domingo, 19 de abril de 2009

Gitana Morta


Os saltos que dou em meu ódio
Por uma maldita que...

Maldita?

Não,
Não,
Não...

Aquela criatura não merece
Ser chamada de maldita,
Não merece ser chamada
De nada...

Nos sonhos agora meus,
Sonhos cruéis,
Sonhos lindos em sua crueldade,
Eu a vejo morta,
Morta em um caixão
Abençoado pelas
Deusas Fadas Das Trevas.

Eu vejo aquela gitana morta
Em meus novos sonhos,
Morta,
No caixão belo de negra cor,
No caixão belo brilhante,
Bem lustrado
Pelos agentes funerários.

A gitana está morta,
Ela agora vai dançar
Com os seus gitanos ancestrais
Em qualquer das
Rodas Gitanas Dos Vales Da Morte.

A gitana morta
Me diverte,
Eu gosto de vê-la deitada
Em um caixão,
De vê-la em sonhos
Deitada em um caixão,
Sorrio sorrio sorrio sorrio
Com tal maravilhosa
Visão!

A gitana morta
Está muito linda assim,
Morta está mais linda,
Morta tem a pele mais macia,
Morta tem a aparência
Que eu prezo
Em todas as mortas
Que jazem em minha alma
Há milênios,
Mortas de existências passadas,
Mortas eternas.

Gitana morta,
Que delícia,
Seu rosto está tão luzidio
Assim...

Gitana morta,
Que prazer para mim
Te ver assim morta...

Gitana morta,
Sei que estou sonhando
Com a vossa morte
E mesmo que eu a deseje,
Pois eu sou o que tu me dissestes,
Um monstro,
Um ser cruel,
Mau caráter,
Maligno,
Perverso,
Me alegra vê-la
Em minha alma
Morta.

Descanse em paz
Aqui no túmulo
De minha alma de coveiro,
Gitana morta!

Te peço,
Apenas,
Que não se mexa muito,
A tampa de vosso túmulo
Pode abrir
E eu teria que fechá-la de novo
Vendo ao vosso cadáver putrefato.

Se bem que
Vosso cadáver putrefato
Também seria muito lindo
De ser apreciado,
Gitana morta...

Inominável Ser
COVEIRO DE UMA
GITANA MORTA









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