sábado, 6 de fevereiro de 2016

Do Silêncio E Da Solidão



Entregando os meus pontos,
não ouço nada mais além
do ventilador ligado
no quarto da minha mãe,
a geladeira ligada
na cozinha,
um grilo cantando
aqui no meu quarto
e ao longe ouço
a música tocada para
aqueles que não sabem
ser solitários
comemorando mais uma
inútil festividade…

Qualquer outro fugiria
deste tipo de doença,
o termo politicamente
incorreto
dado aos que saboreiam
no silêncio
e na solidão
o adentrar em si mesmos…

Somos raros,
nós,
os silenciosos
de um mundo
que preza pelo
barulho,
os solitários
que preferem
a si mesmos…

Somos deixados de lado
ou deixamos tudo e todos
de lado:
o que importa?

Não importa,
somos Cobains
com as almas arrebentadas
por escopetas,
lentamente narrando
a nossa estranheza
em meio a tanta
humana pobreza…

Somos como Cobain,
almas atormentadas,
inadaptadas ao mundo,
descartando o vazio
das humanas companhias
e na pele dos gatos
vagando pelos telhados…

Todos os silenciosos
e solitários
possuem tudo de Cobain
n’alma…

Então,
como ele,
porque não nos
matamos?

Por que
não há um
suicídio mundial
em massa?

A Deusa Silêncio
Responde…

A Deusa Solidão
Responde…

O barulho bem longe
sempre há de obliterar
as consciências daqueles
que preferem
A Deusa Barulho
e A Deusa Companhia
no sentido da
Resposta
que as Duas dão
a todos eles
neste exato momento.

E eu,
silencioso deste mundo
entre milhões ou bilhões
de silenciosos,
solitário deste mundo
entre milhões ou bilhões
de solitários,
ouço diariamente
a minha
Resposta…

Todos nós,
os silenciosos,
os solitários,
ouvimos
A Resposta…

Inominável Ser
CALANDO-SE
ACERCA
DA RESPOSTA



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