terça-feira, 20 de abril de 2010

O Espírito Que Encontrei No Cemitério Das Atormentadas Almas




A meia-noite ainda

não passou

e me julgo pronto

para narrar

em versos sem

desenganos

aquele encontro

que tive

em uma maldita data

perdida em minha

imortal memória

com um Espírito

no Cemitério Das

Atormentadas Almas.

Como sempre,

a minha tristeza

grandiosa era,

a minha angústia

augusta era,

a minha solidão

assassinante era.

Tristes passos,

angustiantes passos,

solitários passos,

como os meus,

eu ouvia naquele

Sagrado Cemitério,

onde anjos de mármore

e Anjos Noturnos

Da Celestialidade

consolavam os corações

dos mais chorosos.

Aquele Espírito

me avistou,

eu estava diante

de muitas lágrimas

que caiam do

Senhor Noturno

Da Dor,

um Ancião Da Eternidade

empunhando nas mãos

os crânios das dolorosas

passagens e transformações

das Idades.

Meus olhos voltaram-se

para aquele Espírito,

que diante de uma estátua,

a de um anjo

empunhando uma harpa,

parou,

admirado que estava

com a mística beleza

da obra construída

pelo Escultor Das Horas

Silenciosas.

Tristes passos,

angustiantes passos,

solitários passos,

me aproximei daquele

Espírito,

um mulher de pálida

pele,

a pouca pele que

ainda tinha,

e ossos à mostra

nas mãos que

ergueram-se

em minha direção.

Toquei nas mãos

daquele Espírito

e me rendi às visões

de tempos mais singelos,

tempos nos quais

cemitérios nem eram

pensados pelos

residentes em um

dourado mundo.

Voavam as visões,

acabava o tumulto,

acabava o imundo gosto

de secura

e a imunda noção

da feiúra

dos mundos todos inseridos

nesta Idade De Lata.

Tudo de decadente

acabava,

apenas havia as visões,

as visões que aquele

abençoadíssimo Espírito

me proporcionava!

Visões de mil

risos!

Visões de mil

alegrias!

Visões de mil

festas!

Visões de mil

fantasias!

Visões de mil

amores!

Visões de mil

felicidades!

Visões de infinitas

perfeições realizadas!

Visões

que não queriam

terminar!

Visões

que não queriam

me deixar!

Visões

que não queriam

me acalentar!

Soltei a mão

daquele Espírito,

não queria saber

de

perfeições realizadas,

felicidades,

amores,

fantasias,

festas,

alegrias

e risos!

Soltei a mão

daquele Espírito,

me afastei afobado

daquele Espírito,

sai apressado

daquele Cemitério!

E fui para meu

enterro

no primeiro cemitério

que foi em Barcelona

construido,

eu estava muito bem

vestido,

fui um homem rico,

e perdi tudo

em uma meia-noite

na qual ousei matar

e depois estuprar

aquele Espírito,

uma mulher que

me apavorou

até minha ida

à cova,

uma mulher que

me perdoou

e que eu não

perdoava.

Reneguei a redenção

e agora aqui estou,

reencarnado mais

uma vez,

tristes passos,

angustiantes passos,

solitários passos,

ainda...

E aquele Espírito

ainda atrás de mim,

querendo que eu

me redima...

Mas,

não quero me redimir,

prefiro a perdição

do que a condenação

a qualquer paraíso

que é

mais cemitério

onde vontades extinguem-se

do que

O Cemitério Das

Atormentadas Almas

nas quais as vontades

encontram abrigo

fugindo daquele

Espírito!

Espírito que

todas aquelas

Almas

mataram

e depois estupraram,

Espírito chamado de

A Divina Consciência

Da Salvação!

Aquelas Almas

e eu

preferimos encontrar,

de Existência

em Existência,

a nossa própria

Salvação!


Pare de me dizer para

acompanhá-la,

Espírito Da Salvação,

perdido estou,

perdido quero ficar,

e até que eu

cumpra todos os meus

tristes passos,

angustiantes passos,

solitários passos,

tenho que aqui

na Terra

mais me condenar!


Pare de me seguir,

Espírito Da Salvação,

e retorne para

o Seu Deus,

ao qual irei

Retornar

quando em

minha última cova

eu me encontrar!


Inominável Ser

ESPÍRITO QUE AINDA

NÃO QUER

A SALVAÇÃO








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