quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

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Me dê um motivo
Para amar
E,
Talvez,
A faca no seu pescoço
Eu não enterre.

Me dê um motivo
Para odiar
E,
Provavelmente,
Um abraço de mim
Você receberá.

As companhias
Que melhor
Me afagam
Não possuem
Carne,
Nem possuem
Vestes,
São
Nadas…

Eu aqui
Nesta latrina
Planetária,
Mereço apenas
A companhia dos cães,
Dos gatos,
Das formigas,
Das baratas
E até dos lagartos.

Sou o inseto
Que Kafka via
Ao acordar,
Um filho nada fidalgo
Da corte de alguma
Rainha Torturadora
De poetas que
Abandonaram
Seus Verdadeiros
Nomes.

Como inseto,
Meu vôo vai perto
O bastante
Da altitude chamativa
De uma ponte
Sobre uma rodovia?

Eu pulo?

Pulo de cabeça?

Pulo de costas?

Pulo de olhos abertos?

Pulo de olhos fechados?

Eu corro,
Eu morro correndo,
Correndo para fora
Do que há lá fora,
Correndo para dentro
Do que há em mim!

E o que há em mim
Nunca vai amar
Alguém além
Da minha genitora.

O que há em mim
Vai sempre odiar
Toda
E qualquer
Pessoa.

É o meu jeito,
O meu hino,
O meu ritmo,
A minha saga,
A minha narrativa,
O meu livro.

Inominável Ser
MAIS PROPENSO
A ODIAR
DO QUE
A AMAR
Reações:

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