segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Byroniana Reflexão De Um Cadáver


Mais do que presente em remota atitude de encontro com minha verdade, Byron, submeto-me ao julgamento do Tempo. O Tempo: amigo e inimigo meus ao mesmo tempo. O Tempo: latitude e longitude minhas ao mesmo tempo. O Tempo: início e fim meus ao mesmo tempo. O Tempo: esperança e desesperança minhas ao mesmo tempo. O Tempo: orgulho e vergonha minhas ao mesmo tempo. O Tempo: satisfação e insatisfação minhas ao mesmo tempo. O Tempo: loucura e sanidade minhas ao mesmo tempo. O Tempo: música e ruído meus ao mesmo tempo. O Tempo: coração e pulmões meus ao mesmo tempo. O Tempo: mente e olhos meus ao mesmo tempo. O Tempo: mensagens e silêncio meus ao mesmo tempo. O Tempo: Deus e Diabo meus ao mesmo tempo. O Tempo: Luz e Trevas minhas ao mesmo tempo. O Tempo: poesia e retórica minhas ao mesmo tempo. O Tempo: filosofia e mutismo meus ao mesmo tempo. Há coisas que correm entre meus dentes... Há rancores que roem meus lábios... Há um ódio silenciosamente abarcado em meu coração quebrado... Nas mais plenas filosofias de dores e lamentações eu toco, sem encontrar a solução definitiva para a minha falta de gosto pelo humanamente viver... Spinoza me chama, mas A Substância parece, realmente, muito distante da minha mesa de refeições... Escuridão está mais perta e é desta Escuridão que amarro meus ossos ao túmulo das minhas dores! Queria agora as quentes ancas de uma mulher e estar dentro dela até gozar, suspirando de prazer e gritando de amor! No entanto, como estou? Neste exato instante, Byron, refletindo, refletindo, refletindo... O vinho acabou, os rituais estão selados... As velas acabaram, o fogo não acendo mais... E eu te encontro, Byron, sete horas... E eu me encaro, Byron, em teu rosto, em teus olhos, em teus lábios... Dança, coração... Chama, coração... Clama, coração...




Eu sou Byron,

eu reflito

como Byron...


Byron,

a cabeça treme,

dentro deste crânio meu

ressoam estampidos

de uma guerra entre

o breu tempestuoso

das feras internas

e o fel primitivo

das esferas devorantes

da minha essência,

o violento lobo

me persegue,

a destrutiva leoa

me morde,

a insinuante serpente

me pica,

a danosa pantera

rasga-me as

internas vestes,

Lilith sorri sentada

sobre a minha carcaça...


Eu sou Byron,

eu reflito

como Byron...


Byron,

Belzebuth me chama,

Moloch me quer,

Belial me ameaça,

Eligos me perturba,

Vassago me acompanha,

Fênix me inspira,

Maormer me protege,

como estou desesperado

e mui enlouquecido

ouvindo essas vozes

nesta minha devastada

cadavérica alma de lama,

eu penso nisso a toda

maldita cadavérica hora,

eu penso nisso nas horas

mais cadavéricas que

me expõem ao ridículo

da minha inglória

refulgente na mais fétida

fossa...


Eu sou Byron,

eu reflito

como Byron...


Byron,

há mais vozes chamando-me,

mais vozes ali

naquele canto escuro

daquela rua,

entre os esqueletos

que vejo sorridentes e felizes

quando estou me arrastando

pelas ruas,

há uma menina de olhos vermelhos

e com estacas nas mãos

me aguardando passar

perto de um pântano

que eu não sei

onde está,

Ela se chama Babalon

e quer me libertar...


Eu sou Byron,

eu reflito

como Byron...


Byron,

há covas me recebendo,

há covas me amando,

há covas me bajulando,

Seu Caveira tem para mim

a receita de um remédio

bem melhor do que ficar

me angustiando suicida,

é o remédio que consiste

em enfiar esta minha

maldita cabeça

na cova mais funda

de um cemitério armado

apenas para mim

dentro desta minha mente

perturbada e suja,

com cada parte

do meu maldito crânio

sussurrando toda palavra

perturbada e suja...


Eu sou Byron,

eu reflito

como Byron...


Byron,

sou um demente,

sou o mais demente,

um cadáver refletindo

sobre seus pesadelos

e perseguidores,

que,

no entanto,

são mais meus amigos

e companheiros

do que os cadáveres

que conheci até hoje,

já que mostram-me a verdade

da minha face parecida

com a de um corpo a decompor-se

abaixo da terra:

Sou O Escombro Da Terra,

Sou O Restolho Da Chama,

Sou O Fim Da Glória,

Sou O Início Da Desgraça,

Me Chamo Inominável,

Me Chamo Ser,

Mas Sou O Nada!


Eu sou Byron,

eu reflito

como Byron...


Byron,

como somos parecidos

mesmo,

tu és meu irmão,

tu és meu mestre,

tu és meu pai,

Darkness é a nossa

conjunção estelar,

crânios cheios de vinho são

o nosso jantar,

mulheres cheias de carnes

são o nosso bem-estar,

pesadelos todos das

demoníacas e vampíricas

paragens de nossas mentes

são o nosso

Eterno Mal-Estar!


Eu sou Byron,

eu reflito

e existo

reencarnado

como Byron...


E quero saber se,

byroneanamente,

tu também refletes

acerca do vosso

incessante caminhar

como cadáver...


Eu sou Byron,

eu reflito

como Byron,

cadavericamente

reflito,

e tu pensas

que verdadeiramente

estais a viver

sem assombros

e sem diariamente

morrer?


Eu sou Byron,

eu reflito

como Byron...


Ó,

BYRON!!!


Ó,

BYRON!!!


Ó,

BYRON!!!


Ó,

BYRON!!!


Ó,

BYRON!!!


Ó,

BYRON!!!


Ó,

BYRON!!!


Ó,

BYRON!!!


Ó,

BYRON!!!



Reflete, coração... Reflete coração... Reflete, coração... Reflete, coração... Reflete, coração... Reflete, coração... Reflete, coração... Reflete, coração... Reflete, coração...


Inominável Ser

BYRONIANO

REFLEXIVO








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