sábado, 11 de outubro de 2008

Inno A Satana - Giosuè Carducci - Tradução Adaptada A Partir Da Versão Portuguesa




A te, de l’essere

Principio immenso,

Materia e spirito,

Ragione e senso


Mentre ne’ calici

Il vin scintilla

Sì come l’anima

Ne la pupilla;


Mentre sorridono

La terra e il sole

E si ricambiano

D’amor parole,


E corre un fremito

D’imene arcano

Da’ monti e palpita

Fecondo il piano;


A te disfrenasi

Il verso ardito,

Te invoco, o Satana,

Re del convito.


Via l’aspersorio,

Prete, e il tuo metro!

No, prete, Satana

Non torna in dietro!


Vedi: la ruggine

Rode a Michele

Il brando mistico,

Ed il fedele

Spennato arcangelo

Cade nel vano.


Ghiacciato è il fulmine

A Geova in mano.

Meteore pallide,

Pianeti spenti,


Piovono gli angeli

Da i firmamenti.

Ne la materia

Che mai non dorme,


Re dei i fenomeni,

Re de le forme,

Sol vive Satana.

Ei tien l’impero


Nel lampo tremulo

D’un occhio nero,

O ver che languido

Sfugga e resista,

Od acre ed umido


Pròvochi, insista.

Brilla de’ grappoli

Nel lieto sangue,

Per cui la rapida


Gioia non langue,

Che la fuggevole

Vita ristora,

Che il dolor proroga,


Che amor ne incora.

Tu spiri, o Satana,

Nel verso mio,

Se dal sen rompemi


Sfidando il dio

De’ rei pontefici,

De’ re cruenti;

E come fulmine


Scuoti le menti.

A te, Agramainio,

Adone, Astarte,

E marmi vissero


E tele e carte,

Quando le ioniche

Aure serene

Beò la Venere


Anadiomene.

A te del Libano

Fremean le piante,

De l’alma Cipride


Risorto amante:

A te ferveano

Le danze e i cori,

A te i virginei


Candidi amori,

Tra le odorifere

Palme d’Idume,

Dove biancheggiano


Le ciprie spume.

Che val se barbaro

Il nazareno

Furor de l’agapi


Dal rito osceno

Con sacra fiaccola

I templi t’arse

E i segni argolici


A terra sparse?

Te accolse profugo

Tra gli dèi lari

La plebe memore


Ne i casolari.

Quindi un femineo

Sen palpitante

Empiendo, fervido


Nume ed amante,

La strega pallida

D’eterna cura

Volgi a soccorrere


L’egra natura.

Tu a l’occhio immobile

De l’alchimista,

Tu de l’indocile


Mago a la vista,

Del chiostro torpido

Oltre i cancelli,

Riveli i fulgidi


Cieli novelli.

A la Tebaide

Te ne le cose

Fuggendo, il monaco


Triste s’ascose.

O dal tuo tramite

Alma divisa,

Benigno è Satana;


Ecco Eloisa.

In van ti maceri

Ne l’aspro sacco:

Il verso ei mormora


Di Maro e Flacco

Tra la davidica

Nenia ed il pianto;

E, forme delfiche,


A te da canto,

Rosee ne l’orrida

Compagnia nera,

Mena Licoride,


Mena Glicera.

Ma d’altre imagini

D’età più bella

Talor si popola


L’insonne cella.

Ei, da le pagine

Di Livio, ardenti

Tribuni, consoli,


Turbe frementi

Sveglia; e fantastico

D’italo orgoglio

Te spinge, o monaco,


Su ’l Campidoglio.

E voi, che il rabido

Rogo non strusse,

Voci fatidiche,


Wicleff ed Husse,

A l’aura il vigile

Grido mandate:

S’innova il secolo,


Piena è l’etate.

E già già tremano

Mitre e corone:

Dal chiostro brontola


La ribellione,

E pugna e prèdica

Sotto la stola

Di fra’ Girolamo

Savonarola...


Gittò la tonaca

Martin Lutero;

Gitta i tuoi vincoli,

Uman pensiero,


E splendi e folgora

Di fiamme cinto;

Materia, inalzati;

Satana ha vinto.


Un bello e orribile

Mostro si sferra,

Corre gli oceani,

Corre la terra:


Corusco e fumido

Come i vulcani,

I monti supera,

Divora i piani;


Sorvola i baratri;

Poi si nasconde

Per antri incogniti,

Per vie profonde;


Ed esce; e indomito

Di lido in lido

Come di turbine

Manda il suo grido,


Come di turbine

L’alito spande:

Ei passa, o popoli,

Satana il grande.


Passa benefico

Di loco in loco

Su l’infrenabile

Carro del foco.


Salute, o Satana,

O ribellione,

O forza vindice

De la ragione!


Sacri a te salgano

Gl’incensi e i voti!

Hai vinto il Geova

De i sacerdoti.





