quinta-feira, 1 de abril de 2010

Desgraçadamente Solitário Nas Sombras De Minha Desgraçada Cova


Desgraçado solitário:

isto sou eu.


Desgraçado solitário:

isto sempre serei.


Desgraçado solitário:

isto sempre fui.


Desgraçado solitário,

sou,

fui,

serei,

na eternidade deste

escavante detrito

que é o meu

humano caminhar,

na efemeridade

de tudo que

me cerca,

nas derrotas que

toldam

minha marcha

rumo ao

cemitério...


Desgraçado solitário,

sem amigos

aqui,

lá,

ali,

porra nenhuma

de Espíritos

agradáveis,

apenas merdas

que sempre

me atrapalharam,

desgraçados Órixas

miseráveis,

desgraçados Exus

miseráveis,

desgraçadas Pombagiras

miseráveis,

desgraçados Guias De Luz

miseráveis,

desgraçados Arcanjos

miseráveis,

desgraçados Anjos

miseráveis,

desgraçado

Mentor Espiritual,

se é que eu tenho

algum Mentor...


Desgraçado solitário,

sem Deus,

se é que Deus

está a ouvir-me

quando oro,

se é que tenho

a atenção

Dele,

se é que tenho

o carinho

Dele,

mas,

foda-se,

caralho,

Deus é mais um

desgraçado miserável,

não me importo

mais,

tenho que vomitar,

tenho que corajoso

vomitar

tudo aqui,

através de mim,

através do Espírito

que sou,

através do

Espírito solitário

que eu sou...


Desgraçado solitário,

minha Deusa Solidão,

A Senhora,

aqui nas sombras,

nas Sombras,

me vigiando,

me ensinando,

me fazendo ciente

de que

cada dúvida

tem um fundamento

e eu já

não mais

aguento...


Desgraçado solitário,

Deusa Solidão,

minha amada

Deusa Solidão,

meu pau

é uma solidão,

meu cu

é uma solidão,

meus lábios

são solidões,

meus olhos

são solidões,

meu coração

é uma solidão

toda escancarada,

ah,

porra,

um enfarto agora

me faria muito

bem...


Desgraçado solitário,

Deusa Solidão,

A Senhora assim

me fitando,

eu assim gozando,

sendo um homem

de verdade,

pelo menos

em versos,

Contigo,

sem brochar,

sem ficar cansado,

sem a dúvida

de não

satisfazer-Lhe

com tudo que há

de mais solitário

em mim

tão fracassado...


Desgraçado solitário,

Deusa Solidão,

nesta madrugada

meu ódio retorno,

nesta doce solitária

madrugada

minha revolta retorna,

os Terrores Noturnos

me encobrem,

os Terrores Diurnos

me atacam,

não tenho,

no entanto,

mais medo,

e se houver

algum filho-da-puta

que esteja comigo

insatisfeito,

seja nas Trevas,

seja nas Luzes

ou lá na casa

de um caralho

qualquer de

iniciática senda,

foda-se,

enfiem as suas

insatisfações

no cu de Deus.


Desgraçado Solitário,

Deusa Solidão,

mas,

não vencido

e nem escravo,

pois,

como Henley,

sou o senhor

do meu

solitário destino,

sou o capitão

do Espírito

que eu sou,

e o trovão pode

soar,

a tempestade pode

cair,

todos podem de mim

se afastar,

no entanto,

meus passos estão

em meu Ser

e isto nem mesmo

a minha saída afinal

deste mundo

de punhaladas

em minha jugular

pode me tirar.


Desgraçado solitário,

Deusa Solidão,

e bem,

agora,

em Vossos braços

de amante única

que compreende

esta minha

mui intensa

emoção

na mais solitária

de todas as

solitárias solidões...


Inominável Ser

EM TODA SUA

DESGRAÇADA

SOLIDÃO









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