sábado, 3 de setembro de 2011

Amores Noturnos Inomináveis - Os Amores Convocam


Na fumaça de seu cigarro,

há o preço do apreço

pelo jogo de luzes e sombras,

chiaroscuro permanente,

que remete-nos,

a nós dois,

Filhos Das Trevas,

ao encontro preciso

com as cinzas dos cigarros

de perdedores

e fracassados.

Somos perdedores,

somos fracassados,

regentes de uma opereta

que evoca o segredo

da mistura de nossas peles

com o barro...

Perdemos ontem os calçados

na calçada da brilhante

Marcha Da Vida...

Fracassamos hoje procurando

os cadarços de nossos

futuros calçados na

Marcha Da Morte...


Na fumaça de seu cigarro,

a angústia se torna mãe

de uma impulsionante

vontade de morrer,

vontade minha,

vontade nossa,

desde aquele dia no qual

aquela Fada decidiu

parar de cantar em meu

jardim...

Você estava lá,

como sempre,

fumando e me desprezando,

fumando e me desejando

entre as suas pernas

de Vagabunda Das Trevas,

mesmo eu não desejando

você comigo,

mesmo eu nem pensando

em você que está

sempre comigo...

Piranha maldita,

piranha miserável,

Piranha Das Trevas,

as suas tragadas me envolvem,

eu me sinto entorpecido,

eu sempre estive por você

muito apaixonado...

A minha paixão por você

é a paixão de um

desgraçado

por uma

desgraçada...

A minha paixão por você

é a paixão de um

miserável

por uma

miserável...

A minha paixão por você

é a paixão de um

maldito

por uma

maldita...


Na fumaça de seu cigarro

arrebento a porra

da minha cabeça

com um tiro,

corto a porra

da minha garganta

com uma navalha,

quebro a porra

do meu crânio

batendo-o contra

a parede,

abro a porra

do meu abdômen

com um pedaço

de vidro,

quebro a porra

do meu pescoço

me enforcando

em meu quarto,

jogo a porra

do meu corpo

embaixo da roda

de um caminhão

bem pesado!

É o que faço

respirando a fumaça

do seu cigarro,

sua Vadia Das Trevas,

essa fumaça

venenosa,

essa fumaça

infernal,

essa fumaça

tão

agradável...

Você já matou muitos

através dos tempos

com esse seu cigarro,

mas comigo

o abismo é mais

aprofundado...


Na fumaça de seu cigarro

eu sempre estou sonolento,

eu sempre estou entorpecido,

eu sempre estou drogado,

eu sempre estou a caminho

do cemitério...

Exu Caveira abre os

portões,

Omulu me mostra a minha

cova,

mas,

você,

sempre você,

enfiando o cigarro aceso

dentro do meu cu

me puxa da beira da cova

e me lança de novo

em minha cama

para chupar a minha

piroca...

Sempre você,

sua Prostituta Das Trevas,

sempre você

assim me resgatando,

assim me salvando,

assim me torturando,

assim me amando,

em nome do

Algo

ou em nome do

Ninguém

ou em nome do

Inominável?


Na fumaça de seu cigarro,

Inominável Pombagira,

amarrado estou:

olhos amarrados,

pés amarrados,

braços amarrados,

coxas amarradas,

pescoço amarrado,

mãos amarradas,

lábios amarrados,

fígado amarrado,

intestino amarrado,

rins amarrados,

coração amarrado,

pulmões amarrados,

testículos amarrados,

piroca amarrada,

cu amarrado...

O seu cigarro,

Cadela Das Trevas,

é o único que suporto,

tem uma fumaça única,

que ampara,

que machuca,

que impede,

que liberta,

que protege,

que me segura...

Muito obrigado,

sua Puta Das Trevas,

por fumar bem devagar

ao meu lado

e me livrar

das garras inimigas

pelas grandes noites

e pelos pequenos dias.


Na fumaça de seu cigarro,

eu tenho o meu

Eterno Pentagrama

e lhe sou

eternamente grato.


Inominável Ser

SENTINDO O CHEIRO

DA FUMAÇA

DO CIGARRO DELA

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