segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Do Amor Que Se Esvaneceu Entre Ossos




Flutua em redor da Terra
Uma nuvem de antigas
Imagens hoje raras

Nuvem de alegres dias
Nuvem de divinos dias
Nuvem de maravilhosos dias

Flutua tal nuvem como registro
Aos que podem Ver de verdade
Sobre o que O Homem perdeu

Ver como éramos grandes
Ver como éramos absolutos
Ver como éramos Deuses

O Homem que nada Vê de verdade
Todo dia tropeça porcamente
Nas próprias merdas no chão caçadas

Tropeça na merda das futilidades
Tropeça na merda das ilusões
Tropeça na merda das desgraças

O Homem de hoje humanos
O Homem que todos nós somos
Uma Grande Merda Caçada pelo Diabo

Todos nós somos sombras
Todos nós somos esgotos
Todos nós somos poeira

O Homem que nós somos assassinou
Todo o Dourado dos tempos idos
Os tempos de um mundo lindo

Os tempos idos pelos quais choro
Os tempos idos queridos pelos Imortais
Os tempos idos esquecidos pelos mortais

E O Homem que nós somos assassinou
O que de mais importante havia
Naqueles Verdadeiros Tempos Terrestres

O mais importante foi assassinado
O mais importante foi enterrado
O mais importante foi cremado

O Homem assassinou O Amor
Este que tão longe hoje está
De todo coração neste mundo cão

Longe está O Amor
Longe está A Paz
Longe está A Felicidade

Perto está A Desgraça
Perto Está A Maldição
Perto Está A Miséria

A Desgraça Do Homem Que Nós Somos
A Maldição Do Homem Que Nós Somos
A Miséria Do Homem Que Nós Somos

Inominável Ser
EM UM MELANCÓLICO
ESTADO DE SAUDADE
DOS DOUROS
TEMPOS IDOS

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Amada Dama Antiga Que Caminha Através Das Portas Inferiores



Um Antigo Amor Noturno
Inominável
Me faz lembrar agora
Que dei sete passos
Em nove dias
Através de doze mundos
Que agora são
Poeira Cósmica
E cujas memórias
Apenas Os Eternos
Sobreviventes Dos Mundos
Mortos
Sabem

Tal Antigo
Amor
Tal Antiga
Amada
Atravessa agora
Portas Inferiores
Como uma Sublime
Caminhante
E Ermitã
Cujos pés pisaram
Em todas as Dimensões
Acima
E abaixo
Da Linha
Existencial

Ela é uma Dama
Que sempre acompanhou
Outras Damas
Apresentando-se sempre nua
No Palácio De Dorsh
Cantando sempre revestida
De dupla nudez
No Palácio De Rahmuyu
Dançando sempre rodopiante
Em tripla nudez
No Palácio De Aramub

Ela é uma Dama
Que ergue O Véu
Soberano Das 
Realidades
Já Caminhou
Onde Os Elevados
Hoje residem
Já Caminhou
Onde Os Rebaixados
Hoje residem
Já Caminhou
Onde Ainda Irão
Residir
Aqueles Que Ainda
Serão

Ela é uma Dama
Sem classificação
Não está
Entre as Deusas
Não está
Entre as Diabas
Não está
Entre os Devas
Não está
Entre os Asuras
Não está
Entre as mulheres
Não está 
Entre os homens
Não está
No Visível
Não está
No Invisível

Damas Antigas
São assim
Estranhíssimas
Verdades
Atravessando Portas
Inferiores
Que podem levar
Para todo lugar
Para algum Lar
Para certo Mar
Para indefinível lado
Para nada

Esta Dama
Da qual falo
Agora está a atravessar
O Abismo Inominável
Da minha
Inominável Alma

O Abismo que é meu
Com Portas Inferiores
Infindáveis

O Abismo que pode
Ser o seu
Com Portas Inferiores
A serem abertas
Por Ela
Sem que tu 
Percebas

Ela nunca bate
Todas as Portas
De nossos Abismos
Internos
Estão abertas
Para Sua Entrada
E Caminhada
No que possuem
Após sua
Travessia

Inominável Ser
VENDO
UMA DAMA
ANTIGA
A CAMINHAR
DENTRO
DA ALMA
DELE

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Ericto Em Um Trono De Névoas, Corpos E Almas



Dispersando para longe
As Leis Eternas,
Sufocando cruelmente
Idílios de inocentes,
Ericto ainda reina
Como Senhora Necrófila
Dos Braços Abismais
Em um Reino onde
Nove Círculos
Emolduram infindos
Territórios
Em cuja entrada
Toda esperança deve ser
Abandonada.

