segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A Serpente, A Leoa E A Loba - Canto I



Estava eu na falta de plenitude
Em um caminho sem lar
E o meu sangue sete vezes caiu
Para a inglória do meu
Estar.
Eu tentava me erguer
Em meio aos assombros
Do meu primeiro sangue
Que caiu.
Eu tentava sonhar alto
Em meio aos desencontros
Do meu segundo sangue
Que se partiu.
Eu tentava navegar
No mar mais plácido
Do meu terceiro sangue
Que me pariu.
Eu tentava sondar
A agrura das ondas do negro mar
Do meu quarto sangue
Que surgiu.
Eu tentava enfrentar
As feras dos danos mil
Do meu quinto sangue
Que insurgiu.
Eu tentava aplacar
A fúria do anil
Do meu sexto sangue
Que se incluiu.
Eu tentava ceder
Aos enxames de leis
Do meu sétimo sangue
Que virou fel.
A arma estava aqui,
Bem aqui,
Os corvos inimigos
Cantavam meu nome
Diante da amarga perdiz.
Perdi o oriente,
Perdi o ocidente,
Cego eu estava
E mui doente,
Dejeto eu estava
E mui decadente,
Despejo eu estava
E mui cadente…
Desesperos roncavam,
Palpitavam em mim
Corações dilacerados,
Preciosamente caindo estava
Meu coração gelado,
Eu estremecia de frio
No calor arruinante
Dos dias e das noites
Que me eram
Presentes…
Alimentava-me de vermes
E os vermes vociferavam
Que eu sou como eles,
Vomitante arremedo de gentinha
Com ar de bardo crente…
“Crente em quê?”,
Perguntei aos vermes
Que ingeri.
“Crente no quê?”,
Perguntei aos vermes
Que me ingeriam.
“Crente para quê?”,
Perguntei aos vermes
Que me digeriam.
A resposta de cada indagação
Foi o toque do vômito meu
Pelas ruas nas quais
Meu corpo arrastou-se…
E a arma…
Aquela arma…
A arma…
Comigo…
Comigo continuou
Aquela arma,
Uma arma que trago
De várias Existências,
Uma arma que me traga
Há várias Existências…
A arma em uma madrugada
Ressoou em mim
Como uma força nova
Que me despertou para uma
Realidade nova.
Eu ouvi
O Primeiro Cavalgar…
Eu ouvi
O Segundo Cavalgar…
Eu ouvi
O Terceiro Cavalgar…
Diante dos mínimos
Esforços meus
Em erguer meu olhar,
As Cavalgadas se fizeram
Mais fortes aos meus
Humanos vencidos ouvidos
De humano ímpar!
O Cavalo Vermelho
À minha frente
Parou!
Me ergui uma vez,
Uma Primeira Força
Me regou!
O Cavalo Dourado
À minha frente
Parou!
Me ergui uma segunda vez,
Uma Segunda Força
Me regou!
O Cavalo Negro
À minha frente
Parou!
Me ergui uma terceira vez,
Uma Terceira Força
Me regou!
O Machado me fez
Chorar alegremente
Uma vez!
A Espada me fez
Chorar alegremente
Uma segunda vez!
O Punhal me fez
Chorar alegremente
Uma terceira vez!
Era
A Serpente!
Era
A Leoa!
Era
A Loba!
A
Serpente Lilith!
A
Leoa Babalon!
A
Loba Hecate!
As Três Mães
Em
Uma Mãe!
As Três Mães
Das
Esferas Noturnas!
As Três Mães
Das
Altas Feras Noturnas!
As Três Mães
Da
Minha arma:
A minha pena!
As Três Mães
Da minha Alma,
Minhas Três Mães
Rudes E Serenas!




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