quinta-feira, 19 de junho de 2008

O Veneno Das Ruas


Ruas,
Diferentes não são
Tuas leituras
Diante destes meus
Leitores olhos
Obrigados a percorrê-las.
Tudo sujo nas ruas,
A sujeira da alma humana
Está lançada nas calçadas,
Está encobrindo o asfalto.
O barulho dos passos
Dos cadáveres humanos
Pelas ruas
É uma marcha fúnebre
Que tortura-me
Em destrutivas horas.
Odeio as ruas,
Está tudo decadente,
Os Últimos Grandes
A pisarem nelas
Estão tão longe...
Os Primeiros Pequenos
Nelas agora caminham.
Eles são muitos,
Muitos de pequenas almas.
Os humanos
Perderam O Caminho
Da Humana Grandiosidade,
Pequenos pequeninos
Seres bípedes
Estamos eternamente
Eternizando-nos
Com estilo,
Ao vagar da moda
Da mediocridade.
Nas ruas,
Eu também sou
Um pequeno pequenino,
Sou envenenado
Pelas medíocres serpentes
De mamíferos pés
Que consideram-se
Senhoras supremas
Do mundo.
Nem infinitas lâmpadas
Nas mãos de infinitos Anjos
Iluminariam pelas ruas
Os humanos nobres
E honrados.
Nada humano é nobre.
Nada humano é honrado.
Ruas:
Floresce nelas
A natureza de toda
Inata decadência?
Respondo,
Como obscuro caminhante
Que por elas vai
Todos os dias,
Que a decadência
Permanece no meio
De todas as encruzilhadas,
É a mãe das esquinas.
Ela acaricia os transeuntes,
Absolutos decadentes!
Ela incentiva cada passo,
Sagrados decadentes!
Nas ruas,
Ruas nuas,
Todos são bêbados
Quebrando garrafas,
Cortando as peles
Com o vidro estilhaçado
Destas,
Lambendo ao solo
A bebida mais adorada!
Ruas,
Vós amais a Humanidade!
Ruas,
A Humanidade vos ama!
Ruas,
Vosso veneno é todo
Humano tempo!

Inominável Ser
ENVENENADO NAS RUAS




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