segunda-feira, 18 de julho de 2016

Neste Desgraçado Mundo A Nos Sufocar...


Melancholy (1893) - Edvard Munch


O peso dos anos,
a chegada das rugas,
o cansaço do corpo,
a solidez da mente
e o réquiem
do espírito habitando
esta passageira carne
que a minha alma
teimosamente 
insiste em alimentar:
tal qual Lúcifer,
caí do Véu
Das Estrelas Maiores,
perdi minha
Celeste Coroa,
arrebentei entre
as Estrelas
Da Escuridão 
minha Alta Beleza,
queimei minhas asas
nas chamas
de todos os cometas 
e,
com apagado brilho,
mergulho por aqui,
um Inferno
chamado Terra,
em
tonéis de amargura
e ódio,
escárnio 
e revolta,
rebeldia
e desprezo...

Não há o alegre som
das infantis festas
da Humanidade,
aqui é uma fria cova
que ressoa profunda
no buraco cavado
por todo cemitério:
o buraco
que dá acesso
aos Infernos,
o buraco
que é
O Caminho
Dos Infernos,
o buraco
que me chama
para
Os Infernos…

Mutiladas todas
as fictícias
esperanças,
com pedaços
de detritos
quebrando ainda
os melhores espelhos
refletindo
despedaçadas alianças:
alianças
com esquecíveis
patamares,
alianças
com desprezíveis
desejos,
alianças
com risíveis
enredos,
alianças
com venenosas
danças…

E o mundo
continua a singrar
sua rotina
de rotas
e todas
as rotas rodas
de suas falidas
engrenagens;
enquanto isso,
aqui dentro
de mim,
em meu desespero
e em meu fim,
encaro perguntas
sem respostas 
e perguntas
já respondidas 
que me sufocam
na carne,
na mente 
e n'alma...

O que está
sobrando
bem aqui
dentro?

O que
não está mais
pulsando
aqui dentro?

O que
pode estar
permanecendo
aqui?

Aqui,
dentro
desta Fera
que eu sou?

Aqui,
dentro
deste Monstro
que eu sou?

Aqui,
dentro
deste Demônio
que eu sou?

Aqui,
dentro
deste Coveiro
que eu sou?

Aqui,
dentro
deste Abismo
que eu sou?

Aqui,
dentro
deste Labirinto
que eu sou?

Talvez,
eu saiba
a resposta
ou
não queira responder
a tais
indecorosas
perguntas.

Talvez,
eu não saiba
é de porra
nenhuma…

E você aí,
igualmente destruído,
singelamente detonado,
sinteticamente fraudado
e simetricamente
tão fodido quanto eu,
sufocado
na carne e na mente
e n'akma
no desumano caos
destes desgraçados 
contemporâneos dias,
sabe o quanto sobrou
bem aí dentro
do teu Ser?

Pergunta dificílima,
não?

Resposta
infinitamente
dificílima,
não é?

Inominável Ser
NÃO 
QUERENDO
MESMO
A TAIS PERGUNTAS
RESPONDER




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