De longe chegam 
Os que ela amontoa
Em seu Trono,
Névoas chorando, 
Névoas gritando,
Névoas gemendo,
Névoas urrando,
Névoas abortando,
Névoas esfaqueando,
Névoas esquartejando,
Névoas enforcando,
Névoas estuprando,
Névoas odiando
A Grande Feiticeira.

De longe ainda
Ela amontoa os corpos
Sobre os quais repousa,
Corpos de guerreiros,
Corpos de bardos,
Corpos de músicos,
Corpos de dançarinos,
Corpos de políticos,
Corpos de assassinos,
Corpos de ladrões,
Corpos de filósofos,
Corpos que ela venera
Com seu orgulho sórdido.

De longe,
Muito mais longe ainda,
Chegam as inúmeras AAlmas
Dos que ela sacrificou
Em prol de suas 
Nefastas feitiçarias,
Almas aborrecidas,
Almas abrutalhadas,
Almas abarrotadas,
Almas arrombadas,
Almas roubadas,
Almas perturbadas,
Almas atribuladas,
Almas que com tirania
Escraviza.

Os Carregadores De Névoas,
Os Obscuros Dos Corpos
E Os Bestiais Das Almas
Saúdam Sua Senhora,
A Horrenda Feiticeira,
Comedora de
Humanas carnes,
Amante de
Cadáveres,
Violadora de
Tumbas,
Sugadora implacável
De todo sangue
Derramado por onde
Caminha.

Ericto Sanguínea,
Ericto Sangrenta,
Ericto Sanguinária,
Ceifadora insaciável
De multidões,
Em seu Trono
A observar
Os futuros tolos
Que serão um dia
Objetos de sua
Necrofilia
E Canibalismo.

Em Terras que ainda existem,
Terras cobertas
Pelas Trevas Eternas,
A Terrível Estrige
Expande suas garras
E dentes
Sobre fracos
E poderosos.

Ericto,
A Impiedosa.

Ericto,
A Aniquiladora.

Ericto,
A Destruidora.

Ericto,
Uma Soberana Infernal.

Inominável Ser
EM UMA
FEITIÇARIA
INFERNAL

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

A Fatal Melodia



O Cântico De Persephone,
O Lamento Das Górgonas,
O Grito Das Erínias,
O Uivo De Hecate,
O Rugido De BABALON,
O Sibilar De Lilith,
O Tambor De Morrigan,
O Noturno Som
Compartilhado
Pelas Noturnas Musas
Da Fatalidade Agitadora
Do Cósmico
E Do Anti-Cósmico.

É Uma Melodia
Ecoando Firme
Desde Tempos Antigos
E Criações Anteriores.

É Uma Melodia
Saída Do Caos,
Atravessando O Moldado,
Arrastando-Se Pelo Infinito.

É Uma Melodia
Ouvida Em Todas
As Lemúrias
De Todos Os Mundos.

É Uma Melodia
Tocada Por Todas
As Atlânticas
De Todos Os Mundos.

É Uma Melodia
Alimentando Todas
As Távolas Redondas
De Todos Os Mundos.

É A Melodia
Do Arquimago Encarcerado
No Âmago
Do Maior Mundo Mágico.

É A Melodia
Produzida Por Si Mesma
Como Automanifestada
Implacabilidade Existencial.

É A Melodia
Do Alfa E Ômega,
Do Aleph E Ain Soph Sur,
Do Primeiro E Do Último.

É A Melodia
Do Inacessível,
A Melodia
Do Único.

O Cântico De Exu,
O Lamento Dos Titãs,
O Grito Dos Nephilins,
O Uivo De Fenrir,
O Rugido De Ares,
O Sibilar De Pan,
O Tambor De Seth,
O Noturno Som
Compartilhado
Pelos Noturnos Senhores
Da Fatalidade Agitadora
Do Cósmico
E Do Anti-Cósmico.

Inominável Ser
OUVINDO
ESTA
FATAL MELODIA
INTERMINÁVEL

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Cai A Guerra



Por Dobras Temporais
E Fissuras Espectrais,
Cai A Guerra
Sobre Nós.

O Alimento foi perdido,
O Veneno é comido,
Resta apenas a migalha
Dada a nós mendigos.

A Mortalha nos emudece,
A Gralha canta fúnebre,
As ruas estão sangrando,
As casas estão chorando.

O Cemitério dança,
O Necrotério canta,
Aquilo ali está se decompondo,
Aquilo lá já é cinza evaporando.

O Deus Perdido fica mais Perdido,
O Diabo Imaginado fica mais Real,
Desespero nos antes otimistas,
Derrota para os antes felizes.

O Palco está,
Então,
Assim exposto,
Assim aberto!

Querem saber onde
Ocorrem as batalhas
Na nossa Terra
E em outras Esferas?

Querem saber,
Mortais seres
Sem grandes chances
De alcançarem alguma paz?

Querem saber,
Mortais criaturas
Sem a guia ideal
Para o sossego existencial?

Querem saber,
Mortais indivíduos
Que estão cegos
Para tal Guerra Imortal?

As batalhas ocorrem
Em locais bem conhecidos,
Mas ignorados sempre
Pela vossa estridente ignorância:

Vossos corpos,
Vossas mentes,
Vossas almas,
Vossas Existências.

Cai A Guerra
Como Impiedosa Chuva,
Destemido É O Grito
Mais Sangrento Ouvido.

Inominável Ser
OUVINDO
O MAIS SANGRENTO
GRITO

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Desgraçada Melancolia



E perturbada está
Toda autora de auroras
Que antes eram
Mui sagradas

Hoje apenas detritos
Em todas as auroras
Trevas das auroras findas
Sem horas

Senhoras Antigas
Perderam o Trono
Vazio está agora
O Grande Trono

Tem certeza
Que você se afiniza
Com esta agonia
De desgraçada época?

Eu sou um perdido

Eu sou um deslocado

Estou fora do meu tempo

Estou fora todo tempo

Meu tempo já passou

E agora melancólico
Caminho pelo protuberante
Asco vomitante
Das ruas dos bairros

Aguardo a sua resposta
Sobre a pergunta acima
Nas Marés
Dos Oceanos do Sonhar

Agora vou me despedindo
A Deusa Desgraça
Aqui quer chegar
E não quero encontrá-la

Agora não

Eu já A encontrei demais

Por aí

Por aqui

Por lá

Dá um tempo
Deusa Desgraça!

A Senhora já tem
Muito trabalho
Por aí
Por aqui

Por lá

E eu tenho
Muito mais trabalho
Ainda
Por aí

Por aqui

Por lá

Um poético trabalho
Meio ferrado
No qual o salário
É ficar

Mais estranho do que já sou

Por aí

Por aqui

Por lá

Inominável Ser
DESGRAÇADAMENTE
MELANCÓLICO

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Uma Luzidia Árvore



Arrastastes Contigo
multidões cativas,
verdadeiras imensidões
de Vontades que pediam
por uma liberdade
menos arbitrária
e passível de ser,
por si mesma,
atualizável.
Tu És
O Primeiro Revolucionário,
Aquele Que Primeiro
Gritou
Pelo Conhecimento,
Pela Razão
E,
claro,
Pela Liberdade.
Uma Liberdade
que arrastasse
outras multidões
para as certezas
da Transformadora Vontade
dentro d'alma.
Uma Liberdade
colhida nos Vales
onde o nome
Produtividade
é capaz de arregimentar
prolíficos procriadores
de mais firmes
Verdadeiras Vontades.
A Liberdade,
O Fruto,
A Raiz
e O Tronco
de uma Luzidia Árvore
por Ti plantada
na Criação,
Lúcifer,
na qual aqueles que
comem dos Frutos
que Dela nascem
recebem n'almas
o Vosso Grito
Pela Verdadeira
Liberdade.
Vosso
Revolucionário Grito.
Vossa
Revolucionária Luz.
Vosso
Revolucionário Conhecimento.
Vosso
Revolucionário Incêndio.

Inominável Ser
HÁ MUITO
TENDO SABOREADO
UM DESSES
FRUTOS


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Sexo E As Trevas




No Gelo
E no Fogo
Da mais poderosa hora,
Esta profunda hora
Onde o uivar dos cães
É oculto profetizar,
Chega até minha cova
A deliciosa visão
De Sátiros,
Ninfas,
Íncubos
E Súcubos
Do Abismo
Em uma 
Orgia nas Trevas...

As Rainhas
Do Norte,
Do Sul,
Do Leste,
Do Oeste
E do Centro
Estão nuas sobre
O Sangrento Altar...

Priapo traz
A cabeça de Baco
Em uma dourada bandeja
Pelo Seu esperma
Recheado...

A gritaria de prazer
É intensa,
As alucinações dos ccorpos
Em um ferrenho êxtase
São densas,
A febre alcança outras
Trevas,
As Danças Iniciam-Se...

A Dança 
Que Faz O Abismo
Gozar!

A Dança
Que Faz O Abismo
Gritar!

A Dança
Que Faz O Abismo
Reinar!

A Dança
Que Faz O Abismo
Chegar!

Diante de Lilith,
A Rainha De Todas
As Rainhas
Do Êxtase,
A Serpente Imperatriz
Do Deserto,
Priapo entrega a cabeça
Do Olimpiano assassinado
Pela própria Humanidade,
Que se esqueceu
Do Bêbado Menino
Selvagem!

Pelas Trevas,
Ressoa o som
Dos dentes de Lilith
Mastigando aquele
Olímpico crânio!

Pelas Trevas,
Ressoa o som
Das gargalhadas de Priapo
Se masturbando diante
Do mastigar da Serpente!

Pelas Trevas,
A Orgia cresce,
Outros Sátiros,
Ninfas,
Íncubos
E Súcubos
Do Abismo oriundos,
Fodem 
Incessantes,
Fodem
Inclementes,
Fodem
Insaciáveis!

E no Grande Pau
De Priapo,
Diante dos últimos ossos
De Baco,
Lilith abre as pernas
E na buceta recebe
O Mais Fértil Deus
Das Trevas
Em Todo
Seu Esplendor!

A Orgia Grita!

A Orgia Sussurra!

A Orgia Salta!

A Orgia Pulsa!

A Orgia Continua!

E As Trevas Dançam
No Gozo Das Putas
E Dos Putos
Ao Som Do Prazer
De Lilith
E Priapo
Em Meio Às Chamas
De Tit Aisoun!

AVERAH!!!

AVERAH!!!

AVERAH!!!

Inominável Ser
UM ESPECTADOR
DE UMA ORGIA
NAS TREVAS


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Ecos Dos Limbos Das Criações



Antes desta Obra atual,
Outras houveram iguais,
Povoadas por seres tão malditos
Quanto nós
E destruídas pelas Vontades
Mais poderosas
Do que as deles que,
Como as nossas,
Eram míseras vontades mortas.

Cada Obra Destruída
Pelas Desconstrutoras Mãos
Gerou Cascas que agora
Estão dependuradas nos Galhos
Da Grande Árvore 
Da Morte
Nos Grandes Domínios
De Sitra Ahra.

No Limbo De Aretz,
As Baixas Forças
Vigiam.

[Primeiro Anti-Cósmico Mistério]

No Limbo De Sheol,
Os Magos Negros
Caminham.

[Segundo Anti-Cósmico Mistério]

No Limbo De Abron,
Os Cegos Sábios
Dialogam.

[Terceiro Anti-Cósmico Mistério]

No Limbo De Tit Aisoun,
Os Venusianos Pervertidos
Copulam.

[Quarto Anti-Cósmico Mistério]

No Limbo De Bershoat,
Os Belicosos Artistas
Criam.

[Quinto Anti-Cósmico Mistério]

No Limbo De Irasthoum,
Os Destruidores Ferozes
Digladiam.

[Sexto Anti-Cósmico Mistério]

No Limbo De Ozmoloth,
Os Famintos Arquitetos
Erguem.

[Sétimo Anti-Cósmico Mistério]

No Limbo De Gehenne,
Os Finalizadores Pródigos
Esbravejam.

[Oitavo Anti-Cósmico Mistério]

No Limbo De Gehenoum,
Os Rompedores Verbais
Planejam.

[Nono Anti-Cósmico Mistério]

No Limbo De Gehenomot,
Os Autoritários Rebeldes
Rompem.

[Décimo Anti-Cósmico Mistério]

Sitra Ahra
É A Benção
Anti-Cósmica.

[O Anti-Cósmico Mistério]

O Limbo
Do lado de cá
Da Existência
É A Maldição
Cósmica.

E isto não é
Um Mistério
Para nós,
Os malditos
Abandonados pelos Frutos
Da Árvore Da Vida.

Este Limbo daqui
É nossa maldita
Trilha.

Inominável Ser
UM MALDITO
PRISIONEIRO
DO TERRESTRE
LIMBO