domingo, 20 de dezembro de 2015

Apenas Sei Morrer...



Está rompendo a aurora
De mais uma desgraça
Comemorativa
Desta Humanidade,
Um show de cus orgulhosos
Que peidam uma arrogância
Que,
Na verdade,
Não passa de um falso
Brilho tosco
De almas fodidíssimas.
Um corvo está aqui,
Voando em redor
Do meu cadáver,
Sussurrando através
Do vento
Palavras que possam atingir
Alguém que procure
Algumas verdades
Sobre a indecência que é
A desgraçada humana
Decadência.
Um corvo,
Uma mulher,
Presença nativa
De um antigo povo
Que habitava aqui
Na terra onde agora
Estou a pisar,
Uma nação de guerreiros,
Sábios
E imortais
Que ainda continua
Aqui.
Ela,
Corvo
De imemorial existência,
Corvo
De imemorial resistência,
Corvo
De imemorial essência,
Toca em algo mais
Que o silêncio interno
De minha alma
Trata de guardar…
Fica apenas na superfície
O sussurrar dela
Através do vento,
Triste,
Frio,
Melancólico,
Tremulante
Sussurrar…
E uma pergunta,
Que ela me faz
Como se cantasse
Cada letra
Daquela dentro
Do meu Ser:

“E quem segurará
A mão de cada cadáver
Que para a cova
Está velozmente
A caminhar?”

Não sei,
Corvo,
Te responder,
Apenas sei morrer…

Inominável Ser
QUE SOMENTE
SABE
MORRER
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