domingo, 28 de fevereiro de 2016

Encontro Com Uma Noturna Dama Inominável


Ultrapasso os Montes de Sangue da Tia Bathory; colho o Orvalho de Perséfone; agito a cabeleira pubiana de Príapo; admiro uma Orgia em Tit Aisoun; aprendo um pouco de Feitiçaria com minha Guardiã Maria Padilha; ouço um conselho do meu Guardião Tranca-Rua; atravesso a Rua Da Desgraça, a Rua Da Dor, a Rua do Desespero, a Rua do Sofrimento, a Rua da Miséria, a Rua da Maldição… E chego ao Teu encontro onde jamais o sol nasce e toda sombra fala todo nome que até mesmo Deuses não ousam falar… 



Algo Sibila Agora…


E Tu me aguarda
Com um desdém
A disfarçar
O prazer de me ver
Suado
E cansado
De tanto caminhar.


Algo Está A Sempre Sibilar…


Teu cigarro emite
Uma fumaça
Me inebriando muito,
Agora consegue
Me ouvir,
Consegue fazer de conta,
Pelo menos,
Que estou aqui?


Algo Sibilante Rasteja…


O que eu vou fazer
Contigo agora?
Teu rosto
É O Frio,
Teu corpo
É O Fogo,
Teu olhar
É O Todo,
Teu sorriso
É O Nada…


Algo Sibilante Dança…


Carrego aqui no bolso
Um vazio
E no meio das pernas
Um monstro inútil
No mundo dos
Humanos…
Por que,
Porra,
Tu me chamastes
Aqui?


Algo Sibilante Corre…


Para zombar
De mim?
Para gozar
Da minha cara?
Para rir
Da minha história?
Para me desprezar
Como dançarinas
Do ventre
E do vento
Me desprezaram?


Algo Sibilante Grita…


O que é que
Te leva a querer
Aqui
A minha companhia?
Eu sou engraçado?
Eu sou maluco?
Eu sou risível?
Eu sou desprezível?
Eu sou imprestável?
Eu sou ridículo?


Algo Sibilante Se Cala…


Por que eu?
Por que?
Por que eu,
Aqui,
Contigo?


Algo Sibilante Sussurra…


“Porque É Assim Que Tem Que Ser. Você Me Chama E Eu Vou; Eu Te Chamo E Você Vem. Lembras Quando Acendias Uma Vela Vermelha Que A Mim Consagravas Com Vosso Esperma? Aquele Rito Nos Casou Eternamente, Meu Poeta E Tradutor, Mesmo Que Tu Sejas Apenas Um Humano, Ainda, Uma Raça Que Odeio. Não Peço Teu Esperma Agora, Quero Apenas A Tua Companhia. Não Quero Teu Sangue Agora, Quero Ouvir A Tua Voz. Não Quero Mais Nada Agora, Apenas Fale Comigo. Talvez Até A Tua Morte Eu Pare De Desejar… Depende Apenas De Ti Mudar Este Meu Desejo, Inominável Ser.”


Algo Que Me Morde…


Eu me aproximo
Da cama Dela.
Eu sento
Na cama Dela.
Ela apóia os pés
Em minhas costas.
Eu começo a falar
De toda minha trajetória.
Ela escuta,
Ela quer escutar,
Ela sempre quis escutar.
Eu falo,
Eu quero falar,
Eu sempre quis falar.
E conversamos agora,
Conversamos sempre,
Conversamos
Eternamente.


Algo Mordendo-Me A Alma…


E inúmeras serpentes
Saem de minhas
Costas.
Um dragão
Sai de meu
Peito.
Um lobo
Nasce de meu
Abdômen.
Uma águia
Nasce de minha
Cabeça.
E das minhas mãos
Brotam folhas
Em branco
E penas.


Algo Mordendo-Me A Mente…


Enquanto continuo
Falando
E Ela me ouvindo,
Mais papéis
E penas
Vão brotando.


Algo Mordendo-Me O Corpo…


E da Vulva
Da Noturna Dama
Inominável
Que sempre encontro
E sempre estou
A conversar
Advém uma música
Que poucos
Na Terra
Ouviram,
Ouvirão
E estão agora
A Ouvir:


A Música
Da Inominável
Serpente
Que A Humanidade
Conhece Como
Lilith,
Mas Que
Na Anticósmica
Verdade
Nenhum Nome
Lhe Traduz
A Infinidade.


