terça-feira, 5 de agosto de 2014

Dormir...



Quero dormir
E não mais acordar,
Descer ao túmulo
E não mais voltar
Para este lamentável
Percurso vital
Cheio de lágrimas,
Cheio de sofrimento,
Cheio de dor...
Não são apenas
Trinta e oito anos,
São trinta e um mil
E quatorze anos
De minha forçada estadia
Neste charco planetário,
Um mundo detestável
Onde não há,
Para mim,
Absolutamente nada!
Já estou mais
Do que cansado...
Já estou mais
Do que derrotado...
Já estou mais
Do que
Fadado
Ao fim
A cada milionésimo
De segundo
No qual respiro...
Desprezo
Palavras consoladoras!
Desprezo 
Conselhos vazios!
Desprezo
Divertimentos fúteis!
Quero,
Apenas,
Dormir e não mais
Acordar...
No entanto...
Porém...
Mas...
Eu sempre acordo
Todo dia
E continuo neste
Carnal pesadelo
Já morto por dentro...
Não há Magia,
Ebó
Ou masturbação
Que me faça relaxar,
Que me faça,
Pelo menos,
Supostamente feliz...
Quero apenas dormir
E não mais acordar...
Sexo,
Trabalho
E estudo
Não me preenchem.
Na verdade
A minha diária
Morte interior
É bem amiga
Da minha consciência...
Quero apenas dormir
E não mais acordar...
Você aí,
Sombria leitora,
Sombrio leitor,
Nada tem a ver
Com a minha morte,
Nem eu me interesso
Pela sua.
Quero apenas dormir
E não mais acordar...
Este desabafo,
Sombria leitora,
Sombrio leitor,
É o único remédio
Que evita em mim
A suprema
E absoluta loucura,
Poesia é o meu jardim
Sem alegre flor nenhuma,
Somente flores já mortas
Como eu já
Estou morto
Desde sempre.
Quero apenas dormir
E não mais acordar...
Eu acordo.
Continuo vivendo.
Supostamente vivendo.
Deuses,
Demônios,
Qualquer filho da puta
Do Alto
Ou do Baixo,
Quando quebrar-se-á
Meu fio de prata?
Quero apenas dormir...
E não mais acordar...
Nem tenho coragem...
Para me suicidar...

Inominável Ser
ETERNO FIGURANTE
DE 
THE WALKING DEAD

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