sábado, 18 de julho de 2009

Crânios E Nortes, Byron


18 de julho de 2009

não importa a hora

não importa onde estou



Espelho dissidente

marca a fronte demente

que carrega meus dentes

de leão demente.


Já tive a roupagem

de um combatente

mais selvagem

na relva ardente.


Neste hoje desgarrado

da antiga semente,

meus ossos doem,

eu sou doente.


Meu crânio pesa,

Byron,

fui bebido pelo Tempo,

fui vomitado pelo Espaço.


Meu crânio amarrado,

Byron,

fui submetido ao enxame,

fui mordido no exame.


Os crânios andantes

que vejo nas ruas,

pesadelos diurnos,

sonhos noturnos...


Nortes eu procuro,

meu Mestre Byron,

Mestre-Guia-Irmão Byron,

onde eles estão enterrados?



É isso, meu Mestre, a cova se enche de barro. É o barro consciente da essência do meu catarro, como fui cuspido, como sou cuspido, pareço estar no estômago de algum Deus que não está preparado para digerir-me. Ah, esqueço de te cumprimentar, é uma hora maldita na qual estou contigo a me comunicar! Eterna boa noite, Byron, como tu estás? Lembro-me que tu me cutucas na cova minha, está sempre sorrindo em meus ombros, eu pareço contigo nas vestes, nos cantos e nos demais assombros! Isso é uma certeza, isso é uma lembrança, nós já frequentamos as mesmas mesas lá nas terras arianas de uma antiga Índia de primitivismos e nobrezas! Acariciamos as mesmas mulheres, acariciamos os mesmos homens, eu que tenho como assinatura em meu fórum a vossa imagem, sinto-me como alma de vossa alma, espírito de vosso espírito, carne de vossa carne, somos o mesmo ou somos pai e filho? Byron, tudo leva-te a pensar que eu esteja no caminho dos nortes e eu aqueço meu crânio nesta idéia de seguir em direção a eles chamando-te de meu pai! E na silenciosa rotina dos dentes que ouço ranger e dos uivos que ouço nascer nas Esferas Noturnas, sinto vossa voz a chamar-me de filho... O mundo incompreende este nosso laço e qualquer laço entre os homens como nós... Preferimos a demência pura, as altas buscas pelas demasiadas luxúrias, as insistentes ruínas narrativas das sinfonias grotescas da realidade... Está tudo um frio, mas o Inverno não é físico, não é novo, não é antigo, nem me é conhecido algumas vezes e é-me conhecido algumas outras vezes... Inverno dentro dos meus ossos, Inverno dentro dos meus sonhos, Inverno dentro dos meus pesadelos, Inverno dentro do meu crânio... É um Inverno aqui também na pele, meu pai... Inverno a pedir por um Verão nas carnes de uma mulher... Uma grande mulher... Grande mulher... Mulher... Serpente... Serpente e mulher...



Seda mais fina,

cama mais quente,

mulher mais ardente

deitada oferecida.


Como uma canção

de Byron a tocar,

movimento-me silencioso

em direção ao leito.


No chão eu piso

em crânios que poetizam,

eu me corto e não

estanco o sangue.


Quero sangrar,

sangrar diante da mulher

que sibila no leito

onde quero estar.


Quero sangrar,

oferecer meu sangue

a tal mulher

que me chama sem parar.


Uma mulher que é

a minha santa de devoção,

uma mulher que é

a minha senhora aparecida.


Uma mulher que é

dona de macias ancas,

Uma mulher que é

dona de suculentas carnes.


Uma mulher que é

a nossa perdição

e o nosso encontro,

Byron.


No leito,

deitada,

Lilith nos recebe

poetizando entre as pernas.



