quinta-feira, 19 de junho de 2008

Percorrendo Cemitérios




Espírito meu,
Que multidão de cadáveres
É esta
Ao meu olhar
Que pensa estar viva
Enquanto vivo
Em nada pensar estar?

Espírito meu,
Cadáveres bebendo!

Espírito meu,
Cadáveres comendo!

Espírito meu,
Cadáveres fumando!

Espírito meu,
Cadáveres se picando!

Espírito meu,
Cadáveres cheirando!

Espírito meu,
Cadáveres procriando!

Espírito meu,
Cadáveres fodendo!

Espírito meu,
Cadáveres chupando!

Espírito meu,
Cadáveres de quatro!

Espírito meu,
Cadáveres nascendo!

Espírito meu,
Cadáveres crescendo!

Espírito meu,
Cadáveres envelhecendo!

Espírito meu,
Cadáveres morrendo!

Espírito meu,
Cadáveres célebres!

Espírito meu,
Cadáveres anônimos!

Espírito meu,
Cadáveres ricos!

Espírito meu,
Cadáveres pobres!

Espírito meu,
Cadáveres fortes!

Espírito meu,
Cadáveres fracos!

Espírito meu,
Cadáveres gordos!

Espírito meu,
Cadáveres magros!

Espírito meu,
Cadáveres negros!

Espírito meu,
Cadáveres brancos!

Espírito meu,
Cadáveres mestiços!

Espírito meu,
Cadáveres sábios!

Espírito meu,
Cadáveres imbecis!

Espírito meu,
Cadáveres santos!

Espírito meu,
Cadáveres prostituidos!

Espírito meu,
Cadáveres religiosos!

Espírito meu,
Cadáveres ateus!

Espírito meu,
Cadáveres estudiosos!

Espírito meu,
Cadáveres analfabetos!

Espírito meu,
Cadáveres nomeáveis!

Espírito meu,
Cadáveres inomináveis
Como eu!

Espírito meu,
Tu és mais um cadáver
Nesta multidão
De mutilados cadáveres,
Mutilados porque
Em cada cemitério
Que percorrem
Os ossos deles caem
Para serem devorados
Por cães vorazes!

Espírito meu,
Os cães vorazes
São eles mesmos!

Espírito meu,
Meus cães vorazes
Sou eu!

Espírito meu,
Sou cadáver teu!

Inominável Ser
CADÁVER DE SEU ESPÍRITO





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