quinta-feira, 1 de outubro de 2015

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Trevas coroadas pela metáfora
De imensa mentira desta Realidade
Coroam tuas degradantes asas,
Anjo Caído pelas beiradas ruidosas
De estradas apodrecidas sem asfalto
E nem mesmo barro,
Estradas de vidro moído nas quais
Vossos pés pisam como penitência
Pela tua passada insanidade.
Tu não caistes com
O Primeiro Revolucionário
E nem foi pai de um dos Gigantes
Que a esta Terra estremeceram
Em dias passados.
Tu fostes sugado para este mundo
Que se banha em lama nascida
Do esgoto das almas humanas
Por vontade própria de seguir
Teus próprios futuros caminhos
Longe de todos que jamais cairão.
Tu oferecestes a ti mesmo
Uma oportunidade de navegar
Neste desgraçado mar de desgraçados
Que é o Planeta Terra.
Tu destes a ti mesmo
O trabalho de tentar ver se aqui
Neste esgoto de desgraçado planeta
Conseguirias ter o teu Destino
Como obra de teu próprio 
Existencial Ato.
Tu caistes por ti mesmo,
A fim de que pudesse conhecer
O que é a liberdade longe
Do que está Acima
E do que está Abaixo.
E hoje,
Após duzentos mil
E quinhentos anos
De exílio nesta porra
De planeta,
Sangra n'alma inteira
Por ter compreendido
Que aqui está tua
Eterna Prisão.
Tudo que quisestes aqui encontrar
Foi dissipado como
Uma chacina de vinte moradores
De uma favela.
Tudo que desejastes aqui obter
Foi fulminado como
O estupro coletivo de cem mulheres
Por fundamentalistas do Terror
Mais insano.
Tudo que tentastes realizar
Pelo teu próprio evoluir
Sem contar com Aquilo
Ao qual pertencias,
Foi extinto como
O desaparecimento de cada uma
Das civilizações mais adiantadas
Do que esta contemporânea
Desgraça supostamente adiantada
Que chamam de civilização.
E agora você é apenas
Um dos Errantes 
Aqui aprisionados,
Sem direito a nenhuma Dádiva,
Seja do Alto,
Seja do Abismo
Ou seja do Outro Lado.
Pobre infeliz por todos
Ignorado
Tu és,
Anjo Caído
Por Aqui
Mais Sangrado.

Inominável Ser
TÃO ERRANTE
TÃO SANGRADO
QUANTO TAL 
ANJO CAÍDO
INOMINÁVEL

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