Revelado em mil desertos
a posse minha acerca
dos segredos mais horrendos
dos cemitérios.
Alguém bem longe escava,
encontrando ossadas que
pertenceram a um
feiticeiro amaldiçoado.
Tenho a certeza que
tais ossos foram meus ossos,
meus ossos quando fui um
feiticeiro desgraçado.
Um que abria Abismais Portões
para Nahemah, Moloch e Ctulhu,
um que eu um dia ousei ser, um
feiticeiro miserável.
Quando assim fui em
época bem distante pérfida,
conheci uma Abismal Senhora
De Olhos Pérfidos.
Ela tinha o cheiro
das flores dos cemitérios,
Seu hálito errante emanava
o odor dos cadáveres putrefatos.
Suas negras vestimentas
traziam a Aura Da Escuridão,
sua pele tragava
todo ar em nosso redor.
Sua voz era um raio
fulminando meu coração,
seu olhar era um rio
me afogando em vis sensações.
Seus Rituais estremeciam
os solos de então,
Seus Cânticos ecoavam
no Negro Setentrião.
A Ela obedeciam
Os Antigos,
diante Dela ajoelhavam-se
Os Magos Negros.
Por Ela lutavam
Os Destemidos,
por Ela morriam
Os Draconianos.
Para Ela oravam
Os Serpentinos,
para Ela caminhavam
Os Lupinos.
Nas Noturnas Searas,
Ela vinha como
A Dançarina Errada,
sempre a tudo pisoteava.
Nas Noturnas Serras,
Ela vinha como
A Dançarina Correta,
continuava a tudo pisoteando.
Nas Noturnas Sendas,
Ela vinha como
Nenhuma Dançarina,
tudo então ficava esmagado.
Notei que um dia,
naqueles tempos de feitiços
e as mais torpes bruxarias,
Ela foi embora.
Morri queimada em cristã
fogueira de nada cristãos
homens,
fui uma vítima crucificada.
Renasci mais vezes
no caminho do Inferno,
no caminho do Abismo,
no caminho da Feitiçaria.
Renasci neste corpo
ainda um tanto feiticeiro,
ainda um tanto abismal,
ainda um tanto infernal.
E Quem chega agora?
Quem chega batando
à minha porta?
Quem será que chega?
É Ela,
A Senhora,
A Criatura,
uma amiga do meu passado.
Ela,
uma Sina,
uma Cinza,
uma Inominável.
Inominável Ser
ENFEITIÇADO
POR UMA
FEITICEIRA INOMINÁVEL
CRIATURA






















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