Lilitu yam me gho'ar


Lilitu zaer my deh'ar


Lilitu gazu et suh'ar


Lilitu zary os sah'uo


Lilitu abak se deh'uo


Lilitu zade zo anu'uo


Lilitu amne az kal'ub


Lilitu baku uz adu'ub


Lilitu perk ay zad'ao


Lilith que nos pegou, nos alimentou, nos amamentou, nos amou. Lilith que nos pega, nos alimenta, nos amamenta, nos ama. Tu A desejas, Byron, como eu A desejo... Ela não cobra, vive aqui me inspirando, dentro da selva minha de poemas das cinzas e da lama. Compreendendo, pai, estou, à Lilith Revelada em minha cova que esfrega em minha face A Vulva. Somente ao falar Nela, meu corpo arde... E tu, pai, também arde, não? Por mais que Jayonna seja desejável; por mais que Cherokee seja desejável; por mais que Fabiana seja desejável; por mais que Viviane seja desejável; por mais que Bettie seja desejável; por mais que aquelas que tivemos sejam desejáveis, A Serpente Lilith Poetisa sempre vai estar na melhor cama que possamos Lhe dar, acima das mulheres do Antigo Tempo, dos nossos Tempos, deste Tempo e do Tempo Do Amanhã! Ela tem nossos crânios nas mãos, meu pai, os nossos crânios são Dela... Já estamos completos, pai, mas me falta sempre beber algo em um novo cemitério, em um novo poema a tragar-me e trazer-me vossa poética sombra... Pai, tu já sentistes um veneno tão poderoso quanto o de Lilith a angustiar-nos nas veias de nossos corações mais tristes? Já sentistes, pai, nossos crânios sendo arremessados contra paredes de finos espinhosos percalços impedindo-nos de alcançarmos os nortes que nos atraem, consolam e chamam como chamas vorazes? Eu sinto, pai, tanto no corpo de Lilith quanto no corpo daquela prostituta que me atraiu muito outro dia na rua, como no meu corpo dedicado ao frio de minha cova e ao vosso corpo dedicado ao frio do Vale Dos Poetas Perdidos, uma energia poderosa que me angustia e consola, protege e lança aos lupinos leões inimigos, ama e despreza, abraça e chuta, soca e beija, arrasta e deita...



um frio mortal

de um fio vital

cheio de risos finais

amantes de uma

sombra fatal

dilacerante total

da carnal cova

que sepulta toda

íntima forma



Demônio, Diaba, Deus, Deusa, Anjo, Anja, Exu, Pombagira ou apenas a minha mente inventando e reinventando O Verbo Da Cova? O que é isso, pai, o que é isso? Tu também sentes O Anjo Noturno Da Cova, que é tudo aquilo ao mesmo tempo aqui, dentro de mim, dentro de ti, dentro dos de nossa Senda... A Lira que Ele toca... A Harpa que Ele toca... Ao mesmo tempo é A Lira De Nahemah e A Harpa De Miguel, Inferno e Céu, Inferno dentro de nós, Céu dentro de nós... É A Força Noturna que bate asas em nós, meu pai, dançante, cativante, amante nossa, declarante em meu crânio do meu escavante caminho a ser seguido em direção aos meus nortes! Ele declara o mesmo em vosso crânio, não declara, meu pai? Ele declara... Ele declara... Ele declara... E agora, agora, vem a nos inspirar...



Filhos Da Noite,

Toquem Minhas Asas,

Bato Forte,

Bato Na Face Errada.


Filhos Da Noite,

Toquem Minha Face,

Bato Forte,

Bato Na Face Correta.


Filhos Da Noite,

Eu Abro A Noturna Porta,

Sou O Anão,

Sou O Gigante.


Filhos Da Noite,

Eu Abro A Noturna Serra,

Sou O Lobo,

Sou O Pastor.


Filhos Da Noite,

Nasci Na Escuridão,

Sou A Claridade,

Sou A Obscuridade.


Filhos Da Noite,

Adianto A Missão,

Sou O Guia,

Sou O Mestre.


Filhos Da Noite,

Exercito A Lição,

Sou A Noturna Sabedoria,

Sou O Crânio Da Sabedoria.


Filhos Da Noite,

Amo-Vos Na Noturna Oração,

Sou O Norte Da Sabedoria,

Sou O Crânio Da Cova.



AVEMUS ANGELUS!!!


AVEMUS ANGELUS!!!


AVEMUS ANGELUS!!!


AVEMUS ANGELUS!!!


AVEMUS ANGELUS!!!


AVEMUS ANGELUS!!!


AVEMUS ANGELUS!!!


AVEMUS ANGELUS!!!


AVEMUS ANGELUS!!!


Um pouco da dor, um pouco da angústia, um pouco da tristeza, um pouco da solidão, passou. Meu crânio está mais leve, meu pai, está mais leve... Contigo foi bom dialogar, cada palavra e verso ou verso-palavra nesta carta foi oriunda do amor de filho que tenho por ti, pai. Cantes lá muito, lá naquela taverna do Vale Dos Poetas Perdidos, o meu nome que ecoa sem cessar... E todas as noites sempre por lá te encontro para bebermos, pai, vinhos oferecidos ao Diabo em taças feitas com os crânios de todos aqueles que não encontraram os seus nortes!


Do vosso discípulo

Do vosso amigo

Do vosso filho

Inominável Ser










Reações:

0 Lamentos Finais De Cadáveres: