terça-feira, 31 de maio de 2016

No Inferno - Cruz e Sousa


Charles Baudelaire 


 Mergulhando a imaginação nos vermelhos Reinos feéricos e cabalísticos de Satã, lá onde Voltaire faz sem dúvida acender a sua ironia rubra como tropical e sangüíneo cáctus aberto, encontrei um dia Baudelaire, profundo e lívido, de clara e deslumbradora beleza, deixando flutuar sobre os ombros nobres a onda pomposa da cabeleira ardentemente negra, onde dir-se-ia viver e chamejar uma paixão.

 A cabeça triunfante, majestosa, vertiginada por caprichos d'onipotência, circulada de unia auréola de espiritualização e erguida numa atitude de vôo para as incoercíveis regiões do Desconhecido, apresentava, no entanto, imenso desolamento, aparências pungentes de angústia psíquica, fazendo evocar os vagos infinitos místicos, as supremas tristezas decadentes dos opulentos e contemplativos ocasos...

 Como que a celeste imaculabilidade, a candidez elísea de um Santo e a extravagante, absurda e inquisidora intuição de um Demônio dormiam longa e promiscuamente sonos magos naquela idea e assinalada cabeça.

 A face, branca e lânguida, escanhoada como a de um grego, destacava calma, num vivo relevo, dentre a voluptuosa noite de azeviche molhado, poderosa e tépida, da ampla cabeleira.

 Nos olhos dominadores e interrogativos, cheios de tenebroso esplendor magnético, pairava a ansiedade, uma expressão miraculosa, um sentimento inquietador e eterno do Nomadismo...

 A boca, lasciva e violenta, rebelde, entreaberta num espasmo sonhador e alucinado, tinha brusca e revoltada expressão dantesca e simbolizava aspirar, sofregamente, anelantemente, intensos desejos dispersos e insaciáveis.

 Parecia-me surpreender nele grandes garras avassaladoras e grandes asas geniais arcangélicas que o envolviam todo, condoreiramente, num vasto manto soberano.

 Era no esdrúxulo, luxuoso e luxurioso parque de Sombras do Inferno.

 Em todo o ar, d'envolta com um cheiro resinoso e acre de enxofre, evaporizava-se urna azulada tenuidade brumosa, fazendo fugitivamente pensar no primitivo Caos donde lenta e gradativamente se geraram as cores e as formas...

 Como que diluente, fina harmonia de violinos vagos abstrusamente errava em ritmos diabólicos...

 Árvores esguias e compridíssimas, em alamedas intermináveis e sombrias, lembrando necrópoles, apresentavam troncos estranhos que tinham aspectos curiosos, conformações inimagináveis de enormes tóraces humanos, fazendo pender fantásticas ramagens de cabelos revoltos, desgrenhados, como por estertorosa agonia e convulsão.

 Pelas longas alamedas exóticas do fabuloso parque, deuses hirsutos, de patas caprinas e peluda testa cornóide, riam com um riso áspero de gonzo, numa dança macabra de gnomos, cabriolando bizarros.

 De vez em quando, as suas asas fulgurantes, furta-cores e fortes, ruflavam e relampejavam...

 Baudelaire, no entanto, suntuoso e constelado firmamento de alma refletindo em lagos esverdeados e mornos, donde fecundas e esquisitas vegetações como que sonâmbula e nebulosamente emergem, estava mudo, imóvel, com o seu perfil suavemente cinzelado e fino, fazendo lembrar a figura austera e altiva, a alada graça perfeita de um deus de cristal e bronze, — tranqüilamente de pé, como num sólio real, na posição altanada de quem vai prosseguir nos excelsos caminhos dos inauditos Desígnios...

 Por conhecer-lhe os ímpetos, as alucinações da audácia, as indomabilidades estesíacas, os alvoroços idiossincráticos da Fantasia, eu imaginava encontrá-lo, vê-lo revoltamente arrebatado para os convulsos Infinitos da Arte por potentes, negros e rebelados corcéis de guerra.

