terça-feira, 23 de julho de 2013

Amores Noturnos Inomináveis - Os Amores Convocam - Lá Fora E Aqui Dentro Desta Cova





Lá fora habitam
os monstros que dominam
as massas,
o gado,
gente como alguns
de vós,
obedientes ao Falso
e ignorantes do
Verdadeiro.

Lá fora estão
todos os vermes
como vós,
os obedientes ao
mentiroso sistema
que fecha todo ouvir
e todo olhar.

Lá fora escrevem
todas as leis
que vós,
vacas e bois
do gado,
seguem:
a lei do ser igual
a todo mundo,
a lei do discriminar
o que é diferente,
a lei do agir
como a multidão age,
a lei do ter a obrigação
de ter uma religião,
a lei do acreditar
em algum Deus,
a lei do acreditar
em algum Demônio,
a lei do acreditar
em Deus,
a lei do acreditar
no Diabo.

Lá fora a mídia
governa a todos,
todos vós,
porcos e porcas 
comuns
do humano chiqueiro,
engolidores dos vômitos
derramados
tanto pela Beyoncé
quanto pelo Naldo,
tanto pela novela
da Globo
quanto por qualquer
livrinho da moda,
tanto pelo padre
quanto pelo rabino
ou pelo pastor
ou pelo ocultista
ou pelo espiritualista
ou pelo espírita.

Lá fora é tudo
fossa,
merda e merda e merda
e mais merda
saindo do rabo
de todos vós,
covardes e arrombados
que se sentem
donos deste mundo,
cuzões e cuzonas
que são apenas
ovelhinhas,
porcos
e gado
prontos para
o abate
proporcionado pela
Foice de Tanatos.

Aqui dentro
desta Cova,
apenas resistem
os filhos e filhas
dos cemitérios,
sacudidores dos
próprios ossos
pelas Eras
e pelas Trevas.

Aqui dentro
desta Cova,
apenas insistem
os filhos e filhas
do Estranho,
do Perturbável,
do Inominável.

Aqui dentro
desta Cova,
apenas seguem
firmes
os filhos e as filhas
do que o sistema
dominante deste
mundo desgraçado
teme,
odeia
e busca destruir.

Aqui dentro
desta Cova,
residem os últimos
e as últimas
Maravilhas Do Abismo,
como a 
Maravilhosa Inominável
Filósofa
que me inspirou
neste poético relato,
assim como Ela
inspirou Nietzsche
em Assim Falava
Zaratustra.

E Assim Fala
O Inominável:
VÓS TODOS
DO GADO
SOIS PÓ
FADADO AO
ETERNO
NADA!

E Assim Fala
O Inominável:
VÓS TODOS,
SEGUIDORES DESTA
COVA
E CRIADORES EM SUAS
PRÓPRIAS COVAS
SOIS O NOTURNO SOL
DA VERDADEIRA
SABEDORIA!

Lá fora
ou aqui dentro,
seus bostas?

Inominável Ser
DAQUI DE
DENTRO

domingo, 21 de julho de 2013

Amores Noturnos Inomináveis - Os Amores Convocam - A Última E Única Hora



Última Hora
para abrirmos
as portas
dos antigos
cemitérios.

Única Hora
para retirarmos
deles
nossos amigos
e companheiros.

Última Hora
para abraçarmos
os ossos
de Florbela, Baudelaire,
Byron e Shelley.

Única Hora
para fazermos
uma festa
com os
Eternos Poetas.

Última Hora
para reunirmos
Álvares de Azevedo
e Cruz e Sousa
em uma mesa.

Única Hora
para celebrarmos
A Cova Poética,
Cova amorosa,
Cova acolhedora.

Última Hora
para sermos
O Poeta Inominável
E A Poetisa Inominável
Da Eterna Festa Poética.

Única Hora
para abrirmos
Os Portais
Do Vale Dos Poetas
Perdidos.

Última Hora
na qual somos
O Poeta E A Poetisa,
Anfitriões Do Cemitério
Da Deusa Poesia.

Única Hora
para escrevermos
com os Poetas Perdidos
toda Perdida
Poesia.

Última Hora
para nos tornarmos
O Poeta Perdido
E A Poetisa Perdida,
Cadáveres Amantes Da Deusa Poesia.

Única Hora
para naufragarmos
na Perdição Abençoada
que é
A Noturna Poesia.

Inominável Ser
INOMINÁVEL
PERDIDO
POETIZANDO
JUNTO COM UMA
INOMINÁVEL
PERDIDA

 

 

domingo, 7 de julho de 2013

Amores Noturnos Inomináveis - Os Amores Convocam - A Madrugada Trazendo Navalhas





Nesta madrugada
fria e tenebrosa,
eu ouço um bramido
e o som de
pequenos sinos
anunciando
a Sua chegada.
Não lamento mais
a minha cova
por ser fria,
eu amo o frio
e todas as coisas
que o frio possui
de bom.
O melhor do frio
é a sabedoria,
uma dádiva
que chega
para todos aqueles
que encontram repouso
em grandes mergulhos
pelas madrugadas.
O frio desta madrugada,
minha querida
amiga amante
das navalhas,
vem anunciando
a Sua chegada.
Há um Anjo Noturno
aqui,
um Anjo permitindo
a Tua entrada
em minha
fria morada.
Os Demônios,
minha querida
amiga das navalhas,
ficam lá fora,
são indigestas
companhias
até mesmo para mim,
um solitário
louco e poeta.
Tu chegastes aqui,
eu Te sinto aqui,
bem aqui perto,
bem aqui,
encostando Sua navalha
em meu nariz...
Encostando,
agora,
outra das Suas navalhas
em meu coração...
Encostando,
agora,
uma terceira navalha
Vossa
em minhas mãos...
Inominável Amiga
Das Navalhas,
diferente de
Maria Navalha,
Tu não és
mentirosa,
enganadora
ou traiçoeira.
Tuas navalhas
cortam,
mas,
cada corte,
maior ou menor,
traz sempre
Verdade,
Acerto
e Amizade.
O mundo está
uma merda
lá fora,
eu sei,
eu muito bem
sei,
sentindo cada corte
como testemunha
e testamento
do inglorioso momento
de caos planetário.
Meu testemunho
é um corte
no status quo.
Meu testamento
é um corte
na sociedade.
Inominável Senhora
Das Navalhas,
sou cortado
todos os dias,
de várias maneiras,
e em todas
as noites,
de várias outras
maneiras...
Muitas navalhas
cortam-me...
Porém,
nenhuma delas
traz a marca
da Sabedoria Eterna
de uma Alta Filha
Da Grande Noite,
a Vossa Sabedoria.
Que poesia-navalha
vem nascendo
através deste
Abismo,
através desta
Cova?
A Poesia-Navalha
Que Corta
O Mundo.
Quem aí,
leitor ou leitora
desta navalha,
não está
cortado ou cortada
agora?

Inominável Ser
SEMPRE
CORTADO