segunda-feira, 13 de abril de 2009

A Mulher Que Carrega O Crânio De Todas As Humanas Mortes


Isolado em minha Cova,

pronto para o abraço Vosso,

Deusa Morte,

Vejo uma Filha

de Vossas Sortes

carregando Aquele Crânio

que dimensiona datas.

que dimensiona caminhos,

que dimensiona locais,

para cada humana morte.

Falo das mortes possíveis,

Falo das mortes impossíveis,

Falo das mortes futuras,

Falo das mortes passadas,

Falo das mortes presentes,

A Mulher Que Carrega

Aquele Crânio

tem todas as Vossas Sortes

e os sorteios dos que

abandonam a Terra

feito sempre foi

ao olhar Daquele Crânio.


Dialogo com A Mulher

Carregando O Crânio,

quando a Vejo

sinto que ali também está,

ali nas mãos Dela,

o meu crânio

e todos os crânios

que já tive...


Eu não temo olhar

para meus crânios

porque sei que cada um

conta uma história,

histórias que são mais

de crimes e horrores

cometidos por mim

do que por atos que possam

ser dados em alta

pelas Hostes Do Cordeiro.

Em cada crânio meu,

Deusa Morte,

Vejo A Marca Do Abismo,

Vejo A Marca Do Inferno,

e isso que para muitos,

fracos imundos seres

como todos que negam

seus passados de crimes

e de horrores,

para mim reluz como

brilhante tecido

da mais sábia roupagem.


A Mulher Que Carrega

O Crânio

De Todas As

Humanas Mortes

Veste A Negra Roupagem

Da Névoa Jazente

Nas Terras Aradas

Pela Vossa Foice,

Deusa Morte.

A Mulher,

A Mulher que Vejo

Carregar Aquele Crânio,

Vem com um olhar

que submete todas

as Coisas Vivas

à Eterna Mortandade.

A Mulher

Carregando Aquele Crânio

me faz Ver que

ali Nele estão os crânios

do mais pobre

ao mais rico,

de Aníbal

e de Hipócrates,

de Maria Madalena

e de Naria Antonieta.

de Hitler

e de Gandhi,

de Bush

e de Britney,

de cada um

e cada uma

que se ampara

em uma falsa vida

que mais se aproxima

de Vós,

Deusa Morte,

a cada aproximar

de Vossa Filha

das moradas

de todos da

Humanidade.


Aquela Mulher Que Vejo

Carregando Aquele

Doce Eterno Crânio,

Deusa Morte,

ah,

como merece toda a minha

poética amorosidade

e a de todos os poetas,

de Safo

a Baudelaire!

Melhor Amá-La,

Deusa Morte,

e Àquela Mulher

e ao Crânio Que Ela

Carrega

do que se importar

com tudo que é humano

e que Vós

vai daqui carregar

fazendo apodrecer

ou

fazendo queimar.


Vejo-Te,

Deusa Morte...

Vejo-Te,

Mulher A Carregar

O Crânio De Todas

As Humanas Mortes...

Vejo-Te,

Minha Morte,

A Me Carregar

Desta Desgraça

De Fodido Mundo

Onde Não Possuo

Nem Uma Fodida Sorte!


Inominável Ser

VENDO

A MULHER

CARREGANDO

A SUA PRÓXIMA

MORTE







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