quinta-feira, 28 de julho de 2016

Inocência Destroçada


Aurorretrato - Mi cuerpo cosido - Victoria Francès


Vejam só,
Uma ingênua ainda
Brincando com suas feridas,
Feridas lambidas por
Brutais Harpias,
Harpias fodidas sedentas
De muito sangue,
O sangue de fracos,
O sangue de mornos,
O sangue de fortes,
O sangue de doentes;

Todos os doentes crentes
Na tal mentira demente
De que existe felicidade
Nesta fossa
Que chamamos de mundo;

Todos os doentes crentes
Na tola inocência
Da porra de uma crença
Em algo aqui neste
Mundo ensanguentado
Sendo cada vez mais
Decapitado;

Todos os doentes crentes
Na salvação de um doente
Que foi crucificado
Há dois segundos atrás,
O Tempo flexiona-se agora,
O Agora nos aproxima
De grandes fantasias
Da humana história…

Fantasias como a daquela
Ingênua toda remendada
Que ainda acredita
Em contos de fadas,
Em Fadas Encantadas,
Em Príncipes Encantados,
Em Cavaleiros Nobres!

Tolinha arrombada,
Cavaleiros
Foram decapitados,
Príncipes
Foram enforcados,
Fadas
Foram estupradas!

O que hoje tem pelo mundo,
Minha tola queridinha
Arrombada
E remendada,
É Eterno Gelo
Congelando almas,
É Eterno Fogo
Derretendo corações!

Nada se encontra inteiro,
Ninguém se encontra inteiro,
Tudo está remendado,
Tudo está costurado,
Mas,
Nem toda a manutenção
Proporcionada por
Brilhantes sujeitinhos de Luz
Está dando conta
De tanta coisa sendo
Destroçada…

Preciso de um remendo aqui
No meio do meu cu,
Urgente…

Inominável Ser
DESTROÇADO
A CADA DIA
QUE PASSA
CADA VEZ
MAIS




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