 Mas, a sua atitude serena, concentrada, isolada de tudo, traía a meditação absorvente, fundamental, que o encerrava transcendentemente no Mistério.

 E eu, então, murmurei-lhe, quase em segredo:

— Charles, meu belo Charles voluptuoso e melancólico, meu Charles nonchalant, nevoento aquário de spleen, profeta muçulmano do Tédio, ó Baudelaire desolado, nostálgico e delicado! Onde está aquela rara, escrupulosa psicose de som, de cor, de aroma, de sensibilidade; a febre selvagem daqueles bravios e demoníacos cataclismos mentais; aquela infinita e arrebatadora Nevrose, aquela espiritual doença que te enervava e dilacerava? Onde está ela? Os tesouros d'ouro e diamante, as pedrarias e marchetarias do Ganges, as púrpuras e estrelas dos firmamentos indianos, que tu nababescamente possuíste, onde estão agora?

 Ah! se tu soubesses com que encanto ao mesmo tempo delicioso e terrível, inefável, eu gozo todas as tuas complexas, indefiníveis músicas; os teus asiáticos e letíficos aromas de ópios e de nardos; toda a mirra arábica, todo o incenso litúrgico e estonteante, todo o ouro régio tesourial dos teus Sonhos Magos, magnificentes e insatisfeitos; toda a tua frouxa morbidez, as doces preguiças aristocráticas e edênicas de decaído Arcanjo enrugado pelas Antiguidades da Dor, mas inacessível e poderoso, mergulhado no caos fundo das Cismas e de cuja Onisciência e Onipotência divinas partem ainda, excelsamente, todos os Dogmas, todos os Castigos e Perdões!

 Oh! que demorados e travorosos sabores experimento com o quebranto feminil das tuas volubilidades Mentais de bandoleiro...

 Essa alma de funestos Signos, como que gerada dentro de atordoante e feiticeiro sol africano, com todas as evaporações flamívomas, com todas as barbarias das florestas, com todo o vácuo inquietante, desolador, inenarrável, dos desertos, flexibiliza-se, vibratiliza-se, adquire suavidades paradisíacas de açucenais sidéreos, do céu espiritualizado pelos mortuários círios roxos dos ocasos...

 Açula-me a desvairadora sede, espicaça-me a ansiedade indomável de beber, de devorar, sorvo a sorvo, sofregamente, o extravagante Vinho turvo, de lágrimas e sangue, que orvalha, como um suor de agonias, todas essas olímpicas e monstruosas florações do teu Orgulho.

 Ah! se tu soubesses como eu intensamente sinto e intensamente percebo todos os teus alanceados, lacerados anseios, todas as suas absolutas tristezas dormentes e majestosas, o grande e longo chorar, o desmantelamento vertiginoso das tuas noites soturnas, as fascinadoras ondas febris e ambrosíacas da tua insana volúpia, as bizarrarias e milagrosos aspectos da tua Rebelião sagrada; a fulminativa ironia dolorida e gemente, que evoca melancolias de dobres pungentes de Requiem aeternam rolando através de um dia de sol e azul, vibrados numa torre branca junto ao Mar!... Como eu ouço religiosamente, com unção profunda, as tuas Preces soluçantes, as tuas convulsas orações do Amor! Como são fascinativos, tentadores e embriagantes os perfumosos falemos da tua sensação, os esquecidos Reinados enevoados e exóticos onde a tua clamante e evocativa Saudade implorativa e contemplativa canta, ondula e freme com lascívia e nonchalance! A tua inviolável e milenária Saudade, velha e antiga Rainha destronada, aventurosa e famosa, que erra nos brumosos e vagos infinitos do Passado, como através das luas amarguradas e taciturnas do tempo. A tua lancinante Saudade de beduíno, perdida, peregrinante por países já adormecidos nas eras, remotos, longe, nos neblinamentos da Quimera, onde os teus desejos agitados e melancólicos tumultuam numa febre de mundos multiformes de germens, em estremecimentos sempiternos; onde as tuas carícias nervosas e felinas sibaritamente dormem ao sol e espojam-se com sensualidade, num excitamento vital frenético de se perpetuarem com os aromas cálidos, com os cheiros fortes que impressionativos e afrodisíacos provocam, atacam, cocegam e ferem de extrema sensibilidade as tuas aflantes e capras narinas!

