terça-feira, 24 de agosto de 2010

O Inimigo Olhando Para A Minha Face...


Com uma certeza

escavando a terra

sob os escombros

desta minh'alma

desterrada


de algum império

todo cheio

de louvadas coisas

próximas do que se pode

de divino chamar


sinto

A Presença

do

Inimigo

meu maior...


O Inimigo...


me espreitando...


O Inimigo...


me sufocando...


O Inimigo...


me desesperando...


O Inimigo...


me perturbando...


O Inimigo...


me enlouquecendo...


O Inimigo...


me estrangulando...


O Inimigo...


ei-lo aqui

em pé

à minha esquerda

gargalhando no silêncio

de minha cova


uma cova cheia

de sangue

e solidões

retumbantes em

infindas lágrimas


inundando-me o coração

ferido e cheio

de pregos

que eu mesmo

pus


O Inimigo...


bem forte...


O Inimigo...


bem poderoso...


O Inimigo...


de tocaia...


O Inimigo...


à frente...


O Inimigo...


à esquerda...


O Inimigo...


à direita...


O Inimigo...


atrás...


e eu sozinho

nesta guerra

e querendo oferecer

o meu pescoço

para a lâmina...


querendo oferecer-te...


Inimigo...


o meu pescoço...


Inimigo...


mas

ainda não está

na hora

de nosso último

acerto de contas...


Inimigo...


tenho ainda

outros Inimigos

a serem vencidos

dentro de muitos

tumulares anos...


Inimigo...


estou muito

cansado

estou muito

sozinho

muito vencido...


Inimigo...


não confio mais

em ninguém

não confio mais

em nada

nada me agrada...


Inimigo...


e ver o seu nome

escrito

na parede de meu

quarto

é um terrível martírio...


Inimigo...


Meu Inimigo...


O Inimigo...


Meu Maior Inimigo..


Tu

me obrigas

a ajoelhar-me

diante de

ti...


Tu

me cercas

com mentiras

diante de

ti...


Não sou

vosso filho

tu não

és meu pai

não tenho pai...


Tu és meu

Inimigo

Meu Maior

Inimigo

pai...


E não vou

abaixar

a minha cabeça

para

ti...


Mesmo que

tu queiras

arrancar sempre

esta minha cabeça

aqui...


Inimigo...


Meu Inimigo...


Meu Maior Inimigo...


O Inimigo...


Inominável Ser

INIMIGO

DAQUELE

QUE SE DIZ

SEU PAI







segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Byroniana Reflexão De Um Cadáver


Mais do que presente em remota atitude de encontro com minha verdade, Byron, submeto-me ao julgamento do Tempo. O Tempo: amigo e inimigo meus ao mesmo tempo. O Tempo: latitude e longitude minhas ao mesmo tempo. O Tempo: início e fim meus ao mesmo tempo. O Tempo: esperança e desesperança minhas ao mesmo tempo. O Tempo: orgulho e vergonha minhas ao mesmo tempo. O Tempo: satisfação e insatisfação minhas ao mesmo tempo. O Tempo: loucura e sanidade minhas ao mesmo tempo. O Tempo: música e ruído meus ao mesmo tempo. O Tempo: coração e pulmões meus ao mesmo tempo. O Tempo: mente e olhos meus ao mesmo tempo. O Tempo: mensagens e silêncio meus ao mesmo tempo. O Tempo: Deus e Diabo meus ao mesmo tempo. O Tempo: Luz e Trevas minhas ao mesmo tempo. O Tempo: poesia e retórica minhas ao mesmo tempo. O Tempo: filosofia e mutismo meus ao mesmo tempo. Há coisas que correm entre meus dentes... Há rancores que roem meus lábios... Há um ódio silenciosamente abarcado em meu coração quebrado... Nas mais plenas filosofias de dores e lamentações eu toco, sem encontrar a solução definitiva para a minha falta de gosto pelo humanamente viver... Spinoza me chama, mas A Substância parece, realmente, muito distante da minha mesa de refeições... Escuridão está mais perta e é desta Escuridão que amarro meus ossos ao túmulo das minhas dores! Queria agora as quentes ancas de uma mulher e estar dentro dela até gozar, suspirando de prazer e gritando de amor! No entanto, como estou? Neste exato instante, Byron, refletindo, refletindo, refletindo... O vinho acabou, os rituais estão selados... As velas acabaram, o fogo não acendo mais... E eu te encontro, Byron, sete horas... E eu me encaro, Byron, em teu rosto, em teus olhos, em teus lábios... Dança, coração... Chama, coração... Clama, coração...




Eu sou Byron,

eu reflito

como Byron...


Byron,

a cabeça treme,

dentro deste crânio meu

ressoam estampidos

de uma guerra entre

o breu tempestuoso

das feras internas

e o fel primitivo

das esferas devorantes

da minha essência,

o violento lobo

me persegue,

a destrutiva leoa

me morde,

a insinuante serpente

me pica,

a danosa pantera

rasga-me as

internas vestes,

Lilith sorri sentada

sobre a minha carcaça...


Eu sou Byron,

eu reflito

como Byron...


Byron,

Belzebuth me chama,

Moloch me quer,

Belial me ameaça,

Eligos me perturba,

Vassago me acompanha,

Fênix me inspira,

Maormer me protege,

como estou desesperado

e mui enlouquecido

ouvindo essas vozes

nesta minha devastada

cadavérica alma de lama,

eu penso nisso a toda

maldita cadavérica hora,

eu penso nisso nas horas

mais cadavéricas que

me expõem ao ridículo

da minha inglória

refulgente na mais fétida

fossa...


Eu sou Byron,

eu reflito

como Byron...


