terça-feira, 12 de abril de 2016

Uma Invisível Dignidade Aos Olhos Da Desgraçada Humana Multidão



Dignidade mesmo na lama
Mais podre deste Universo;
Dignidade até nas chamas
Incendiando tudo por todo lado;
Dignidade saboreando o caro
Tempero da noite envenenada;
Dignidade relatando em estigmas
A desfaçatez dos dias envenenados;
Dignidade conectada com toda
A desestruturação desta Realidade:
A nossa dignidade diante
Da vazia morada onde gritam
Nossos Anjos degolados,
Demônios esfolados
E Deuses empalados.

Estamos sendo decorados com
Esgoto de muita alma,
A pressa dos fatos nos devora,
As chacinas vomitam a todo
Momento dentro das ruas
Onde ouvimos as vozes de
Tanto sangue derramado,
Vozes que imitam os cantos
De pássaros moribundos
Nas mãos de mendigos
Existencialmente aleijados.

E nós mantemos dignos
Nessa pocilga,
Neste reduto de traidores
Seguindo fodidas bandeiras,
Neste cortiço de assassinos
Guiados pelo bezerro de ouro
Da contemporaneidade
Que se chama dinheiro,
O dinheiro que não compra
Nenhum verdadeiro sorriso,
Nenhum verdadeiro riso,
Nenhum verdadeiro tesouro,
Nenhuma verdadeira puta,
Nenhuma verdadeira felicidade,
Nenhuma verdadeira propriedade,
Nenhuma verdadeira essência,
Nenhuma verdadeira decência,
Nenhuma verdadeira dignidade…

Mas,
Realmente,
Meus caros dignos sagrados irmãos
Nas Sendas Da Deusa Solidão,
Quem além de nós pode ver
A Santa Guilhotina pronta para
Descer a fim de decapitar
A Raça Humana?

Quem pode sentir além de nós
A aproximação do Holocausto,
O Verdadeiro Holocausto,
O Grande Colapso
De toda humana gente?

Quem pode conceder a si mesmo,
Além de nós,
Um meditativo momento
Para contemplar a quebra
De todos os alicerces
Do Humano Templo Existencial?

Ninguém além.

Ninguém perto.

Ninguém que vai ainda chegar.

Ninguém que já chegou.

Ninguém ao norte.

Ninguém ao sul.

Ninguém ao leste.

Ninguém ao oeste.

Ninguém ao centro.

Ninguém aqui dentro.

Ninguém lá fora.

Ninguém que nos perceba,
Somos Invisíveis
Em ilhas que governamos
Dentro de nossos próprios
Deteriorados mundos.

Ninguém que perceba,
No Visível
E no Invisível,
A Grande Marcha
Da Desgraça Contemporânea
Solitariamente avançando
E arrasando tudo
Com Suas Garras
Nefastas.

Dignamente,
Nós,
Os Invisíveis Solitários
Da Terra,
Os desérticos
E isolados
Distantes dos iludidos
E esfomeados
Cidadãos terrestres,
Apenas observamos esta
Empreitada.

Dignamente,
Lamentamos.

Dignamente,
Sofremos.

Dignamente,
Oramos.

Oramos para que
Tal empreitada
Logo se conclua
Com todo sucesso.

Esta Humanidade
Já está em pó.

Inominável Ser
UM
INVISÍVEL
OBSERVADOR




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