domingo, 22 de maio de 2016

Respondendo A Ti, Albatroz...



Charles Baudelaire - Georges-Antoine Rochegrosse e Eugène Decisy


Respondendo a ti, Albatroz, chego a medir o quanto posso ser aqui um porta-voz das Vozes que ao meu ouvido ditam terrores, humores, rancores e tremores...

Voe, Albatroz...

Respondendo a ti, Albatroz, eu me lanço ao consciente consumo de minhas respostas, sacudo minhas ossadas de estimação bem no meio da cova...

Voe, Albatroz...

Respondendo a ti, Albatroz, me deixo mergulhar como homem e poeta, como médium e intérprete, Daqueles que Sussurram através do ar...

Voe, Albatroz...

Respondendo a ti, Albatroz, lanço meus desejos no ar, desejos centrados entre as pernas de mulheres, desejos centrados em minha pena, desejos centrados em minha mão direita, desejos centrados em minhas perfeitas mortes imperfeitas...

Voe, Albatroz...

Respondendo a ti, Albatroz, sou todo um osso remendado ou quebrado ou moído, me desvelo como um Coveiro que Satan deixou no asfalto e Yahweh jogou no ralo...

Voe, Albatroz...

Respondendo a ti, Albatroz, respondo a mim mesmo sobre este meu ofício de Coveiro, duro ofício, gélido ofício e tão amado ofício pelo espírito que eu sou em tenebrosas estrofes profundamente abissais...

Voe, Albatroz...

Respondendo a ti, Albatroz Baudelaire, respondo a um Mestre, a um dos Patronos da minha poesia, a um dos Patronos desta Cova, a um dos Inspiradores dos meus ossudos abismais versos sombrios, a um Superior que provou que nunca é fácil ou tranquilo ou feliz ou estéril O Caminho Do Coveiro Que Leva Ao Fundo Do Abismo!

Voe, Albatroz!

Voe, Albatroz!

Voe, Albatroz!

Inominável Ser
UM ALBATROZ
EM FASE
DE CRESCIMENTO





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