segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Amores Noturnos Inomináveis - Os Amores Convocam - O Algo Que Invocamos


Entre as muitas Estranhas Sombras

Das Sombras Terrestres Ocultas,

Ela ergue o olhar,

Ela ergue as mãos,

Ela recita no Silêncio Das Horas Noturnas

Uma Oculta Invocação,

Invocação direcionada ao Alto.


Eu Sei o que Ela está

A Invocar,

Eu Sei porque também

O Invoco.


O Algo que Invocamos

Não é um Deus que permite

Que fogueiras sejam acesas

Para que vivos os caminhantes

Nesta Terra

Sejam queimados.


O Algo que Invocamos

Não é um Deus que arrasa povos

Apenas pela busca ilusória

De uma falsa Terra Prometida

Nesta Terra

Onde promessas são a toda hora

Derretidas diante do calor

Da violência existencial insana dos desumanos

Que hoje habitam-na.


O Algo que Invocamos

Não é um Deus que demanda a execução

De estúpidas guerras santas

E nem pede que se morra

Em prol de uma palavra

Ou em prol de idéia

Que é apenas matéria que será

Pó diante do Alvorecer

Do Pensamento Mutável De Todas As Coisas.


O Algo que Invocamos

Não é um Deus que nos pede

Que O amemos.


O Algo que Invocamos

Não é um Deus que nos pede

Que O adoremos.


O Algo que Invocamos

Não é um Deus que nos pede

Que sejamos bons.


O Algo que Invocamos

Não é um Deus que nos condena

Por atos errôneos.


O Algo que Invocamos

Não é um Deus que nos pune

Caso aos olhos dos demais

Sejamos considerados maus.


O Algo que Invocamos

Não é um Deus bom.


O Algo que Invocamos

Não é um Deus mau.


O Algo que Invocamos

Não é um Deus fiel.


O Algo que Invocamos

Não é um Deus infiel.


O Algo que Invocamos

Não é um Deus Único

Fruto da mentira humana

De crer apenas

Em Algo Único.


O Algo que Invocamos

Não é um Deus.


O Algo que Invocamos

Não é o fantasma que denominam

Deus.


O Algo que Invocamos

É O Algo Que Invocamos.


O Algo que Invocamos

Do Alto

É O Algo Que Invocamos.


Sem Nomes,

Sem Palavras,

Apenas No Silêncio Das Horas Noturnas

Onde As Palavras Invocatórias

São A Não-Respiração Do Corpo

E Da Alma E Do Espírito E Da Mente,

Apenas Assim,

O Algo Que Invocamos

Desce.


A todo o momento,

Eu,

Ela

E os Outros de nós,

O Invocamos,

Ele Está Aqui Sempre

Conosco.


Nós O Invocamos

Com o que fazemos.


Nós O Invocamos

Com o que falamos.


Nós O Invocamos

Com o que escrevemos.


Nós O Invocamos

Com o que não somos.


Nós O Invocamos

Com o que Somos.


O Algo Que Invocamos:

O Inominável Desconhecido,

Mãe,

Pai,

Nós,

Sem Ser Mãe,

Sem Ser Pai,

Sem Ser O Que Somos,

Sendo Nossa Mãe,

Sendo Nosso Pai,

Sendo O Que Somos.


O Algo Que Invocamos:

Nós mesmos,

Os Inomináveis,

Na Grande Noite Da Criação.


O Algo Que Invocamos:

A Invocação De Nós Mesmos

Em Verdadeiros Inomináveis Atos.


Desviamos o olhar do Alto

E com

O Algo Que Invocamos

Continuamos nossa Caminhada

Neste mundo do Baixo.


Ela continua,

Ao meu lado.


Eu continuo,

Ao lado Dela.


Todos nós,

Inomináveis,

Continuamos.


Melhor do que ficar a olhar

E a orar,

Eternamente olhando

Para o teto de um templo

Ou do próprio quarto,

Por um Deus Único inexistente

Que nunca nos auxiliará

Por causa da sua própria

Inexistência corrompedora

Dos que caminham

Na dependência fantasmagórica

De um fantasma a

Assombrar toda a Terra,

O Grande Fantasma Da Terra

Que Não É Pai,

Que Não É Filho,

Que Não É Espírito Santo,

Porra nenhuma.


Inominável Ser

INVOCANDO O ALGO DO ALTO





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