sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Amores Noturnos Inomináveis - Os Amores Convocam - Melancolias Noturnas Não-Desesperadoras


Dúvidas nas noites

E os céus sem estrelas a mais

Caem no menos que há

Nesta minha solitária alma

De bardo secular

De bardo milenar

De bardo ao meio-dia

De bardo à meia-noite

De bardo a toda hora


Bardo a toda hora

A toda hora noturna

Não há pena distante

Destas mãos inomináveis

E nem há verso que escape

Da melancolia noturna

Que divido com Ela


Dividir e chorar

Chorar e aceitar

Não adiantam passos a mais

Os passos a menos valem mais

As torturas crescem sem mar

As ondas afugentam as rochas

Ela se encosta em mim

Pôe a cabeça em meu ombro esquerdo

Recita uma oração para

A Deusa Hecate Uivante

E me acompanha nas lágrimas

Que caem na sala-sem-estar


Choramos sem desespero

Desespero é a arma tola dos covardes

Não somos covardes diante de todo este

Mundo de seres pequenos

Acostumados a pensarem

Que todos os Espíritos Da Natureza

E todos os Deuses

São suas babás


Acorda aí seu babaca a se desesperar

Acorda aí sua babaca a se desesperar

Os Espíritos Da Natureza não são

Nossas babás

Os Deuses não são

Nossas babás


Acorda aí ateu também

Tu és um merda no breu

Pois não tem a ninguém que possa

Te dizer que tu sejas mesmo

O que és

E tu te desesperas contigo mesmo

Por seres o que pensas ser


Acorda gentinha humana

A Deusa Melancolia dita nossa jornada

Enquanto uns brincam de Carnaval

Outros dormem nas ruas enrolados em

Sujos jornais

Enquanto uns se esbaldam em orgias

Outros são moribundos em camas

De hospitais

Enquanto uns pensam que são tudo

Apenas pelo carro que possuem

Outros são tudo apenas porque

Sabem que nada possuem


Ela continua aqui ao meu ombro esquerdo

Agora assobiando uma antiga canção

Que cantávamos nas terras distantes

De todas as terras

Deste mundo de merda


Estamos melancólicos

Somos melancólicos

Sempre fomos melancólicos

Eu e Ela


Somos assim

Estamos assim

Sempre assim

Em noites como essa

Nas quais não procuramos

O consolo do travesseiro

E da quente cama

Ou os falsos carinhos de alguém

Que ao fim é apenas

Ilusória alma


A melancolia não nos desespera

Choramos não por nós

Mas pelas misérias de cada um

Da Humanidade

Pelas misérias de cada um

De vós

A serem um bando de retardados

Cegados pelas materiais ilusões

Negando a melancolia

Negando a Deusa Melancolia

Que dita a rotina toda

De todo melancólico humano dia


Melancólicos vos sois

Retardados


Melancólicos retardados desesperados

Cegos

Estúpidos

Nomeáveis


Remédio para curar-vos?


Meus versos

Os versos Dela

Não adiantam

Vos lestes tudo

E nada vos adentra

Em vossas almas

De humana lama


Remédio?


Querem um remédio

Para pararem de ser

Melancólicos retardados desesperados?


Parem de ser crianças

E de buscarem babás

Até para darem o primeiro passo

Ao se erguerem de vossas

Camas


Inominável Ser

ADULTO

MELANCÓLICO

NÃO-DESESPERADO







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