Byron,

há mais vozes chamando-me,

mais vozes ali

naquele canto escuro

daquela rua,

entre os esqueletos

que vejo sorridentes e felizes

quando estou me arrastando

pelas ruas,

há uma menina de olhos vermelhos

e com estacas nas mãos

me aguardando passar

perto de um pântano

que eu não sei

onde está,

Ela se chama Babalon

e quer me libertar...


Eu sou Byron,

eu reflito

como Byron...


Byron,

há covas me recebendo,

há covas me amando,

há covas me bajulando,

Seu Caveira tem para mim

a receita de um remédio

bem melhor do que ficar

me angustiando suicida,

é o remédio que consiste

em enfiar esta minha

maldita cabeça

na cova mais funda

de um cemitério armado

apenas para mim

dentro desta minha mente

perturbada e suja,

com cada parte

do meu maldito crânio

sussurrando toda palavra

perturbada e suja...


Eu sou Byron,

eu reflito

como Byron...


Byron,

sou um demente,

sou o mais demente,

um cadáver refletindo

sobre seus pesadelos

e perseguidores,

que,

no entanto,

são mais meus amigos

e companheiros

do que os cadáveres

que conheci até hoje,

já que mostram-me a verdade

da minha face parecida

com a de um corpo a decompor-se

abaixo da terra:

Sou O Escombro Da Terra,

Sou O Restolho Da Chama,

Sou O Fim Da Glória,

Sou O Início Da Desgraça,

Me Chamo Inominável,

Me Chamo Ser,

Mas Sou O Nada!


Eu sou Byron,

eu reflito

como Byron...


Byron,

como somos parecidos

mesmo,

tu és meu irmão,

tu és meu mestre,

tu és meu pai,

Darkness é a nossa

conjunção estelar,

crânios cheios de vinho são

o nosso jantar,

mulheres cheias de carnes

são o nosso bem-estar,

pesadelos todos das

demoníacas e vampíricas

paragens de nossas mentes

são o nosso

Eterno Mal-Estar!


Eu sou Byron,

eu reflito

e existo

reencarnado

como Byron...


E quero saber se,

byroneanamente,

tu também refletes

acerca do vosso

incessante caminhar

como cadáver...


Eu sou Byron,

eu reflito

como Byron,

cadavericamente

reflito,

e tu pensas

que verdadeiramente

estais a viver

sem assombros

e sem diariamente

morrer?


Eu sou Byron,

eu reflito

como Byron...


Ó,

BYRON!!!


Ó,

BYRON!!!


Ó,

BYRON!!!


Ó,

BYRON!!!


Ó,

BYRON!!!


Ó,

BYRON!!!


Ó,

BYRON!!!


Ó,

BYRON!!!


Ó,

BYRON!!!



Reflete, coração... Reflete coração... Reflete, coração... Reflete, coração... Reflete, coração... Reflete, coração... Reflete, coração... Reflete, coração... Reflete, coração...


Inominável Ser

BYRONIANO

REFLEXIVO








segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A Única Certeza Absoluta Inescapável E Implacável De Fabiana


Fabiana,

sutil corpo saboroso,

corpo mil vezes lambido

por mil línguas

saborosas

e ásperas,

reduto feminil

de mil encantos,

esplendoroso monte

de carne fumegante

em safados contos.


Madame de seios rijos,

de bicos róseos lindos,

de curvas corporais

beirando o

transcendente existencial,

curvas percorridas

pelas mãos

de amantes colossais

cujos paus

penetraram-lhe na

sedosa vagina

e no cu apertadinho,

quente

e amigo.


Fabiana,

prostituta

de luxo

da Barra da Tijuca,

riquinha nascida

na mansão mais

bela,

vadia carioca

de pernas vinte

e quatro horas

abertas,

tem uma certeza,

a única certeza

inescapável

em seus

vinte e dois

anos de putaria.


Diante de espelhos,

ela admira seus seios...


Diante de espelhos,

ela admira seus cabelos...


Diante de espelhos,

ela admira seus olhos...


Diante de espelhos,

ela admira seus lábios...


Diante de espelhos,

ela admira seu colo...


Diante de espelhos,

ela admira suas costas...


Diante de espelhos,

ela admira sua cintura...


Diante de espelhos,

ela admira seu abdômen...


Diante de espelhos,

ela admira seus quadris...


Diante de espelhos,

ela fica de quatro,

afasta as nádegas

e admira o olho

do cu...


Diante de espelhos,

ela fica de quatro,

abre as pernas

e a buceta,

admirando a carne toda

desta

bem lá dentro...


Diante de espelhos,

ela estica as pernas,

em pé,

para a frente,

admirando as coxas...


Diante de espelhos,

ela levanta as pernas,

deitada,

admirando as panturilhas...


Diante de espelhos,

ela levanta os pés,

deitada,

admirando-os...


Fabiana,

erguendo-se,

se aproxima de um

espelho,

fixa bem o olhar

de ambiciosa

vagabunda luxuosa

e vê

O Implacável Inimigo

que fará de seu corpo

um voluptuoso

amante de mais de

mil vermes

sete palmos

abaixo da terra:

O Tempo.


Fabiana,

a prostituta,

a vagabunda,

a rameira,

a vadia,

da Barra da Tijuca,

vai ser uma das

mais procuradas,

dentro do

Implacável Futuro,

pelos vermes

do cemitério

São João Batista.


Este é

O

Inescapável Destino,

O

Implacável Destino,

de toda gostosa

rebolativa popozuda

que sempre vemos

pelas ruas.


Inominável Ser

GOSTOSO

FADADO AO

MESMO

INESCAPÁVEL

IMPLACÁVEL

DESTINO