segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Apenas Estatísticas



Não há dor mais forte
Do que a dor do escarro
No meio da cara,
Escarro dado por todo dia
No qual o Humano Buraco
Cada vez mais se torna
Bastante profundo…

Meninas nuas estupradas
E mortas;
Meninos nus estuprados
E mortos;
Mulheres nuas estupradas
E mortas;
Homens nus estuprados
E mortos;
Meninas,
Meninos,
Mulheres
E homens
Esfaqueados mil vezes,
Baleados duas mil vezes,
Linchados três mil vezes:
Apenas estatísticas,
Apenas meros números
Para os pseudopríncipes
Que governam
As nações
Com os cus colados
Em cadeiras de couro
Presidenciais.

E lá vai o levante
Dos corvos,
Dos abutres,
Dos urubus,
Dos lobos
E dos chacais,
Comendo por aí
Cadáveres amontoados
De grande parte
Desta merda de Humanidade
Que não chega a ver
A velhice,
A idade da paz,
A idade da tranquilidade,
A idade da existencial
Apaziguação…

Nem mesmo este
Que melancólico exerce
O dever de aqui poetizar
Sobre os detritos
Da Desgraça Contemporânea,
Nem mesmo este aqui,
Inominável Poeta
Sem riquezas
E posses
Além da escrita,
Verá a velhice,
A paz,
A tranquilidade,
A apaziguação…

Este que vos escreve
Já idoso nascestes,
A aparência engana…

Este que vos escreve
Não tem paz,
Não tem tranquilidade…

Este que vos escreve
Não tem como apaziguar
A revolta…

A revolta por pertencer
A um mundo
E a uma Humanidade
Totalmente absortos
No Vômito das Esferas.

Morre mais um agora,
Um menino estuprado
Por dez pedófilos,
Em um ato filmado
Para ser exibido
Aos milhões de monstros
Da Deep Web.

“Estatísticas”,
Dizem os que governam
As nações de merda
Deste mundo de merda,
“As estatísticas”.

Inominável Ser
CANSADO
DESTA PORRA
DE MUNDO
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