terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Estranha Mulher Da Madrugada



Aqui dentro ruge
Uma angústia pesada,
Trazendo-me mortalhas
Que caem em meu redor
Nas amarras das madrugadas.
Mas,
Ainda tenho tempo
Para fumar um charuto,
Fumar um cigarro,
Beber um vinho,
Beber uma cachaça…
E pensar em você,
Estranha mulher
Da madrugada.

(A mão da punheta
Range,
Meu pau quer
Brincar um
Instante,
Me seguro
Um segundo…)

Ou seria uma conhecida
Mulher da madrugada?
Talvez,
Em muitas que encontro
Em meus devaneios
De solitário bardo
Muito ligeiro,
Vejo metade do teu
Estranho rosto,
Grande parte do teu
Estranho sorriso,
Mínimos brilhos dos teus
Estranhos olhos…
E te desejo muito mais
Do que qualquer outra.

(A mão da punheta
Range,
Meu pau quer
Brincar um
Instante,
Me seguro
Dois segundos…)

Outra que não teria
A sedutora estranheza
Que me cabe definir
Diante da tua semelhança
Com muitas outras donas
Que para mim
Também foram bem
Estranhas…
Pequenas estranhas,
Tolas,
Frágeis,
Humanas.
Você,
Estranha mulher
Da madrugada,
Tem em si
O odor da
Imortalidade,
O sabor
Da Eternidade,
O licor
Do Infinito.
Ou estou louco
Realmente,
Delirando sobre
Mais uma mulher
Bem longe
Dos meus apelos
Ardentes?

(A mão da punheta
Range,
Meu pau quer
Brincar um
Instante,
Me seguro
Três segundos…)

Ardentes estão agora
Os meus pulmões,
Fumei
Prá caralho,
Bebi
Prá caralho,
Me fodida
Prá caralho
Tentando aquecer-me…
Nesta madrugada
Há calor,
Mas em meu redor
Sinto apenas
O frio bem dotado
Da Deusa Solidão.
E você,
Estranha mulher
Da madrugada
Que sempre me envolve
Entre o sono
E o despertar
Me traz sempre
Uma surpresa,
Um presente,
Uma certeza:


A surpresa morre quando acordo

O presente quebra-se quando adormeço

A certeza de que você sempre me escapa é

Clara

Firme

E estranhamente arruinante da minha

Estranha alma


(A mão da punheta
Range,
Meu pau quer
Brincar um
Instante,
Não me seguro
Nem mais
Um
Dois
Três
Segundos…)

Inominável Ser
PENSANDO
DESEJANDO
E QUASE TOCANDO
AGORA
UMA ESTRANHA MULHER
DA MADRUGADA
Reações:

0 Lamentos Finais De Cadáveres: