sábado, 28 de junho de 2014

A Dura Mecânica Da Verdadeira Dor



Rodas girando como
motores de arranhões
nos profundos recantos
do coração...
O Mecanismo
Da Verdadeira
Dor.
Cintilantes fios interligando
cada parte da
máquina que castiga
o coração...
O Mecanismo
Da Verdadeira
Dor.
Motores ligados como
fartas explosões
nas estradas
do coração...
O Mecanismo
Da Verdadeira
Dor.
Chips traduzindo
os gemidos calamitosos
que povoam as vozes
do coração...
O Mecanismo
Da Verdadeira
Dor.
Disco rígido a registrar
cada lembrança doída
que abraça
o coração...
O Mecanismo
Da Verdadeira
Dor.
Teclas digitando textos
que falam das
tristes aventuras danosas
ao coração...
O Mecanismo
Da Verdadeira
Dor.
Alavancas impulsionando
cada mecânica função
que faz ainda bater
o coração...
O Mecanismo
Da Verdadeira
Dor.
Códigos binários
controlando as pulsações
das nubladas paragens
do coração...
O Mecanismo
Da Verdadeira
Dor.
Linguagem de programação
apropriada ao lento
ruminar decadente
do coração...
O Mecanismo
Da Verdadeira
Dor.
Funções exatamente
metódicas na frieza
que endurecidamente congelam
o coração...
O Mecanismo
Da Verdadeira
Dor.

Eis uma
Mecânica Quântica
que todos nós,
mesmo não sendo
gênios,
podemos muito bem
compreender.

Inominável Ser
FÍSICO
DA DEUSA DOR 




sexta-feira, 27 de junho de 2014

E Todas As Palavras Cessaram...



Mudo,
mudo,
mudo,
em uma concha de algum marisco
em algum mar muito
obscuro,
muitos se entregam
ao torpor melódico
de uma cortante melancolia.
Os de fora,
os tolos cegos
pela podre noção
de que a Vida resume-se
ao dormir,
ao comer
e ao foder,
criticam os que vêem
além das aparências,
além do irreal
que é este
mundo sinistro
recheado de vilanias,
violências
e trevas.
Estou entre os da
Deusa Melancolia,
nós temos diversos enredos
em sambas não-escritos
e dançamos para a parede
de nossos sonhos
e pesadelos.
Nós estamos mais vivos,
insatisfeitos com nossa
situação no mundo
ou com o mundo
em sua atual situação.
Nós,
sozinhos entre tantos
que crêem que estar
acompanhado
é estar pleno,
balançamos nossas cabeças
e corpos
em um baile consagrado
ao sabor solitário
da mais sábia melancolia.
Nós rimos,
sorrimos, 
cantamos,
mas,
bem dentro de nossos
alquebrados corações,
temos uma espada cravada
junto com um punhal,
um machado
e garras...
Nosso coração sangra
e apenas nos silenciando
encontramos determinadas
ou todas
as respostas.
Estas,
nem sempre são
das mais agradáveis
ou aceitáveis.

Inominável Ser
UM
MELANCÓLICO
SER


 


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Vôo Das Mil Infinitas Solidões



É amargo este véu todo
recheado de um estranho mel
que escorre pela
Grande Noite...
Sorvo toda a amargura presente
Na Noturna Esfinge
que anuncia em Sua Voz
a decadente atual mancha
que marcha junto
com a Humanidade...
Sonho estar voando
com Dragões
e O Grande Dragão A Respirar
me observando...
DRACONIS UNIVERSUS NIGRI...
Assim eu murmuro
sonhando toda noite
com cadafalsos quebrados
e a guilhotina que assassina
os menos capazes
de encontrarem-se
como solitários...
Não penso no que
poderia ter sido,
nem assino um livro
do que pode ser
e muito menos
assumo o risco 
de tentar imaginar
o que poderá ser...
Tudo é Caos,
noturna mulher,
noturno homem,
de coração tão a sangrar
solitariamente
quanto o meu...
Tudo É O Caos,
Noturna Irmã,
Noturno Irmão,
no qual adquirimos
a única certeza
que consiste toda nisto:
na Deusa Solidão,
Nossa Dama,
Nossa Senhora,
Nosso Destino,
Nossa Realidade,
encontramos A Paz
entre tantos gritos ecoando
na Guerra que está sendo
amargamente travada.

Inominável Ser
EM PAZ
COM A SOLIDÃO
DELE