sábado, 30 de julho de 2016

A Meia-Noite D'Alma



A chave está perdida,
A fechadura está quebrada,
Como um homem
Ou uma mulher
Na meia-noite
De suas respectivas almas
Poderão abrir
As Secretas Portas Aladas?

A escuridão é amiga
Do homem
E da mulher
No momento existencial
Da meia-noite n’alma
Contraída,
Em desespero,
Dolorida…

A plural ausência
De qualquer conforto
É a essência da solidão
Que se apega
Ao amargo gosto
Da derrota,
Do desgaste
E do desgosto…

Não há humano
Remédio
Para tua meia-noite,
Homem!
Não há humano
Remédio
Para tua meia-noite,
Mulher!

O que há
É uma sombra pairando
Sobre a alma,
Aniquiladora da mensagem
Que vem de lugares
Onde os ventos
Sopram puros,
Belos
E selvagens…

Por que choras,
Homem?
Por que choras,
Mulher?
Suportai a meia-noite
N’alma,
Suportai como Guerreiros
Que não se envergam
Nos campos de
Batalha!

Pois,
Nós,
Os da meia-noite
N’alma,
Não temos
Amigos prontos
Para nos ajudarem
Aqui,
Do lado de lá
E do Outro Lado.

Nenhum Deus
Acima de nossas
Almas,
Nem mesmo
Um Demônio
Atrelado às nossas
Almas,
Pode nos ajudar
Na marcha da
Meia-noite
Que nos abraça.

Livros não trarão
Caminhos para a saída;
Religiões não aliviarão
Pesos sem medidas;
Bebidas não calarão
Vozes internas impiedosas;
Fodas não apagarão
Imagens externas pegajosas;
Nada,
Meu homem,
Minha mulher,
Deste mundo fadado
Ao Limbo Das Eras
Poderá lhes tirar
A meia-noite
D’alma!

Os lobos
Sempre uivarão!
Os leões
Sempre rugirão!
As serpentes
Sempre sibilarão!
As corujas
Sempre piarão!
As formigas
Sempre trabalharão!
Os morcegos
Sempre voarão!
Os ratos
Sempre roerão!
Sempre,
Meu caro
Homem,
Minha cara
Mulher,
Na meia-noite
De nossas almas!

Como ascender
A alma
Ao meio-dia,
Meu querido
Homem,
Minha querida
Mulher?
Querem um
Caminho?
Querem um
Veículo?
Querem
Asas?
Querem
Armas?
Ou querem
Uma sepultura,
Algo bem à altura
De covardes incapazes
De compreenderem
A meia-noite
De suas almas?

Sobrevivência
É a meia-noite
D'alma;
Morte
É a meia-noite
D’alma;
Construção
É a meia-noite
D’alma;
Destruição
É a meia-noite
D'alma,
Meu amado
Homem,
Minha amada
Mulher.

Sobreviver ou morrer,
Morrer e morrer:
É A Chave?
Construir e destruir,
Destruir e destruir:
É A Fechadura?
Descubram por
Si Mesmos
Dançando
E cantando
Na chuva
Da meia-noite
De suas almas…

Inominável Ser
NA MEIA-NOITE
D’ALMA
DELE 




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