 Ah! como eu supremamente vejo e sinto todo esse esplendor funambulesco e todas essas magnificências sinistras do teu Pandemonium e do teu Te Deum!

 Ó Baudelaire! Ó Baudelaire! Ó Baudelaire! Augusto e tenebroso Vencido! Inolvidável Fidalgo de sonhos de imperecíveis elixires! Soberano Exilado do Oriente e do Letes! Três vezes com dolência clamado pelas fanfarras plangentes e saudosas da minha Evocação! Agora que estás livre, purificado pela Morte, das argilas pecadoras, eu vejo sempre o teu Espírito errar, como veemente sensação luminosa, na Aleluia fúlgida dos Astros, nas pompas e chamas do Setentrião, talvez ainda sonhando, nos êxtases apaixonados do Sonho...

 E a singular figura de Baudelaire, alta, branca, fecundada nas virgens florescências da Originalidade, continuava em silêncio, impassível, dolorosamente perdida e eternizada nas Abstrações supremas...

 E, enquanto ele assim imergia no Intangível azul, velhos deuses capros, teratológicos Diabos lúbricos e tábidos, desaparecidos desse egrégio vulto satânico, cismativo e sombrio, dançavam, saltavam, infernalmente gralhando e formando no ar quente, em vertigens de diabolismos, os mais curiosos e simbólicos hieróglifos com a flexibilidade e deslocamento acrobático e mágico dos hirsutos corpos peludos e elásticos...

 Mas, em meio do misterioso parque, elevava-se uma árvore estranha, mais alta e prodigiosa que as outras, cujos frutos eram astros e cujas grandes e solitárias flores de sangue, grandes flores acerbas e temerosas, flores do Mal, ébrias de aromas mornos e amargos, de dolências tristes e búdicas, de inebriamentos, de segredos perigosos, de emanações fatais e fugitivas, de fluidos de venenosas mancenilhas, deixavam languidamente escorrer das pétalas um óleo flamejante.

 E esse óleo luminoso e secreto, escorrendo com abundância pelo maravilhoso parque do Inferno, formava então os rios fosforescentes da Imaginação, onde as almas dos Meditativos e Sonhadores, tantalizadas de tédio, ondulavam e vagavam insaciavelmente...





E Ela Reina


Dar Queen - yigitkoroglu 


Sombras...

Ruínas...

Desgraças...

Misérias...

Maldições...

Lixo...

Vazio...

Corrupção...

Corrosão...

Estagnação...

Podridão...

Abominação...

E Ela Reina.

Carrascos arrastam aprisionados,
Executores penalizam Bestas,
Feras mastigam ossos,
Lobos saboreiam peles...

E Ela Reina.

Gritam muitos de dor,
A dor da Tortura,
A dor do Massacre,
A dor do Assassinato...

E Ela Reina.

Corações são lançados a Negros Mares,
Pulmões são enterrados em Negras Terras,
Línguas são assadas em Negras Fogueiras,
Olhos são perfurados em Negras Festas...

E Ela Reina.

Uivos são Negras Canções,
Gritos são Negros Louvores,
Gemidos são Negros Prazeres,
Lutas são Negros Esportes...

E Ela Reina.

O Dragão Negro Respira,
A Ceifadora Bate Asas,
A Loba Uiva,
A Leoa Ruge...

E Ela Reina.

A Serpente Sibila,
A Aranha Caça,
A Pantera Ataca,
O Escorpião Mata...

