quarta-feira, 29 de junho de 2016

Sem Mais Margens Em Rios Sedosos


Pain - Mariusz Lewandovski


Progressivamente, um ato de um Arauto da Dor é sempre a peça-chave de um enredo de lamentações. Isto é assim aos olhos dos cegos, dos profanadores da Deusa Poesia que fogem da Deusa Dor; para os filhos desta, os poetas, a melhor definição da vida que se morre todo dia é...


um rio onde se bebe
desgraçada água...

um rio onde se banha
miseravelmente
a alma...

um rio onde se escondem
maldições
de infinitas asas...

não dormimos
não acordamos
nós somos eternos
campeões de natação
em amargos rios

não somos bons
não somos maus
nós somos eternos
desregrados no meio
de dolorosos rios

não somos simpáticos
não somos antipáticos
somos eternos
apáticos sensíveis
de frios rios

não amamos
não odiamos
somos fazedores
de nossos casamentos
com modorrentos rios

não temos riquezas
não temos pobrezas
somos eremitas
praticamente mendigos
em venenosos rios

não agradamos
não desagramos
somos terrenos
de lavouras assassinadas
em rutilantes rios

não ouvimos 
não vemos
não tocamos
não saboreamos
não somos

e mesmo assim
nadamos em 
poéticos rios
nós
Os Dolorosos Poetas


Assobiem e nos chamem, venham conosco nadar apenas aqueles que valorizam as lágrimas, as tristezas, as angústias e as amarguras voltando-se para O Ato de serem Profetas Da Dor.

Vamos nadar...

Inominável Ser
NADANDO
EM ESPLÊNDIDO
RIO
DE ETERNA
SOLIDÃO





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