terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Nesta Hora De Desregrados




Veja o relógio batendo na parede,
saboreie o quebrar do silêncio,
ouça mais a fundo o grito
daquele que agora morre
degolado em algum canto
da sarjeta do desespero…
Está vendo,
garota saborosa
que chega fumante
de todas as inglórias?
Sim,
sei que está jogando agora
a porra da fumaça
da porra do seu cigarro
em mim agora…
Sim,
sei que está agora
bem atrás de mim
vendo-me digitar esta loucura
que mais uma madrugada
de viagem para dentro
de mim mesmo
me proporciona…
Sim,
sei que está me cumprimentando
como pode,
afinal de contas,
como eu,
a senhorita não é das mais
agradáveis,
falantes
e simpáticas…
Me deixe fumar um pouco,
me deixe sentir algo
que me dê algum prazer,
algum tipo de lazer,
algum tipo de querer…
Não estou de mimimi,
não!
Por que estaria choramingando
se basto a mim mesmo,
assim como a senhorita
se basta a si mesma?
Não precisamos de malditas
inúteis companhia!
Não precisa da porra
de uma humana companhia!
Não preciso das mentirosas
merdas de todas as
humanas companhias!
Não preciso de você!
Não preciso!
Mas…
Fique mais um pouco,
jogue em mim mais fumaça
e converse um pouco mais
comigo aqui nesta cova…
Muito obrigado pela sua
atenciosa atenção
com este poeta escroto
que vos fala…
Muito,
muito,
muito…
Obrigado…


Inominável Ser
UM POETA
ESCROTO
BEM ACOMPANHADO
POR UMA FUMANTE
DAS TREVAS



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