E Ela Reina.

Reina como Astrige,
A Rainha Coroada
Do Sexto Abismo
Cósmico.

Uma Negra Rainha.

Uma Negra Senhora.

Uma Negra Força.

Uma Filha Dileta Das Trevas.

Inominável Ser
HONRANDO
ASTRIGE
COM ESTES
VERSOS






segunda-feira, 30 de maio de 2016

Soneto - Fagundes Varela


Art by Guy Denning


 Desponta a estrela d'alva, a noite morre.
 E dôce a briza no arraial das flôres,
 Languidas queixas murmurando corre.

 Volúvel tribu a solidão percorre
 Das borboletas de brilhantes côres;
 Soluça o arroio; diz a rôla amores
 Nas verdes balsas d'onde o orvalho escorre.

Tudo é luz e esplendor; tudo se esfuma
 Às carícias d'aurora, ao céo risonho,
 Ao floreo bafo que o sertão perfuma!

 Porém minh'alma triste e sem um sonho
 Repete olhando o prado, o rio, a espuma:
— Oh! Mundo encantador, tu és medonho!





Como A Fumaça De Um Cigarro De John Constantine


Whiskey, cigarettes and demons - Felideus 


Na companhia da fumaça
Do meu cigarro cheio de
Cânceres metodicamente descarados,
Jogo meu torto tarot chupado
Por uma puta de podres dentes
E dou um cuspe na cara
Da sinfonia do acomodado
Que vê o mundo como um
Mar de rosas.
Não,
Acomodado do caralho,
O mundo não é um parquinho
De diversõezinhas baratas,
Vivemos todos numa bosta
Onde existem mais estupradores,
Assassinos,
Pedófilos
E ladrões
Do que pessoas justas
E santas.
Há luta em uma guerra
No Invisível,
Pelos Terrestres Abismos,
Ouça,
Se puder,
Os gritos de guerra
Dos dois lados da contenda...
Ouça o surdo gemido
Dos acorrentados
E dos torturados...
Ouça a rude música
Das espadas e lanças
Contra escudos e machados...
Ouça também o podre ruído
Da deterioração das ruas,
Um som vadio,
Um som cafona,
Um som escroto,
Um som vagabundo...
É o som do Dragão Homem,
Meu querido odioso
Acomodado de bunda gorda,
Nós somos O Adversário
De nós mesmos
E Aqueles Lá Embaixo
Não tem muita dificuldade
Em nos influenciar
Rumo em direção 
À Fossa...

Porém,
Tal qual a fumaça de um cigarro
De John Constantine,
Vou exorcizando meus Demônios,
Dançando sobre carvão em brasa,
Sorrindo sobre cadáveres
E olhando belos rabos de piriguetes
Que não me canso de foder
Enquanto você aí apenas
Acorda,
Come,
Caga,
Mija,
Cospe,
Procria,
Envelhece
E
Morre.

Inominável Ser
DANDO UMA TRAGADA
EM UM DOS CIGARROS
DE JOHN CONSTANTINE





domingo, 29 de maio de 2016

The Trial - Roger Waters / Bob Ezrin


Roger Waters - The Wall Live at Xcel Energy Center in 6/03/2010


Good morning, Worm, your Honor
 The Crown will plainly show
 The prisoner who now stands before you
 Was caught red-handed showing feelings

Showing feelings of an almost human nature
 This will not do
 Call the schoolmaster

I always said he'd come to no good
 In the end, your Honor
 If they'd let me have my way
 I could have flayed him into shape

But my hands were tied
 The bleeding hearts and artists
 Let him get away with murder
 Let me hammer him today

Crazy toys in the attic
 I am crazy truly gone fishing
 They must have taken my marbles away
 Crazy toys in the attic, he is crazy

Call the defendant's wife
 You little shit, you're in it now
 I hope they throw away the key
 You should've talked to me more often than you did

