sábado, 23 de abril de 2016

Uma Fumaça


Não,
Não me olhe
Assim,
Não sou a puta
Ou um puto
Que todo dia
Você come,
Homenzinho de pau
Pequeno,
Médio
Ou grande,
Nem sou uma vadia
Ou um vadio
Ao teu alcance.

Também não danço
A tua dança,
Mulherzinha que acha
Que toda mulher
Deva ser uma puta
Ou uma escrava,
Eu sou puta
Para ficar fora
Da tua laia,
Te faço minha escrava
Se cair na minha laia,
Sendo eu
Uma mulher
Ou um homem.

Igualmente,
Gentinha escrota
Da humana sociedade, 
Eu cago acima de cada
Religião,
Eu mijo na cara de todos os
Políticos,
Eu vomito nas mesas de todos os
Acadêmicos,
Eu cuspo na cara
De cada um de vocês,
Merdas covardes do caralho
Sem coragem para
Sairem da vala
Do nascer, 
Crescer,
Foder, 
Procriar,
Envelhecer,
Morrer
E renascer
Nesta porra fodida
De planeta!

Quem eu sou
Para ofendê-los,
Cachorros
E cadelas?

Quem eu sou
Para xingá-los,
Jumentos
E jumentas?

Quem eu sou
Para desprezá-los,
Ratos
E ratas?

Eu sou uma fumaça,
Alguém que chega
E evapora,
Uma mulher 
Ou um homem
Tendo a consciência
De ser uma
Estrela vagabunda
De nenhum brilho
Que é melhor
Do que todas as desgraças
Que todas as suas buscas
Por brilhantes estrelas
Constroem neste
Buraco fedido fodido
Que vocês chamam
De mundo.

Sou uma fumaça,
Sempre serei
Uma fumaça...

Vocês são pó
Que apodrece
Com o passar
Dos insanos anos
De vossos ânus...

Quem está mesmo,
Dentre nós,
Vermes humanos,
Em uma melhor posição
Na Escala Cósmica?

Eu,
Uma fumaça...

Inominável Ser
UM PÓ
COM RIDÍCULAS
PRETENSÕES
DE UM DIA SER
UMA FUMAÇA




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