A ti, da criação
Princípio imenso
Matéria e espírito
Razão e senso


Enquanto no cálice
O vinho cintila
Como a alma
Na pupila


Enquanto sorriem
A terra e o sol em clamor
Vão trocando
Palavras de amor


E corre um arrepio
Do seu secreto abraço
Da montanha e planície
Brota vida no regaço;


A ti, desafiador
Verso ousado,
Invoco-te, Satan,
Monarca do banquete anunciado


Coloca de parte o teu hissope
Padre, e as tuas litanias!
Não, padre, Satan
Não se retira das cercanias!


Vede! A ferrugem
Corrói de Miguel
A espada mística
E o fiel


Arcanjo, depenado
Cai na vasta imensidão
Relâmpagos jazem congelados
De Jeová na sua mão


Como meteoros pálidos,
Mundos extintos num momento,
Os anjos caem
Do firmamento


Na matéria
Que nunca dorme
Rei dos fenómenos
Monarca conforme

Satan vive só.
Mantendo-se seguro
No relampejo trêmulo
De um olho escuro,


Ou cuja languidez
Foge e persiste,
Ardente e úmido
Provoca, insiste.


Que brilhe em cacho
E no sangue prazenteiro pingue,
Por quem a rápida
Alegria não se extingue,


Cuja efêmera
Vida preserva,
Que a dor prolonga
E o amor inspira e conserva


Respiras, Satan
Em versos meus
Irrompendo em mim
Um desafio ao deus


De perversos pontífices
E reis sanguinários;
Como um relâmpago tu
Chocas os seus imaginários.


Para ti Arimane,
Adonis, Astarte
Vive o mármore, a tela,
O pergaminho e a arte


Quando os jónicos arcos
De serena aura sem limite
São abençoados por Vênus
E Afrodite


Para ti do Líbano
Abana o arvoredo verdejante,
Da alma Cipriota
Ressuscitado amante:


Para ti danças e coros,
São dedicados com fervor,
A ti as virgens oferecem
O seu cândido amor,

Entre as perfumadas
Palmeiras dos Edomitas
Onde dos Cipriotas mares
A espuma fitas


Porque razão esse bárbaro
Do Nazareno
Fúria exacerbada
Do ritual obsceno


Com a sagrada tocha
Os teus templos incinera
E as tuas estátuas
Dispersa pela cratera?


Acolho-te, refugiado
No seio do lar
O povo zeloso
No seu domínio secular


Assim um feminino
Coração palpitante
Transbordante, férvido
Deus e amante,


A bruxa pálida
Do incessante questionamento
Dirige o seu socorro
À natureza em sofrimento


Tu, para o olhar fixo
Do alquimista
E para o desobediente
Mago à tua vista


Do claustro lânguido
Para além da sua portada,
Revela o brilho
De uma nova alvorada.


No deserto de Tebas
Onde em tudo tu resides
Fugindo, o monge infeliz
Se esconde dessas lides


Através da tua
Alma marcante e divisa,
Satan é benigno;
Eis Heloísa.

Flagelas-te sem propósito
No teu invólucro amargo e ácido:
Enquanto Satan te murmura versos
De Virgílio e Horácio


Por entre o lúgrebre hino
E o monocórdico lamento;
As formas divinas
São-te oferecidas em chamamento


Entre a horrível multidão negra
Um tom róseo gera,
Dado por Lycoris,
E por Glycera


Mas outras imagens
De uma época mais grandiosa
São mais apropriadas
A esta insonolenta cela preciosa


Satan, das páginas
De Lívio, conjura fervente
Tribunos, cônsules,
Multidão fremente


O perspicaz, e fantástico
Orgulho Italiano pioneiro
Empala-te, ó monge
No Capitólio altaneiro


E a vós, que a furiosa
Pira destruir não conseguisse,
Vozes fatídicas,
Huss e Wycliffe


Aos ventos o grito
De aviso envias:
Uma nova era se inicia
Completa-se a espera dos dias


E já tremem
Mitra e coroa:
Dos claustros
A rebelião ecoa,


Pregando a provocação
Sob a estola
De Girolamo
Savonarola...

Assim como Martinho Lutero
Se livrou do seu hábito
Liberta-te das tuas grilhetas
Que tolham teu pensamento,


Com Relâmpagos e trovões
Rodeado de chamas;
Matéria, ergue-te:
Satan venceu suas batalhas.


Um belo e horrível
Monstro se liberta,
Percorrendo os oceanos
Percorrendo a terra aberta:


Incandescente e fumegante
Como um vulcão à superfície,
Supera a montanha,
Devora a planície;


Sobrevoa o abismo;
Para depois se esconder do mundo
Em caverna incógnita,
Através de caminho profundo;


E regressa, indomável
De ponta a ponta
Como um furacão
O seu grito desponta,


Como um furacão
Alastra o seu sopro terrífico:
Eis que passa, ó povo,
Satan, o magnífico,


Passa benemérito
De local em local
Na sua imparável
Carruagem de fogo infernal


Saúdo-te, Satan
Rebelião,
Força vingadora
Da razão!


A ti dedico os sagrados
Votos, incenso e dotes!
Conquistas-te o Jeová
Dos sacerdotes.










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