But, no, you had to go your own way
 Have you broken any homes up lately?
 Just five minutes, Worm, your Honor
 Him and me alone

Babe, come to Mother, baby
 Let me hold you in my arms
 M'Lord, I never wanted him to get in any trouble
 Why'd he ever have to leave me?
 Worm, your Honor, let me take him home

Crazy, over the rainbow
 I am crazy bars in the window
 There must have been a door
 There in the wall when I came in
 Crazy over the rainbow, he is crazy

The evidence before the court is incontrovertible
 There's no need for the jury to retire
 In all the years of judging I have never heard before
 Of someone more deserving the full penalty of law

The way you made 'em suffer
 Your exquisite wife and mother
 Fills me with the urge to defecate

Since, my friend, you have revealed your deepest fear
 I sentence you to be exposed before your peers
 Tear down the wall
 Tear down the wall, tear down the wall

Tear down the wall, tear down the wall
 Tear down the wall, tear down the wall
 Tear down the wall, tear down the wall
 Tear down the wall, tear down the wall

Tear down the wall, tear down the wall
 Tear down the wall, tear down the wall
 Tear down the wall, tear down the wall
 Tear down the wall, tear down the wall

Tear down the wall, tear down the wall
 Tear down the wall, tear down the wall



Bom dia, verme, sua excelência.
 A coroa pretende mostrar que
 O prisioneiro diante de você
 Foi pego em flagrante mostrando sentimentos
 Mostrando sentimentos de uma natureza quase humana;
 Isto não presta

Chamem o professor!

Sempre disse que não daria boa coisa
 No final, excelência.
 Se me deixassem fazer à minha maneira
 Eu o colocaria na linha.
 Mas minhas mãos estavam atadas,
 Os mais sensíveis e os artistas
 Perdoavam-lhe tudo.
 Deixe-me martela-lo hoje?

Louco,
 Macacos me mordam eu estou louco,
 Fui fisgado mesmo.
 Deveriam ter tomado minhas bolinhas de gude.
 Louco,
 Macacos me mordam, ele está louco

Chamem a esposa do réu

Seu bostinha agora você está nessa,
 Tomara que eles jogem a chave fora.
 Você deveria ter falado mais vezes comigo
 Mas, não!Tinha que ser do seu jeito,
 Destruiu muitos lares ultimamente?
 Apenas cinco minutos, verme, sua excelência,
 Ele e eu, sozinhos.

Filhiiiiiiiiiinho!
 Vem com a mamãe filhinho,
 Deixe-me segurá-lo em meus braços.
 Senhor nunca quis que ele causasse algum problema.
 Por que tinha que me deixar?
 Verme, sua excelência, deixe-me levá-lo para casa.

Louco,
 por trás do arco-iris, eu sou louco,
 Grades na janela.
 Deveria haver uma porta no muro
 por onde entrei!
 Louco
 Louco, por trás do arco-iris, ele é louco.

A prova apresentada à corte é incontestável,
 Não há necessidade do júri se retirar
 Em todos meus anos de magistrado nunca ouvi de um caso
 De alguém que merecesse tanto a pena máxima da Lei.
 A forma como fez sofrer,
 Sua exótica esposa e mãe,
 Me enche de vontade de defecar!
 Desde que, meu amigo,
 Você revelou seu medo mais profundo,
 Eu lhe sentencio a se expor aos seus semelhantes.
 Derrubem o muro!
 "Derrubem o muro! Derrubem o muro!"





