quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O Livro Inominável Dos Vampiros - Canto VIII


A Verdade Sobre

A Vampírica Imortalidade:

Queimem

Ossos,

Quebrem

Ossos,

Cremem

Ossos.

A Verdade Sobre

A Vampírica Imortalidade:

Queimem

Sangue,

Quebrem

Sangue,

Cremem

Sangue.

A Verdade,

Vampiros:

Para Os Mortais

A Nossa Verdade

Vale?

A Verdade,

Vampiros:

Para Os Mortais

As Garras Da

Vampírica Imortalidade

E Suas Verdades

Na Nossa

Única E Última E Primeira

Verdade

Valem?

A Verdade,

Vampiros:

Qual Dos Mortais

Merece Saber,

Agora,

Acerca Do Poder

Que Temos

Nas Solas De Nossos

Frios Pés

E Nas Palmas De Nossas

Frias Mãos?

E Os Olhos,

Nossos Frios Olhos,

Tão Inocentes,

Tão Culpados,

A Noite Nos Tem

Como Suas Crianças,

Sdim,

E Os Mortais Temem

Qualquer Um De Nós

Por Pura Ignorância

E Cegueira

De Crianças

Que Eles São

Também.

Deixais O Temor,

Mortais,

O Tremor De Nossa

Aproximação

É Bem Maior,

Nós,

Vampiros,

Somos O Gélido Vento

Do Sul

E Do Norte

Que Rodeia

O Leste

E O Oeste...

Assobiamos,

Chamando Os Fantasmas

Das Vossas Mentes...

Tragamos

O Cigarro Da Penumbra

Atraindo Coisas Indecentes...

Arrastamos

Os Cadáveres Dos Cemitérios

Até As Portas De Vossas Casas...

Ah,

Mortais,

Tremores Assim

Em Sonhos,

Os Sonhos Nos Quais

Surgimos Para Vós

Como Santos

E Como

Demônios

Da Verdadeira Realidade

Maior

Mais Do Que

Imortal!

O Que Vós Quereis,

Mortais,

Que Nós Sejamos?

O Que Não Quereis,

Mortaisd,

Que Nós Sejamos?

Nós,

Vampiros,

Desejamos A Todos

Vós,

Alimentos Nossos,

Mantenedores Nossos,

Eternizadores Nossos,

Em Vestes Materiais!

Pensem Em Nós,

Mortais,

Como Espelhos

De Vossos Lados

Animais!

Pensem Em Nós,

Mortais,

Como Semelhantes

Ao Predador Interno

De Vossos Eus

Ainda Inexplorados!

Pensem Em Nós,

Mortais,

Como Vigilantes

Dos Portais Sagrados

Da Vida E Da Morte!

Pensem Em Nós,

Mortais,

Como Guerreiros

Dos Mundos Sagrados

Dos Não-Vivos

E Dos Não-Mortos!

Pensem Em Nós,

Mortais,

Como Companheiros

Nunca Iguais A Vós

Na Jornada Cósmica

Da Existencialidade!

Pensem

Pensem

Pensem

Pensem

Pensem

Pensem

Pensem

Pensem

Pensem,

Mortais...

Façam-Nos

Ficções Reais...

Façam-Nos

Reais Ficções...

Façam-Nos

Vossas Fantasias

Secretas Indecentes,

O Beijo Na Virgem

Depravada,

O Beijo Na Prostituta

Enganada,

O Beijo No Pai

Viciado,

O Beijo Na Mãe

Renegada,

O Beijo Nos Filhos

Violentados...

Paz,

Violência,

Amor,

Ódio:

Nestas Forças

Há Eternamente

Sangue

E É O Sangue

Dos Vossos

Vícios E Virtudes

No Reino Do Que Flutua

Pelo Ar Fora De Vossas

Mortais Visões

Que Nós Saboreamos.

Pensamentos,

Mortais,

Vossos Pensamentos...

Pensamentos

Que Jamais Decifrarão

A Vampírica Verdade

Do Oculto Sangrento

Coração,

Aquele Coração

Do Qual Nós,

Vampiros,

Bebemos O Sangue

Na Estupenda Hora

Entre Todas As Horas.

