitor, meu igual, meu irmão. "

Charles Baudelaire

Inominável Ser disse...

Inomináveis Saudações, Zana.

O Tédio
Grande Tédio
Sobrevive dos resquícios
Das nobrezas esquecidas
Insistindo no fim
Das realezas bandidas
E banidas são as rotinas
Das perdidas doutrinas

O Tédio
Roto

O Tédio
Gasto

O Tédio
Das Eras

O Tédio
Das Feras

Mundo
Mundo
Mundo
Tédio

Ah
Escancarado Tédio
Vem
Volta
Vai

Tédio
Tu és o ão humano

Tédio
Tu és o hein humano

Tédio
Que bom ser-te
Tão idêntico

Tédio
Escarre no mundo

Tédio
Escarre nos humanos

Tédio
Escarro é o ser humano

Tédio
Obrigado por mostrar isso
A poucos

Baudelaire é um dos meus poetas prediletos, Zana, um dos meu Guias Espirituais. É um Mestre, um Ser de Visão fantástica, verdadeira, presente sempre comigo em todos os meus poemas. Não somente ele, como também Álvares de Azevedo, Florbela Espanca, Cruz e Sousa, Augusto dos Anjos, Byron, Poe... Todos os maiores poetas das lágrimas e da obscuridade, dos amores não-realizados e dos fulgores não-apagados, aqui comigo estão, são meus Guias e Mestres igualmente.

Muito obrigado, Zana, pelo poema e pelo comentário.

Saudações Inomináveis, Zana.

Zana disse...

Olá ISer,

Respondi tua pergunta no Jardim.
Obrigada pela resposta aqui, e por teres passado pelo Labirintto.

Até

Inominável Ser disse...

Obrigado, Zana, pela visita, mais uma vez, e pelo comentário.

Quanto ao sentires que aqui não é cálido, vejas este trabalho, esta obra, como a de um Eremita Inominável que apenas quer dizer algo, mesmo por meio de palavras que sejam poderosamente carregadas do Obscuro, do Sombrio, do Tenebroso. Vendo-o assim, tu te sentirás bem aqui e poderás até descansar junto às lápides. Mas, respirando, claro...

Pelo vosso sorriso agora, ao ler minhas últimas palavras, acho que já estás a se acostumar a aqui adentrar.

Serás sempre bem-vinda aqui, Zana. Sempre.

Até!

A.M disse...

simples mas belo.
gostei

Angel Of Death disse...

Gostaria de fazer parceria com meu blog?
http://xw-mundosombrio.blogspot.com/
Mande um comentário com sua resposta para ultima postagem do meu blog

Inominável Ser disse...

Inomináveis Saudações!

Sim, Angel of Death, podemos fazer a parceria. Vou lhe enviar o endereço do banner deste blog:

https://lh3.googleusercontent.com/-bA7mTIycdJg/SIsjfz3gkfI/AAAAAAAAB10/Hzvq98-zedc/s144/coabposo%2520-%2520mini.gif

Me envia o seu e obrigado pelo convite.

Saudações Inomináveis!

Allef Santos disse...

A cidade continua adormecida, as sombras cercam as paredes do escuro. Meus olhos sangram e minhas veias são mastigadas por formigas famintas,essa sombra olha por me a cada passo calado q dou. uma rachadura pequena abri-se no céu, o sol tenta nascer em plena noite negra!.
essa luz queima meus olhos escurecidos!

Allef Santos disse...

A cidade continua adormecida, as sombras cercam as paredes do escuro. Meus olhos sangram e minhas veias são mastigadas por formigas famintas,essa sombra olha por me a cada passo calado q dou. uma rachadura pequena abri-se no céu, o sol tenta nascer em plena noite negra!.
essa luz queima meus olhos escurecidos!

Allef Santos disse...

A cidade continua adormecida, as sombras cercam as paredes do escuro. Meus olhos sangram e minhas veias são mastigadas por formigas famintas,essa sombra olha por me a cada passo calado q dou. uma rachadura pequena abri-se no céu, o sol tenta nascer em plena noite negra!.
essa luz queima meus olhos escurecidos!