sexta-feira, 27 de junho de 2014

E Todas As Palavras Cessaram...



Mudo,
mudo,
mudo,
em uma concha de algum marisco
em algum mar muito
obscuro,
muitos se entregam
ao torpor melódico
de uma cortante melancolia.
Os de fora,
os tolos cegos
pela podre noção
de que a Vida resume-se
ao dormir,
ao comer
e ao foder,
criticam os que vêem
além das aparências,
além do irreal
que é este
mundo sinistro
recheado de vilanias,
violências
e trevas.
Estou entre os da
Deusa Melancolia,
nós temos diversos enredos
em sambas não-escritos
e dançamos para a parede
de nossos sonhos
e pesadelos.
Nós estamos mais vivos,
insatisfeitos com nossa
situação no mundo
ou com o mundo
em sua atual situação.
Nós,
sozinhos entre tantos
que crêem que estar
acompanhado
é estar pleno,
balançamos nossas cabeças
e corpos
em um baile consagrado
ao sabor solitário
da mais sábia melancolia.
Nós rimos,
sorrimos, 
cantamos,
mas,
bem dentro de nossos
alquebrados corações,
temos uma espada cravada
junto com um punhal,
um machado
e garras...
Nosso coração sangra
e apenas nos silenciando
encontramos determinadas
ou todas
as respostas.
Estas,
nem sempre são
das mais agradáveis
ou aceitáveis.

Inominável Ser
UM
MELANCÓLICO
SER


 


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