Pensem Tudo

Sobre Nós,

Mortais,

Temam,

Tremam,

Não Temam,

Apenas Tremam,

Mas,

Pensem Em

Nós,

Os Vampiros,

Os Reais,

Os Ficcionais,

Os Fundamentais,

Os Primordiais,

Crianças Como Vós

No Longo Existencial

Rumo Das Coisas

Essenciais...

Pensem,

Mortais,

Sintam O Peso

Dos Nossos

Dentes Mais Do Que

Imortais...

Pensem,

Mortais,

Sintam O Odor

De Nossos Corpos

Mais Do Que

Imortais...

Pensem,

Mortais,

Sintam O Ouro

De Nossas Riquezas

Mais Do Que

Imortais...

Pensem,

Mortais,

Vampiros Vos Convocam,

Vampirosd Vos Evocam,

Vampiros Vos Invocam...

Pensem,

Mortais,

Vampiros,

Nós,

Os Vampiros,

Queremos Que Pensem

Em Nós,

No Terror

E Na Beleza

Que Somos

Em Vestes Imortais...

Pensem,

Mortais!

Queremos

Mordê-Los...

Pensem,

Mortais!

Queremos

Sugá-Los...

Pensem,

Mortais!

Queremos

Abandoná-Los...

Pensem,

Mortais!

Queremos

Abraçá-Los...

Pensem,

Mortais!

Queremos

Negá-Los...

Pensem,

Mortais!

Queremos

Acarinhá-Los...

Pensem,

Mortais!

Queremos

Amontoá-Los

Como Ossos Reais...

Pensem,

Mortais!

E Nós,

Vampiros,

Estaremos Sempre

Convosco

Convosco

Convosco

Convosco

Convosco

Convosco

Convosco

Convosco

Convosco

Lá...

Pensem,

Mortais,

E Mordam

A Imortal Maça

Lá Onde

Nós,

Vampiros,

Somos Mais Do Que

Reais.








terça-feira, 18 de agosto de 2009

O Livro Inominável Dos Vampiros - Canto VII


O Real Desperto

Corta Em Nós

As Ilusões Mortas

Nas Mortas Ilusões

E As Realidades Vivas

Das Vivas Realidades

Tornam-Se Em Nós

Alvas Mansões.

Residimos

Nas Mansões Do Real,

Assistimos Ao Fundamento

De Cada Morte

E De Cada

Vida Reais.

Morremos

Sempre.

Vivemos

Sempre.

Ressuscitamos

Sempre.

Na Cerimônia

Do Eterno Pão

E

Do Eterno Sangue

Estamos Sempre

Presentes.

Comemos

O Eterno Pão

Sempre.

Bebemos

O Eterno Sangue

Sempre.

Residimos

Nas Mansões

Realizadoras

Da Cerimônia

Eternamente.

Insistimos

Neste Residir,

Nossos Ossos Cantam

E Contam

As Magníficas Histórias

Em Eternos Livros

Secretos

Abertos

Dos Que Fundamentaram

O Nosso Orbe

De Filhos

Do Sangue Cósmico.

Se Ontem Caiu Ali

Na Beirada Da

Noturna Estrada

Próxima Ao Túmulo

Dos Antigos Mestres Nossos

Um Estampido De Fome

Que Não Foi Ainda Saciada,

Amanhã Será Plantada

A Árvore Deliciosa

Dos Reais Caminhos

Dos Vivos Empenhos

De Nossos Ossos

No Rumar Diretamente

Para Altos Cemitérios.

A Natural Força

Que Nos Inspira,

Mortais,

Vem A Ter Em Vós

A Mesma Sina

E Os Mesmos Sinais:

A Sina

Do Contínuo Evoluir

E Do Incessante Ascender

Despertantes

No Real.

Não Há Dúvidas,

Mortais,

Somos De Diferentes

Idades,

Somos De Diferentes

Origens Materiais,

Mas,

Em Espírito,

No Ventre Do Real,

Somos Iguais

Nesta Mesma

Eterna Real Verdade:

Evoluir

E

Evoluir

E

Evoluir,

Ascender

E

Ascender

E

Ascender

É A Nossa

Grande Meta

Afinal

E No Final

E No Inicial.

