terça-feira, 23 de agosto de 2011

Amores Noturnos Inomináveis - Os Amores Convocam - O Suicídio Da Aurora Nossa


O corte está mais do que aberto,

uma pequena abertura,

abençoada abertura,

dentro da obscura imunda

aurora nossa...

Usei uma faca...

Usei uma espada...

Usei um machado...

Usei um estilete...

Usei uma espada...

As manchas de sangue

encontram-se no carpete

daquela antiga sala

ma qual assistíamos

ao bailar televisivo

dos nossos sonhos

e há uma criança perdida,

bem perdida,

brincando com os papéis rasgados

que hoje são os nossos

sonhos...

Sonhos de suicídios...

Cada sonho nosso foi um

suicídio...

Todo sonho nosso era um

suicídio...

Suicídio diante da erma

marcha de nossos pensamentos...

Suicídio diante da fervente

chama de nossos sentimentos...

Suicídio diante da tremulante

mancha que se encontra,

além daquele carpete,

em nossas imundas almas

inundadas de ódio

e revolta...

Odiamos...

Estamos revoltados...

Odiamos...

Somos revoltados...

Odiamos...

Ficamos revoltados...

Odiamos...

Seremos sempre revoltados...

Odiamos...

Gostamos de ser revoltados...

Odiamos...

Queremos ser revoltados...

Odiamos...

Chamamos mais revolta...

Odiamos...

Queremos mais revolta...

Odiamos...

Semeamos revolta...

Odiamos a aurora,

toda a aurora,

todas as auroras,

toda felicidade,

toda alegria,

toda furiosa ilusão

da diária e da noturna

aurora dos que não se suicidam

diante da Grande Tragédia:

A HUMANA REALIDADE

MORTA!!!


Apagamos o sol...

Escondemos o sol...

Afogamos o sol...

Abortamos o sol...

Esfaqueamos o sol...

Enterramos o sol...

Não precisamos do sol,

não precisamos da aurora,

não precisamos das auroras,

NÃO PRECISAMOS DAS NOSSAS

AURORAS!!!

Estamos cansados,

estamos tristes,

estamos atordoados,

estamos em um suicídio

cronicamente viável...

Eu sou um bardo

fracassado,

perdedor,

triste,

vômito das sombras,

dejeto da lama

das minhas auroras

que se suicidaram...

Ela é uma inspiradora

fracassada,

perdedora,

vomitada pela Sombra,

cagada pela Lama,

uma Aurora Noturna

Abismal

que se suicidou...

Ela aproxima de minhas mãos

um punhal,

eu aponto para o meu

coração já cadáver,

mas não tenho,

ainda,

a exímia aurora da coragem

de me suicidar...

Sou covarde,

ainda covarde,

e temente ao Verdadeiro Deus,

o qual ainda há

de me fazer

deste suicídio meu

despertar...

Enquanto não desperto,

humanos filhos do mesmo

Verdadeiro Deus,

eu ainda hei de

adormecer neste meu

suicídio

e ela ainda há

de que querer que eu

dê um fim ao meu

respirar

neste suicídio civilizado

que é o nosso

mundo

a se suicidar...


Inominável Ser

UM SUICIDA

EM UM MUNDO

SUICIDA

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