sábado, 28 de maio de 2016

Minha Melhor Fantasia É A Do Seu Sangue Escorrendo Pelo Meu Corpo


Cigar by Khiria


Eu Fui Erguida Aos Altos Palácios Através Dos Ritos De Sangue Que A Mim Foram Feitos Nas Primeiras Eras Deste Mundo. Reinei Aqui Durante A Época Dos Homens E Mulheres De Ferro, Fogo E Asas, Um Mundo Corajoso, Um Mundo Ainda Vivo. Fui Deusa Entre Deuses, Demônio Entre Demônios, Nas Concepções Deste Detrito Que Hoje Vós Chamais De Civilização. Não Importa, Eu Ainda Reino Em Muitos, Minhas Vítimas Ainda Caem Aos Meus Pés, Como Tu, Meu Escravo. Você Me Deu Muito Sangue, Foi A Fera Maior Entre Os Homens E As Mulheres De Sua Época, Eu Adorei Cada Assassinato Por Ti Praticado! E O Que Eu Quero Agora? Meu Tributo De Sangue Final, Está Na Hora De Guiá-Lo Ao Meu Rubro Reino Além Dos Umbrais. Preparado? Sim, Sei Que Está, Meu Escravo, Sei Que Quer Isso, Sei Muito Bem... Ajoelhe-Se, Eu Vou Agora Entoar Um Cântico De Louvor À Sua Morte... Ajoelhe-Se... Ajoelhe-Se... Ajoelhe-Se...


Ajoelhe-Se,
 Meu Escravo,
 Sua Derrota
 Está Próxima.

Sou A Tua Senhora,
 A Senhora Do Sangue,
 Me Chame Por
 Qualquer nome.

Quer Ser Como Eu?
 Quer Ser Como Todos
 Antes De Ti?
 Quer Ser?

Então,
 Me Adore
 Realizando Para Mim
 Banhos De Sangue!

Me Adore,
 Realizando Em Mim
 Cada Um Dos Seus
 Sonhos De Sangue!

Me Adore,
 Devotando-Se A Mim
 Ao Romper Da
 Lua Negra!

Me Adore,
 Meu Escravo,
 Eu Sou Tua Chama,
 Eu Sou Tua Senhora!

Me Adore,
 Festeje A Tua Carne,
 Festeje Toda Carne
 DANDO-ME SANGUE!!!

SANGUE!!!

SANGUE!!!

SANGUE!!!

EU QUERO SANGUE!!!

DERRAME SANGUE!!!

DERRAME!!!

DERRAME PARA MEUS LÁBIOS!!!

DERRAME PELO MEU CORPO!!!

DERRAME PELO MEU SER!!!

DERRAME PELA MINHA ETERNIDADE!!!

DERRAME PELA MINHA COROA!!!

EU SOU A SENHORA DO SANGUE!!!

BEBEDORA DE SANGUE!!!

ESTUPRADORA DE VONTADES!!!

DERRAMADORA DE VIOLÊNCIAS!!!

PORTO A FOICE, A ESPADA, A FORCA, O PUNHAL E O MACHADO!!!

SOU IMPERATRIZ NO OUTRO LADO!!!

INFINDOS SÃO MEUS ESCRAVOS!!!

E EU QUERO MAIS ESCRAVOS COMO TU AOS MEUS PÉS!!!

ESCRAVOS QUE DERRAMEM SANGUE!!!

ESCRAVOS CUJO SANGUE EU DERRAMAREI!!!

DERRAME SANGUE, ESCRAVO, ENQUANTO NÃO TE MATO!!!

DERRAME!!!

DERRAME!!!

DERRAME!!!

E,
 De Preferência,
 O Vosso,
 Meu Querido Escravo...

O Vosso,
 Em Uma Taça
 De Prata
 Cravejada De Ossos.

Inominável Ser
 DEVOTO
 E ESCRAVO
 DA SENHORA
 DO SANGUE






She Walks In Beauty - Lord Byron - Tradução: Wagner Primo



Lord Byron 


She walks in beauty, like the night
Of cloudless climes and starry skies;
And all that's best of dark and bright 
Meet in her aspect and her eyes: 
Thus mellow'd to that tender light
Whin heaven to gaudy day denies.

One shade the more, one ray the less, 
Had half impaired the nameless grace
Which waves in every raven tress, 
Or softly lightens o'er her face;
Where thoughts serenely sweet express
How pure, how dear their dwelling-place.

