É muito provocante
a Tua chegada,
agosto, setembro,
outubro, novembro
e dezembro
apresentam a energia
das Tuas
almas.
Com a decência
de um ladrão,
com a eficiência
de um assassino,
singro o mar obscuro
agitando ossos
de urubus
e penas de galos mortos
por homens
rancorosos.
Estou tão tolo hoje
e sinto a noite
dentro de mim
como a música
mais perfeita
que profana toda
minha certeza
e joga na vala
todo tipo de pequena
esperança minha
ainda,
mesmo que mínima,
mesmo que pouca,
a ressoar estrondosa.
Estou sentado em uma vala,
caminho em uma vala,
moro em uma vala
e sou a própria vala,
um resto de comida
a mais estragada,
um reles senhor
de nada
que se acha invulgar
e talentoso
falando com as pessoas
mais erradas
das Trevas mais
amargas.
Tu,
por exemplo,
Senhorita Detestável,
é uma Inominável Lixeira,
uma catadora de restos
como eu,
uma colhedora de detritos
como eu,
uma limpadora de valas
como a minha,
chegando mansa com o seu
olhar anárquico,
aguardando meu cumprimento
com cuspe,
vômito
e escarro.
Queria cagar na Tua cara
de puta maldita,
vomitar meu ódio
em Tua buceta
e esfregar minhas vezes
em Tua bunda!
Não consigo fazer isso,
vejo que tem muita gente
como eu
que nem conseguiu
fazer isso
com outras
Inomináveis Lixeiras...
Me varre
para fora daqui logo,
sua piranha!
Me varre
para fora daqui agora,
sua vadia!
Me varre
para fora desta vala,
sua imunda!
Me varre
para fora,
sua vaca!
Não me deixa mais aqui,
não consigo mais suportar
o cheiro de tanta merda
cagada por todo mundo
neste mundo
que é uma
puta fodida do caralho
de uma vala!
QUALQUER OUTRA VALA
É MAIS PRECIOSA
DO QUE ESTA VALA
DE PORCAS E PORCOS
QUE SE RENDEM
AOS SISTEMAS DE TODAS
AS COISAS
COMO ELAS SÃO,
ABAIXANDO AS CABEÇAS,
REBAIXANDO AS FRONTES
E LAMBENDO OS CUS
DOS MANDANTES
NESTA GRANDE VALA
QUE É A TERRA!
Tem pena de mim,
sua porca,
me varre daqui logo,
por favor,
agora
agora
agora
agora
agora
agora
agora
agora
agora...
Inominável Ser
EM CONSTANTE
NÁUSEA
DEVIDO AO CHEIRO
DE MERDA
DESTA TERRESTRE
GRANDE VALA






















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