segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Amores Noturnos Inomináveis - Os Amores Convocam - Rubra Sala De Ossos Distante De Todo Fim Humano


O rubro batom Dela

Que é uma das Damas Reais Do Cemitério Noturno

Das Flores Que Se Suicidam

Não esconde a cadavérica mansão de imensidões

De peças de caixões quebrados que dançam

Ao lado dos osso de traficantes enforcados

E presidentes da república empalados


Batom rubro não se esconde

Batom rubro nada esconde

Batom rubro fecha tampa

Batom rubro fecha toda tampa

De túmulos rasgantes que se ajeitam

Entre as multidões de desastres

Da Humanidade


Eu A encontrei em cemitério muito próximo

Cemitério de um Salão Rubro Inominável

Entre Umbrais De Ossos Acumulados

Da minha Cova

No Cemitério Do Sangue Que Chora

E me aliviei com os seus beijos

Mais gélidos do que o frio de todos

Os campos gélidos fatais

Dos Reinos Espirituais Da Deusa Morte


Ela toda se entregou a beijar-me

E eu morria a cada beijo que me resgatava

Da podre presença na carne

E escorria entre meus estranhos

Pensamentos no Éter

A visão do meu corpo de carne

Em um caixão de verdade

Pronto para adentrar em um bendito

Forno crematório


Ela me beijava inteiramente ardente

E eu me via incinerado no forno crematório

Sentia cada chama me envolvendo

Na Noite Do Fogo Final

E recebendo o calor das chamas com amor

Porque eu amo o fogo

E amo ainda ainda mais o fogo

Que carbonizará

A porra miserável dos meus

Ossos mortais


Que beijos os Dela

Que beijos de Dama Cadavérica

Que beijos assustadoramente apaixonados

Eu dancei com ossos

Beijando-A

Eu coroei-me com coroa de ossos

Beijando-A

Eu sentei sobre ossos

Beijando-A

Eu deitei sobre ossos

Beijando-A


Beijando-A

Morri na Grande Noite

Beijando-A

Nasci morto mil vezes na Grande Noite

Beijando-A

Nasci morto mil e uma vezes na Grande Noite

Beijando-A

Eu fui A Grande Noite


Beijava-me muito Ela

Beijava-me muito

Apenas beijos

Apenas beijos apaixonados

Beijos diante das caveiras empilhadas

Caveiras de infindáveis milênios de idade

Formando A Infinita Caveira Da Humanidade

A Caveira que vejo em todos

Os rostos humanos

Que tanto odeia com nojo e com asco

Os rostos humanos

Que tanto me dão ânsia de vômito


Beijava-me Ela assim

E as multidões de ossos se mexiam

Se mexiam invejando-me

Por eu estar sendo beijado

Por uma Entidade Inominável

Em forma humana

Humana forma

Mas inominavelmente

Forma maravilhosa


Beijos Dela

Beijos Dela Inominável

Beijos Dela

E a Humanidade minha se afastou

Eu me tornei Cadavérico

Cadavérico Cavaleiro Inominável

Das Trevas Inomináveis

Sacudindo meus nobres ossos libertos

Da inutilidade toda da

Desgraçada porra da carne


Beijou-me

Beijou-me Ela

Beijou-me Ela com Amor Inominável

E em questão de segundos

Fui me tornando seu Eterno Amado Inominável

Um entre poucos

Um pouco de muitos outros

Que aceitam os beijos amorosos

De uma Entidade Inominável


Beijos Dela

Beijos Dela Inominavelmente

Beijos Dela

Afastaram-me deste esterco humano

Por horas fora

Da Hora Da Criação

Horas fora

Do Continuum Espaço-Temporal

Horas que foram milagrosas

Milagrosas Horas Trevosas

Nas quais eu pude ser

Um Verdadeiro Cadáver

Nas quais eu pude enfim

Por outro lado mais amável

Verdadeiramente Viver

Ao invés deste falso ser vivo

Que na carne

Eu para os demais deste mundo

Sou


Ela toda hora me

Beija


Ela toda noite me

Beija


Ela e seu batom rubro

Estão sempre na Cova


Beijos agora Dela


Beijos aqui agora Dela


Quereis ser beijado por Ela

Homem que se acha vivo?


Quereis ser beijada por Ela

Mulher que se acha viva?


Inominável Ser

BEIJADO POR UMA

DAMA REAL

DO CEMITÉRIO NOTURNO

DAS FLORES QUE SE SUICIDAM







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