segunda-feira, 30 de maio de 2016

Soneto - Fagundes Varela


Art by Guy Denning


 Desponta a estrela d'alva, a noite morre.
 E dôce a briza no arraial das flôres,
 Languidas queixas murmurando corre.

 Volúvel tribu a solidão percorre
 Das borboletas de brilhantes côres;
 Soluça o arroio; diz a rôla amores
 Nas verdes balsas d'onde o orvalho escorre.

Tudo é luz e esplendor; tudo se esfuma
 Às carícias d'aurora, ao céo risonho,
 Ao floreo bafo que o sertão perfuma!

 Porém minh'alma triste e sem um sonho
 Repete olhando o prado, o rio, a espuma:
— Oh! Mundo encantador, tu és medonho!





Reações:

0 Lamentos Finais De Cadáveres: