quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

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Me dê um motivo
Para amar
E,
Talvez,
A faca no seu pescoço
Eu não enterre.

Me dê um motivo
Para odiar
E,
Provavelmente,
Um abraço de mim
Você receberá.

As companhias
Que melhor
Me afagam
Não possuem
Carne,
Nem possuem
Vestes,
São
Nadas…

Eu aqui
Nesta latrina
Planetária,
Mereço apenas
A companhia dos cães,
Dos gatos,
Das formigas,
Das baratas
E até dos lagartos.

Sou o inseto
Que Kafka via
Ao acordar,
Um filho nada fidalgo
Da corte de alguma
Rainha Torturadora
De poetas que
Abandonaram
Seus Verdadeiros
Nomes.

Como inseto,
Meu vôo vai perto
O bastante
Da altitude chamativa
De uma ponte
Sobre uma rodovia?

Eu pulo?

Pulo de cabeça?

Pulo de costas?

Pulo de olhos abertos?

Pulo de olhos fechados?

Eu corro,
Eu morro correndo,
Correndo para fora
Do que há lá fora,
Correndo para dentro
Do que há em mim!

E o que há em mim
Nunca vai amar
Alguém além
Da minha genitora.

O que há em mim
Vai sempre odiar
Toda
E qualquer
Pessoa.

É o meu jeito,
O meu hino,
O meu ritmo,
A minha saga,
A minha narrativa,
O meu livro.

Inominável Ser
MAIS PROPENSO
A ODIAR
DO QUE
A AMAR

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Na Magia Da Seriedade De Sete Catacumbas!



Não tem rebeldia,
Não tem vacilo,
Não tem recuo,
Não tem fraqueza,
Sete Catacumbas
Corta língua,
Corta braço,
Corta perna,
Corta cabeça
De Egun safado
Bandidinho da sarjeta!

Sete Catacumbas
Não é Exu
De brincadeira!

Sete Catacumbas
Não é Exu
De mentirinha!

Sete Catacumbas
Não é Exu
De invencionices!

Ajoelha,
Egun,
Egun
Desencarnado,
Egun
Encarnado,
Sete Catacumbas
Te arrasta
Para a cova
Com um punhado
De corrente,
Com um punhado
De gritos,
Com um punhado
De Caveiras
Que te farão
Companhia!

Sete Catacumbas
Não é de
Sorrir!

Sete Catacumbas
Não é de
Gargalhar!

Sete Catacumbas
Não é de
Dançar!

É
Exu De Lei,
É
Caveira na Lei,
Arrastando
Toda porcaria
Astral,
Atacando
Todo bandido
Astral
E pegando de jeito
Quem na Matéria
Se acha
Esperto,
Malandro
E bonzão!

Sete Catacumbas
É Rei
Da Magia!

Sete Catacumbas
É Mago
De Mistérios!

Sete Catacumbas
Abre as Portas
De todo cemitério!

Salve,
Sete Catacumbas!

Salve,
Sete Catacumbas!

Salve,
Sete Catacumbas!

LAROYE ESÚ!!!

LAROYE ESÚ!!!

LAROYE ESÚ!!!!

LAROYE ESÚ!!!

LAROYE ESÚ!!!

LAROYE ESÚ!!!

LAROYE ESÚ!!!

LAROYE ESÚ!!!

LAROYE ESÚ!!!

Inominável Ser
SEGUINDO
OS PASSOS
DE
SETE CATACUMBAS

sábado, 26 de dezembro de 2015

A Cada Osso, Rosa Caveira!



A cada osso,
Rosa Caveira,
Bota toda mandinga
Para queimar!

A cada osso,
Rosa Caveira,
Põe todo Egun
Para rodar!

A cada osso,
Rosa Caveira,
Amarra os pés
Dos maus!

A cada osso,
Rosa Caveira,
Parte para cima
De quem é do Mal!

A cada osso,
Rosa Caveira,
Protege teus recantos
Nas rondas dos cemitérios!

A cada osso,
Rosa Caveira,
Monta um cemitério
De alto poder!

A cada osso,
Rosa Caveira,
Bate em cada catacumba
E chama tua Falange!

A cada osso,
Rosa Caveira,
Ensina aos teus
O que é tua Gira!

A cada osso,
Rosa Caveira,
Lança para todos
Tua sabedoria!

A cada osso,
Rosa Caveira,
Levanta cada Caveira
Para A Guerra!

A cada osso,
Rosa Caveira,
Guerreies poderosa
Na vangarda!

LAROYE POMBOGIRA!!!

LAROYE POMBOGIRA!!!

LAROYE POMBOGIRA!!!

LAROYE POMBOGIRA!!!

LAROYE POMBOGIRA!!!

LAROYE POMBOGIRA!!!

LAROYE POMBOGIRA!!!

LAROYE POMBOGIRA!!!

LAROYE POMBOGIRA!!!

Inominável Ser
APRENDENDO
COM CADA OSSO
DA POMBAGIRA
ROSA CAVEIRA

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

MARCHA MARCHA MARCHA ASSIM MESMO, Ó, HUMANIDADE!!!



Vejam como marchamos,
Arrotando pelos cantos
E gritando pelo olho do cu
A nossa arrogância,
MARCHA
MARCHA
MARCHA
ASSIM MESMO,
Ó,
HUMANIDADE!!!

Vejam ali,
Uma menina sendo estuprada,
Um menino sendo estuprado,
Mas fechamos os olhos
E comemoramos Natais,
Anos-novos
E Carnavais,
MARCHA
MARCHA
MARCHA
ASSIM MESMO,
Ó,
HUMANIDADE!!!

Vejam,
Vejam bem mesmo,
Milhares passando fome
Seja na rua do Rio
Ou em ruas sangrentas
Da Síria
Ou nas áridas terras
D’África,
Vejam a nós mesmos
Comendo tudo que é
Possível
E negando até mesmo
A um mendigo
Um prato de comida
Ou um copo de água,
MARCHA
MARCHA
MARCHA
ASSIM MESMO,
Ó,
HUMANIDADE!!!

Vejam agora
O que paira
Sobre nós,
São as negras vestes
Da Desgraça,
Da Miséria
E da Maldição
Contemporâneas
A nos manchar
Com chuvas ácidas
A caírem vigorosamente
Assassinas,
MARCHA
MARCHA
MARCHA
ASSIM MESMO,
Ó,
HUMANIDADE!!!

Vejam agora
O sorriso aberto
Daqueles que querem
Toda nossa maior queda,
Ali mesmo há
Algum a manipular
O assassino,
O policial,
O juiz,
O médico,
O estudante,
O político,
O fanático,
O crente,
O idealista,
O machista,
A feminista,
Tudo,
Todos,
MARCHA
MARCHA
MARCHA
MARCHA
MARCHA
MARCHA
MARCHA
MARCHA
MARCHA
ASSIM MESMO,
Ó,
HUMANIDADE!!!

MARCHA
PARA TUA
DERROTA!!!

MARCHA
PARA TUA
QUEDA!!!

MARCHA
PARA TUA
COVA!!!

MARCHA
PARA TEU
ABISMO!!!

MARCHA
PARA TEU
INFERNO!!!

MARCHA
MARCHA
MARCHA
MARCHA
MARCHA
MARCHA
MARCHA
MARCHA
MARCHA
ASSIM MESMO,
Ó,
HUMANIDADE!!!

Inominável Ser
A MARCHAR
CONTRA
ESTA
HUMANIDADE


domingo, 20 de dezembro de 2015

Apenas Sei Morrer...



Está rompendo a aurora
De mais uma desgraça
Comemorativa
Desta Humanidade,
Um show de cus orgulhosos
Que peidam uma arrogância
Que,
Na verdade,
Não passa de um falso
Brilho tosco
De almas fodidíssimas.
Um corvo está aqui,
Voando em redor
Do meu cadáver,
Sussurrando através
Do vento
Palavras que possam atingir
Alguém que procure
Algumas verdades
Sobre a indecência que é
A desgraçada humana
Decadência.
Um corvo,
Uma mulher,
Presença nativa
De um antigo povo
Que habitava aqui
Na terra onde agora
Estou a pisar,
Uma nação de guerreiros,
Sábios
E imortais
Que ainda continua
Aqui.
Ela,
Corvo
De imemorial existência,
Corvo
De imemorial resistência,
Corvo
De imemorial essência,
Toca em algo mais
Que o silêncio interno
De minha alma
Trata de guardar…
Fica apenas na superfície
O sussurrar dela
Através do vento,
Triste,
Frio,
Melancólico,
Tremulante
Sussurrar…
E uma pergunta,
Que ela me faz
Como se cantasse
Cada letra
Daquela dentro
Do meu Ser:

“E quem segurará
A mão de cada cadáver
Que para a cova
Está velozmente
A caminhar?”

Não sei,
Corvo,
Te responder,
Apenas sei morrer…

Inominável Ser
QUE SOMENTE
SABE
MORRER