quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Egrégora Desgraçado!!!!


Do Seu Empoeirado Trono

E Todo Cagado,

Ele Observa A Ruína E O Vazio

Do Salão Universal

Contendo As Chaves Dos Portões

De Toda A Criação

E Indaga Como Existe

E Afirma Que Não Alimenta

O Seu Próprio Existir.


No Salão Ele Ouve

As Vozes De Fantasmas Humanos

A Chamarem Por Ele,

Fantasmas Humanos De Carne,

Fantasmas Humanos De Ossos,

Fantasmas Humanos De Batina,

Fantasmas Humanos Sem Batina,

Fantasmas Humanos De Todas

As Religiões Que Pregam

A Sua Fantasmagórica

Existência.


Como Chamam Por

Ele!


Como Pedem A

Ele!


Como Ajoelham-Se Diante

Dele!


Como Se Perdem Diante

Dele!


Como Se Insinuam Diante

Dele!


Como Se Humilham Diante

Dele!


E Como Ele É?


E Como Ele Faz?


E Como Ele Atende?


E Como Ele Age?


E Como Ele Reage?


Como O Egrégora

Denominado Deus Único,

Denominado O Pai Maior,

Denominado O Pai Criador,

Reage E Age E Atende E Faz

E É

Diante Dos Humanos Tão Fantasmas

Quanto Ele

Que Nele Crêem?


Ah,

Fantasmagórica Humanidade

A Crer Em Um Fantasma,

Ele É O Fodido

Que Representa A Todos Vós,

Ele É O Grande Fodido,

Ele É O Pai Dos Fodidos,

Ele É O Guia Dos Fodidos,

Os Fodidos Humanos

Como Vocês Que Nele Crêem,

Humanos Fodidos Que Alimentam

A Poeira A Encobri-Lo

Em Seu Empoeirado Trono,

Fodidos Humanos Que Oram

Por Ele

Cagando Asneiras Que Se Esvaem

Na Poeira Das Auroras Negadas,

Fodidos Humanos Que Falam

Nele

Vomitando Palavras Assassinadas

Pela Ronda Das Trevas,

Fodidos Humanos Que Juram

"Por Deus",

Fodidos Humanos Que Dizem

"Graças A Deus",

Fodidos Humanos Que Dizem

"Se Deus Quiser",

Fodidos Humanos Que Dizem

"Deus Quer"!


Deus É Um Fodido Egrégora

Empoeirado,

Fodidos Humanos

Empoeirados!


Deus É O Egrégora Fodido

Que Te Desgraça Mais

Na Poira De Vossas Fodidas

Existências Fodidas,

Fodidos Humanos

Empoeirados!


Melhor Não Seria,

Sendo Tão Fodidos,

Sendo Tão Desgraçados,

Me Ter,

A Deusa Desgraça,

Como A Vossa Mãe Maior,

Como A Vossa Criadora,

Já Que Sou Real Ao

Ser-Lhes A Desgraça

De Crerem Em Um

Egrégora Desgraçado,

Um Egrégora Empoeirado,

Um Fantasmagórico Tirano

Que Todos Vós Puseram

Como O Regente Único

De Todas As Esferas

A Tudo Mover,

A Tudo Fazer Girar,

A Tudo Fazer Dançar?


Ah,

Fantasmagórica Humanidade,

Mesmo Que Me Neguem

Eu Sou Vossa

Mãe Maior,

Eu Sou Vossa

Mãe Criadora!


A Desgraça De Crer

Em Um Deus Único

Afirma Que Eu Sou

Assim Para Todos Vós

Na Poeira De Vossas

Desgraçadas Existências.


Inominável Ser

TENDO COMO

SUA MÃE MAIOR

TENDO COMO

SUA MÃE CRIADORA

A DEUSA DESGRAÇA




quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

As Abismais Angústias De Uma Puta Miserável


Miserável puta angustiada,

Puta miserável angustiada,

A ruína te ajuda,

A miséria te exorta,

Vai ali,

Vem aqui,

Ali abre a buceta miserável e se fode,

Aqui abre o cu miserável e se fode

Um pouco mais

Com um pouco do seu faltar

Um norte...