And on that cheek, and o'er that brow, 
So soft, so calm, yet eloquent, 
The smiles that win, the tints that glow, 
But tell of days in goodness spent, 
A mind at peace with all below, 
A heart whose love is innocent!



Young Lord Byron - 1804


Ela caminha em beleza como a noite
De clima sem nuvens e céu estrelado;
E toda a perfeição da escuridão e da luz encontra-se
Em seu semblante e seus olhos
Dessa forma enternecida até esta luz suave
Que os céus ao dia fúlgido negam.

Uma sombra a mais, um raio a menos
Teria parcialmente danificado a indescritível beleza
Que ondula em cada negra trança de seu cabelo
E ternamente brilha em seu rosto;
Onde os pensamentos serenamente expressam 
Quão puro, quão querido é o lugar que habitam.

E nessa face, e sobre essa fronte
Tão gentil, tão suave contudo eloqüente,
Jazem o sorriso que conquista, as cores que dardejam
Mas que falam de dias em benevolência passados
Uma mente em paz com tudo
Um coração cujo amor é inocente!




sexta-feira, 27 de maio de 2016

Assim Poetiza Tyler Durden



Tyler Durden - J-Sloth


Eu conheço muitos que 
Levam porrada.
Muitos mesmo,
Gente que você aí,
Em sua merda de segurança
E conforto vomitado
Pelo seu capitalismo,
Nunca vai conhecer.
Gente que leva porrada
Na cara
Para poder se sentir viva
Nos esgotos do que você
Chama de cidades.
Gente que leva porrada
No peito
Para ver se o coração
Consegue sentir uma desgraça
Que você aí chama
De amor.
Gente que leva porrada
No estômago
Para conseguir cagar
Toda a lavagem que você aí
Idolatra no fast-food da esquina.
Gente que leva porrada
Na pica
Apenas para poder sentir prazer
Naquela coisa mecanizada 
E insossa
Que você aí
Chama de sexo.
Gente que leva porrada
Na buceta
Apenas para poder se sentir
O que você aí chama de
Uma mulher desejável.
Gente que leva porrada
No cu
Apenas para escapar 
Do que você aí
Chama de ficar com o rabo
Colado ao sofá ou cadeira
Vendo o mundo passar.
Mas,
Você aí,
Produto da mídia contemporânea,
Secular protótipo do vazio,
Singular mercadoria internética,
Escravo dos mercadológicos sentidos
E boneco inflável do artificialismo Civilizado,
Jamais vai conhecer gente assim.
Gente de verdade,
Seu merda enlatado
E plastificado
Produzido em série.
Gente que vai ao topo
De montanhas sangrentas
E desce sangrando após
Vencer na porrada toda luta.
Você sabe lutar?
Você aguenta tomar porrada?
Aguenta,
Seu merda moldado
Pelo que te enfiam todo dia
Pelo rabo?
Não,
Você é lixo descartável,
Nunca será um ser humano
Completo,
Verdadeiro
E fiel ao humano ser.
No Clube da Luta
Da Existência,
Seu merda pop disco club,
Você já perdeu
Todas as lutas.
E de nocaute.
Você não é essa merda
Que eu vejo,
No entanto,
E vou te dar
Uma chance...
Me deixe te dar uma porrada
Bem na porra da tua cara
Para te acordar!
Vai amarelar
Ou vai aceitar
A minha porrada
Nessa porra da sua cara
Para que você,
Enfim,
ACORDE???
Vai continuar dormindo
Ou quer mesmo
ACORDAR???
Vai continuar sendo
Um merda que todo dia
Vai dormir sabendo que é
Um fodido derrotado
Ou quer sair desse caralho
De deteriorável fracasso
E um dia ter o prazer
De ser um vencedor
ACORDADO???

Inominável Ser
TROCANDO
PORRADAS
COM
TYLER DURDEN