Rugindo Em Nós,

Vampiros,

O Real...

Ouvimos

O Rugido

Do Real...

Vociferando Em Nós,

Vampiros,

O Real...

Ouvimos

O Vociferar

Do Real...

Ruminando Em Nós,

Vampiros,

O Real...

Ouvimos

O Ruminar

Do Real...

Sussurrando Em Nós,

Vampiros,

O Real...

Ouvimos

O Sussurrar

Do Real...

Dialogando Em Nós,

Vampiros,

O Real...

Ouvimos

O Dialogar

Do Real...

Gritando Em Nós,

Vampiros,

O Real...

Ouvimos

O Gritar

Do Real...

O Real:

Eis

O Que Nos

Prende

Ao Kosmos!

O Real:

Eis

O Que Nos

Move

Pelo Kosmos!

O Real:

Eis

O Que Nos

Morde

Pelo Kosmos!

O Real:

Eis

O Que Nos

Suga

Pelo Kosmos!

O Real:

Eis

O Que Nos

Impele

Ao Kosmos!

Do Eterno Túmulo

Dos Grandiosos

Primeiros Eternos

Eremitas De Eternos Ossos,

O Real Compreende

A Roda Da Luz

Dentro De Nós

E

A Roda Das Trevas

Acima,

Dentro,

Fora

E Em Redor

De Nós.

Insinuamos Poder,

Somos Poder,

O Real Poder

Para O Eterno Sobreviver

Entre Os Véus

Espirituais E Materiais.

O Real Poder

Recebido Por Nós

Diante Da Fronte

Do Pai Maior

De Todos Nós

Semelhante

À Mãe Maior

De Todos Nós,

Mortais.

Quem Seria

Nosso Pai Maior,

Mortais,

Além Daquele

Secreto Alto Senhor

Dentro De Nós?

Quem Seria

Nossa Mãe Maior,

Mortais,

Além Daquela

Secreta Alta Senhora

Dentro De Nós?

O Real Poder

É O

Interno Pai,

O Real Poder

É A

Interna Mãe,

Oriundo Do Sangue

Dos Vencedores

E Dos Derrotados

Que Nós Fomos

Pelas Mortas Criações

Que Hoje São

Lembranças Dentro

Das Presas Temporais.

Viemos Delas,

Nós,

Vampiros,

Mortais,

Viemos Das

Mortas Criações.

Somos Os Últimos

E Os Primeiros

Sobreviventes

Da Imperfeição Cósmica

Antes Desta Perfeição

Pelo Um Adquirida

Na Realidade Que Nos

Comporta,

Suporta

E Alimenta,

Mortais.

Nossos Reais Nomes

São Frias Lápides

Inexistentes

Perdidas Temporalmente,

Extintas No

Grande Livro Temporal,

Mortais.

Nossos Reais Nomes

São Dos Imperfeitos

Tempos Do Antes

Deste Perfeito Tempo

A Nos Compor

Como Perfeitas Notas

Da Perfeita

Harmônica Orquestra

Universal,

Mortais.

Nossos Reais Nomes

Portam Os Mistérios

Do Real Poder

Que Trazemos

Imemorialmente

Em Nossas

Vestes Imortais

Jamais Corrompidas

E Sempre Em Mutação,

Mortais.

Não Revelaremos Jamais

Nossos Reais Nomes,

Mortais,

Não Há Necessidade

De Interromper

O Curso Natural,

Um Dia Vós Mesmos

Sabereis

O Que É

Verdadeiramente

Ser Imortal.

Não Se Amedrontem,

Mortais,

Vós Não Sereis

O Que Somos,

Pois Já Nascemos Assim

Por Determinação

Da Unidade

E Seremos Sempre

Assim,

Vampiros Reais,

Reais Vampiros,

Por Toda A

Existencialidade,

Por Toda A

Eternidade.

Deliciem-Se,

Mortais,

No Grande Dia Do Amanhã

Vós Sabereis

Da Verdade Toda

De Todos

Os Imortais,

Tanto Sobre A

Nossa Verdade

Como Vampiros

Quanto As Verdades

De

Outras Raças Da Criação

Igualmente

Imortais.