Angustiada puta miserável,

Angustiada miserável puta,

Segui a ríspida doutruina,

Orienta-te na esporra de um pau

No meio dessa tua cara

De infinita vadia,

Se cala no Abismo,

Desce O Abismo,

Desce comigo O Abismo,

Putas miseráveis adoro,

Miseráveis putas adoro,

Adoro para arruinar,

Adoro para destroçar!


Puta angustiada miserável,

Angustiada puta miserável,

O Abismo te explora,

O Abismo te romantiza,

O Romance Do Abismo

É O Beijo Da Cadela Fodida

Que Mal Latia

No Cu Fedido Do Mais Fodido

Dos Religiosos,

É Romance Abismal,

Romance para putas miseráveis,

Romance para miseráveis putas,

Romance para tua laia,

A laia das putas abismais!


Miserável,

Angustiada,

Puta,

Eu Sou A Deusa Miséria,

Te persigo aí onde tu fazes

Teu filme pornô,

Te sigo aí onde tu danças

A Dança Do Creu,

Te persigo aí onde tu dá o cu

Na esquina dos centros

De todas as cidades,

Te persigo,

Te adoto,

Te amo,

Te doutrino,

Tu és minha

Filha Miserável,

Tu és minha

Miserável Filha!


Puta,

Angustiada,

Miserável,

Eu Sou A Deusa Miséria,

Abismos Miséraveis são

Meus,

Abismos Miseráveis são

Teus,

Tu és lama miserável

Que usada é pelos miseráveis

Que se chamam homens

E que na verdade são

Vermes miseráveis

Cujos paus não ficam

Dentro das calças,

Vermes que te sujam,

Tu és suja miseravelmente,

Sua suja,

Puta suja,

Angustiada suja,

Miserável suja!


Angustiada,

Miserável,

Puta,

Eu Sou A Deusa Miséria,

Teu peito balança

Para Mim,

Tuas coxas balançam

Para Mim,

Tua buceta balança

Para Mim,

Teu cu balança

Para Mim,

Teu sorriso é

Meu,

Teu riso é

Meu,

Teu choro é

Meu,

Tu és minha,

Minha Angustiada,

Minha Misrável,

Minha Puta!


Angustiada,

Eu Sou A Deusa Miséria,

Quem te melhor fode

Sou Eu,

Quem te melhor guia

Sou Eu,

Teu Deus é cada prega

Desse teu cu sendo fodido,

Tua Deusa é tua clitóris

Sendo chupada,

Tu gostas,

Gostas da farra,

Gostas da foda,

És miserável gostosa,

És de um gosto miserável

Pela tua própria queda

Em teus Abismos,

Nos quais tu passas

As tuas permanentes férias

De angustiada alienada!


Puta,

Eu Sou A Deusa Miséria,

Tranco tuas portas de entrada,

Tranco tuas portas de saída,

Tu não sais

Da Minha Morada,

Tu almoças em Minha Mesa,

Tu jantas em Minha Mesa,

Tu adormeces em Meu Leito,

Tu te masturbas em Meu Leito,

Toca Korn,

Toca Marilyn Manson,

Toca Celtic Frost,

Toca DVAR,

Tu danças Comigo,

Tu pulas Comigo,

Tu vais Comigo

Ao Êxtase Dançante

Do Afundamento No Abismo!


Miserável,

Eu Sou A Deusa Miséria,

Meça sua putaria,

Meça sua angústia,

Meça sua miserabilidade,

Lembra Que Sou

Tua Senhora

De Miserável Sorte,

Lembra Que Sou

Tua Senhora

De Miserável Valor,

Lembra Que Sou

Tua Senhora

De Miserável Tumor,

Lembra Que Sou

Tua Senhora

De Miserável Humor,

Lembra Que Sou

Tua Senhora

De Miserável Horror,

Lembra Que Sou

Tua Senhora

De Miserável Motor,

Lembra Que Sou

Tua Senhora

No Miserável Abismo,

O Miserável Abismo

Da Tua Miserável Condição

De Ser Angustiada,

O Miserável Abismo

Da Tua Miserável Posição

De Ser Puta,

O Miserável Abismo

Da Tua Miserável Opção

De Ser Miserável!


Inominável Ser

NO MISERÁVEL ABISMO

COM A DEUSA MISÉRIA

E UMA

ANGUSTIADA

PUTA

MISERÁVEL

QUALQUER




terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

The Raven - Edgar Allan Poe - Tradução Por Fernando Pessoa






Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
"'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door-
Only this, and nothing more."

Ah, distinctly I remember it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow;–vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow–sorrow for the lost Lenore-
For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore-
Nameless here for evermore.

And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me–filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating,
"'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door-
Some late visitor entreating entrance at my chamber door;-
This it is, and nothing more."

Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
"Sir," said I, "or Madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you"–here I opened wide the door;-
Darkness there, and nothing more.

Deep into that darkness peering, long I stood there wondering,
fearing,
Doubting, dreaming dreams no mortals ever dared to dream before;
But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word, "Lenore!"
This I whispered, and an echo murmured back the word, "Lenore!"-
Merely this, and nothing more.

Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping somewhat louder than before.
"Surely," said I, "surely that is something at my window lattice:
Let me see, then, what thereat is, and this mystery explore-
Let my heart be still a moment and this mystery explore;-
'Tis the wind and nothing more."

Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and
flutter,
In there stepped a stately raven of the saintly days of yore;
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed
he;
But, with mien of lord or lady, perched above my chamber door-
Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door-
Perched, and sat, and nothing more.

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore.
"Though thy crest be shorn and shaven, thou," I said, "art sure no
craven,
Ghastly grim and ancient raven wandering from the Nightly shore-
Tell me what thy lordly name is on the Night's Plutonian shore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning–little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blest with seeing bird above his chamber door-
Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door,
With such name as "Nevermore."

But the raven, sitting lonely on the placid bust, spoke only
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered–not a feather then he fluttered-
Till I scarcely more than muttered, "other friends have flown
before-
On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before."
Then the bird said, "Nevermore."

Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
"Doubtless," said I, "what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master whom unmerciful Disaster
Followed fast and followed faster till his songs one burden bore-
Till the dirges of his Hope that melancholy burden bore
Of 'Never–nevermore'."

But the Raven still beguiling all my fancy into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird, and bust and
door;
Then upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore-
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt and ominous bird of yore
Meant in croaking "Nevermore."

This I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl whose fiery eyes now burned into my bosom's core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion's velvet lining that the lamplight gloated o'er,
But whose velvet violet lining with the lamplight gloating o'er,
She shall press, ah, nevermore!

Then methought the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by Seraphim whose footfalls tinkled on the tufted floor.
"Wretch," I cried, "thy God hath lent thee–by these angels he
hath sent thee
Respite–respite and nepenthe, from thy memories of Lenore!
Quaff, oh quaff this kind nepenthe and forget this lost Lenore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

"Prophet!" said I, "thing of evil!–prophet still, if bird or
devil!-
Whether Tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate yet all undaunted, on this desert land enchanted-
On this home by horror haunted–tell me truly, I implore-
Is there–is there balm in Gilead?–tell me–tell me, I implore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

"Prophet!" said I, "thing of evil–prophet still, if bird or
devil!
By that Heaven that bends above us–by that God we both adore-
Tell this soul with sorrow laden if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden whom the angels name Lenore-
Clasp a rare and radiant maiden whom the angels name Lenore."
Quoth the Raven, "Nevermore."

"Be that word our sign in parting, bird or fiend," I shrieked,
upstarting-
"Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath spoken!
Leave my loneliness unbroken!–quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my
door!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

And the Raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming,
And the lamplight o'er him streaming throws his shadow on the
floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted–nevermore!




Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais. É só isto, e nada mais."

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,

Mas sem nome aqui jamais!

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.

É só isto, e nada mais".

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.

Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.

Isso só e nada mais.

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.

"É o vento, e nada mais."

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,

Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."

Disse o corvo, "Nunca mais".

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,

Com o nome "Nunca mais".

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".

Disse o corvo, "Nunca mais".

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais

Era este "Nunca mais".

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,

Com aquele "Nunca mais".

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,

Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!

Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,

Libertar-se-á... nunca mais!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Ternos Versos Para Uma Solitária Guerreira Das Trevas


Um eclipse silencioso ronda as

Rotas Noturnas,

Meus olhos silenciosos rondam

Uma Irmã minha que solitária

Descansa acima da

Serpente Vencida

Derrotada após batalha

Que mercerá ser narrada

Pelos Anciães Das Trevas

Nos futuros distantes que se fazem já

Nos Reinos Das Trevas.


Minha Irmã descansa,

A lua e o seu eclipse,

Ela tendo um momento

De existencial eclipse,

Eu tendo um momento a mais

Do meu eterno existencial

Eclipse,

Já que na Cova a lua bate

Sempre em eclipses de longas

Jornadas de ossos quebrando-se

A marteladas insanas

Dadas pelos meus momentos

De derramar meu sangue lutando

Contra as minhas

Serpentes A Serem Vencidas.


Admiro minha Irmã Noturna,

Ao longe os Harpistas Noturnos

Tocam Odes Das Trevas a todas

As Luas Universais,

Eu e Ela ouvimos,

Com ternura eu me aproximo

E com mais ternura ainda aqui

Falo Dela que lança seu olhar

De solidão tão trevosa como aminha

Em direção aos meus olhos

De solitário Coveiro Inominável

Que em seus eclipses busca

A chance de um Sol Negro

Bem mais cálido.


Minha Irmã Noturna,

Tão Antiga quanto as Trevas,

Tão das Trevas quanto eu,

Tão da Deusa Solidão

Quanto eu,

Possui pés que calejados

Já caminharam por entre

Extintos Campos De Guerras

Extintas,

Derrotando Dragões Impuros

E Serpentes Impuras

E Lobos Impuros

E Corvos Impuros,

Filhos Todos Noturnos

Que Purificados Formam Agora

Uma Parte Em Infinitas Partes

Do Grande Dragão

E Da Grande Serpente

E Do Grande Lobo

E Do Grande Corvo.


Minha Irmã Noturna

Empunha seu machado,

Empunha cansada,

Empunha solitária,

Uma dose de cansaço,

Uma dose de solidão,

Cansaço Eterno de batalhas

Nas Trevas,

Solidão Eterna de batalhas

Nas Trevas,

Batalhas que eu também

Travo,

Batalhas que também

Me cansam,

Batalhas que em mim também

São eternas,

Batalhas que me deixam também

Tão solitário quanto solitária

É a solitária Caminhada Guerreira

Dela...


Compreendemos nossa

Guerra Nas Trevas,

Conhecemos nossa

Guerra Nas Trevas,

A Deusa Solidão

Faz A Sinfonia Da Guerra

Dos Filhos Noturnos

Ao Lado Da Deusa Escuridão,

Sinfonia Que É O Eclipse

Das Existências Noturnos,

Sol Noturno

Obscurecendo A Solitária

Lua Noturna,

A Lua Das Trevas,

A Lua Dos Trevosos,

A Lua Dos Filhos Das Trevas,

A Lua Dos Seres Noturnos

Que Vencem As Serpentes

Que Devem Ser Vencidas,

A Lua Dela,

Minha querida Irmã Noturna

Que longe de toda batalha

Busca como eu busco

Um canto em sua Cova,

Cova Infinita como a minha,

Para poder descansar,

Para poder adormecer,

Mas a solidão,

A Solidão De Coveiros

Como Nós

É Apenas Adoecer,

É Apenas Chorar,

Em Solitárias Covas

No Noturno Mar...


E neste meu chorar,

Chorar em solitários versos

No Noturno Mar

Do Eclipse Lunar Das Trvevas,

Deixo aqui para Ela,

Minha Irmã Noturna,

Solitária Guerreira Das Trevas

Entre

Solitárias Guerreiras Das Trevas,

Toda lágrima que cavada é

Das Outras Covas

Presentes todas aqui

Em minha

Noturna Alma.


AVANTE,

AVANTE,

AVANTE,

AVANTE,

AVANTE,

AVANTE,

AVANTE,

VENCEDORA GUERREIRA,

VENCEDORA NAS TREVAS,

VENCEDORA NA SOLIDÃO

QUE

AVANÇA,

AVANÇA,

AVANÇA,

AVANÇA,

AVANÇA,

AVANÇA

AVANÇA!!!


Inominável Ser

COM TERNURA

PARA UMA DE SUAS

IRMÃS NOTURNAS

QUE É UMA DAS

SOLITÁRIAS GUERREIRAS

DAS TREVAS