segunda-feira, 1 de março de 2010

O Grande Corvo Cantando Acima Do Sangrento Crânio Da Humanidade


Ouço O Antigo Canto Do Grande Corvo, há um instante de antigos sabores surgindo em meus antigos lábios. Na palavra que silenciosamente antigo trago, bebo o licor da fruta gigante que antigamente nascia da Árvore Da Humanidade que ficava soberanamente plantada aos pés de Anjos Celestes e cujo tronco avançava pelos Mundos Celestes e a copa alcançava os Pés Da Unidade.


Mas, Lilith e Samael ousaram na Árvore tocar, seduzindo os homens e as mulheres de então Antigo Tempo, Titãs e Titanides, a Abrirem Os Olhos Para O Matricial Setentrião Antes Do Correto Tempo De Abrir Os Olhos. Assim ocorrendo, A Antiga Inocência morreu junto com os Antigos Frutos e a Árvore agora está distante, ocultada que foi da Humanidade pela Celestialidade.


Um dia ou em uma noite ou em um sonho ou em um pesadelo, Vi a Deusa Morte acariciar O Grande Corvo, que cantava pousado acima de um crânio manchado de sangue. Me aproximei com as minhas etéreas vestes, fui recebido com o calor do frio mais abrasante da Senhora Dos Cemitérios, olhei para o Animal Sagrado, olhei para O Crânio e O reconheci...


Quando O Homem Inocente Morreu, Seu Cadáver Deixado Fora Por Adam-Kadmon No Vale Dos Valorosos Ossos.


Senti A Verdade pegando-me no colo e um arrepio sensibilizou-me o poético solo.


Guardo A Visão e ouço O Canto Do Grande Corvo, com Tanatos vigilante repousando A Foice ao meu colo.


Versos precisam sair, devo morrer poetizando uma vez mais, ouvindo O Grande Corvo Cantante pousado sobre um crânio, O Crânio Do Homem Inocente, Homem que dá saudades aos homens e mulheres de Antigas Idades...


Eu, Dele, tenho saudades...



Longe vai indo

a nota soando

no sangue escorrendo

do Crânio.


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


Entro na Porta

que leva a um

profundo cemitério

dentro dos seres humanos.


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


Medito mentindo

para mim mesmo,

não quero afirmar

que sou mui pequeno.


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


Humilho-me pedindo

ao Grande Silêncio

A Chave para poder sair

deste Caos tremendo.


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


Fito O Crânio,

de uma beleza que

mais me angustia

em meu próprio crânio.


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


Fito aquele sangue

escorrendo,

fecho os olhos,

estou temendo...


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


Abro os olhos,

as asas do

Grande Corvo Cantante

por mim batem.


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


Arrepio-me em transe,

estou alcançando

uma Maldita Visão,

uma Sagrada Invasão.


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


Uma Voz adquire

forma enquanto

O Grande Corvo

continua Cantando.


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


De onde vem A Voz?

Por que ouço A Voz?

Quem me dá A Voz?

Qual é A Voz?


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


Não é A Voz

Do Grande Corvo,

nem A Voz

Da Deusa Morte...


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


Não é A Voz

de Anjos Celestes,

nem A Voz

de Lilith ou de Samael...


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


Não é A Voz

de Adam-Kadmon,

nem A Voz

Da Unidade...


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


Olho para O Crânio

e para o sangue

que escorre mais forte

Dele...


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


O Crânio está

comigo falando,

o sangue está

comigo falando...


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


Uma rubra rosa nasce

da Voz Do Crânio

E Do Sangue

Do Homem Inocente...


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


Ofereço a todos vós,

surdos humanos

para O Grande Corvo Cantante,

a rubra rosa.


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


Ofereço a mim mesmo

a rubra rosa,

A Rubra Rosa Para

A Humanidade Morta.


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


O Crânio E O Sangue

são os nossos,

O Vale Dos Valorosos Ossos

são os nossos Interiores Vales.


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


A Canção Do Grande Corvo

é para todos nós,

Eternos Culpados Pela

Morte Da Inocência Em Nós.


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


Ouço

O Corvo Cantar,

Ouço

O Grande Corvo Cantar...


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.


Ouçam

O Corvo Cantar,

Ouçam

O Grande Corvo Cantar...


O Corvo

Cantando,

O Grande Corvo

Cantando.



Eterna Sinfonia Para O Nosso Eterno Funeral.


O Funeral Do Homem Culpado Cujo Crânio E Sangue Mancham Os Terrestres Vales Beijados Pelo Erro E Pela Decadente Cadência De Fúnebres Cantos Diários Pelo Grande Corvo, Em Penas De Carrasco, Também Entoados.


Inominável Ser

EM VESTE

DE CULPADO

OUVINDO

O GRANDE CORVO

CANTANDO








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