Algo Mordendo-Me O Ser…


Algo Mordendo-Me O Ter…


Algo Mordendo-Me O Ousar…


Algo Mordendo-Me O Ver…


Algo Mordendo-Me O Calar…


Inominável Ser
NO ETERNO
ENCONTRO
COM
A INOMINÁVEL
QUE SIBILA




sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

As Poéticas Trevas Nós Somos



A descida ao mundo
dos nossos mortos
está garantida.
Ouça essa voz estranha
que nos chama,
façamos a caminhada
em direção à fogueira
dentro do Vale
Dos Crânios…

As visitas se foram,
as belezas esgotaram-se,
o azul do céu
e a luz solar
estão mortos
em nossos caminhos.

As coisas belas
se tornaram ruínas,
lábios puros
não temos
e nem mesmos
os lábios impuros
podemos beijar.

Não temos amigos
do lado de cá
da Corrente,
nem os temos
do lado de lá
da Serpente.

Não temos famílias
e abortamos nossos
malditos filhos
ao raiar do primeiro dia
do último ano
de nossas vidas.

Não descansamos
em sedosos leitosos,
não sorrimos
para as humanas
tolices,
não andamos
lado a lado
com os imbecis
humanos.

Estamos sozinhos,
estamos sangrando,
estamos pedindo ajuda
a este poeta
que nos atende
com sua pena…

Estamos morrendo
múltiplas mortes,
revivendo outras mortes
e engolindo nossas
agonias retorcidas
a cada virada
de esquina…

Estamos loucos,
estamos feridos,
estamos sangrando
e escondendo
o nosso sangue
derramado…

Pedimos socorro,
mas quase ninguém
nos ouve…

Pedimos socorro
e apenas este poeta
na cova dele
nos dá voz…

Pedimos socorro,
por favor,
acendam velas por nós
diante de rios de esgoto,
poças de lama,
casas abandonadas,
lixões,
qualquer lugar
longe de templos
que nunca nos recebem!

Nós somos Eternos,
Os Eternos Viajantes
Melancólicos,
em uma peregrinação
em busca de ajuda
para que possamos
deixar de caminhar
sobre o maldito
Planeta Terra…

Obrigado,
Inominável Ser,
por nos ouvir.

Muito obrigado,
Inominável Ser,
por nos ouvir,
receber
e ajudar.

As Trevas oram
em poesias
por você.

As Poéticas Trevas
Nós Somos.

Inominável Ser
UM DOS
INTÉRPRETES
DOS INSPIRADORES
DE TODO
POEMA SOMBRIO





quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Occultus Meditatio Aeternus



Evoco a mim mesmo
Nesta meia-noite,
A hora dos Feiticeiros
E dos Bruxos,
Dos Magos
E dos Magistas,
De Nyx
E Hecate,
De Kain
E Hades,
De Lilith
E Baphomet,
De Selene
E Erekshigal,
De Perséfone
E Esú,
De Fenrir
E Pombogira,
De Satan
E Morrigan,
De Anúbis
E Hela!

Evoco como o planejador
Da minha morte
Para o mundo das misérias
Que me ronda,
Para o círculo das maldições
Que me roem,
Para a prisão das desgraças
Que em mim rugem!

Evoco ao Verdadeiro Eu
Entre os recônditos ocultos
De meu Inominável Ser,
Inominavelmente
Caminhando para dentro
De mim mesmo,
Inominavelmente
Navegando por dentro
De mim mesmo,
Inominavelmente
Viajando para dentro
De mim mesmo!

Evoco despindo-me
Desta carnal veste
Que envelhece,
Desta personalidade
Que apodrece,
Desta individualidade
Que entorpecente,
Desta consciência
Que ilude!

Evoco afogando-me
Na Inconsciência,
Gerando atritos
Em minha Essência,
Somando conflitos
Ao meu Infindo,
Experimentando novos
Universos
Em meu Microcosmo,
Criando novas
Criações
Em meu Macrocosmo!

Evoco
Sendo O Coveiro
De Mim
Mesmo!

Evoco
Sendo A Cova
Em Mim
Mesmo!

Evoco
Sendo O Abismo
De Mim
Mesmo!

Evoco
Sendo O Abismal
Em Mim
Mesmo!

Evoco
Sendo O Poema
De Mim
Mesmo!

Evoco
Sendo A Poesia
Em Mim
Mesmo!

Evoca
Sendo O Sombrio
Nas Trevas Minhas
Enforcado!

Evoco
Sendo O Sombrio
Nas Luzes Minhas
Enforcado!

Evoco
Sendo
O
Inominável!

Inominável Ser
EVOCADO