sábado, 23 de julho de 2016

Oração Aos Nossos Malditos Ossos


Legend - David Van Gough


Ossos Nossos
Que Estão
Na Terra,
Amaldiçoado Seja
Cada Som
Conforme Caminham
Pelo Solo
Por Nós,
Os Humanos Senhores
De Nada,
Devastado.
Amaldiçoada
Também Seja
Cada Manhã,
Que Nos Arrasta
Pelas Ruas
Como Quebráveis
Brinquedos
De Deuses Comediantes
E Demônios
Sem Nenhuma
Graça.
Amaldiçoado
Também Seja
Cada Meio-Dia,
Que Nos Reúne
Em Mesas
Onde Degustamos
A Merda Toda
De Nossas Cagadas
Trajetórias
Rumo À Cova.
Amaldiçoada
Também Seja
Cada Tarde,
Que Nos Dá
O Lanche
Representativo
Do Nosso Encalhe
No Oceano Contaminado
Pelos Detritos
De Nossas Fodidas
Almas.
Amaldiçoada
Também Seja
Cada Noite,
Que Traz
A Porra Da Esperança
Da Maldita Natureza
De Que Advirá
Mais Um
Maldito Dia.
Amaldiçoada
Também Seja
Cada Meia-Noite,
Que Chega Junto
Com Os
Terrores Noturnos
Oriundos Do Útero
De Nahemah
E Do Pênis
De Moloch
A Mijar
Sobre Infinitos
Sacrifícios.
Amaldiçoada
Também Seja
Cada Manhã,
A Maldita
Porra
De Cada Novo
Dia,
A Maldita
Porra
De Cada Novo
Nascer Do Sol,
A Maldita
Porra
De Cada Novo
Diário Caminhar
Rumo Ao Alcance
Do Nada.
Venha A Nós
O Reino
Da Eterna Maldição
De Sermos Cadáveres
Nesta Desgraçada
Contemporânea
Civilização.
Venha A Nós,
Malditos Construtores
Deste Maldito Mundo
Deteriorando-Se
Cada Vez Mais,
Toda Sorte
De Sortilégios
Oriundos Da Fossa
Onde Urram
Os Bestiais.
Venha A Nós,
A Pior Das Raças
De Toda
A Criação,
Chuvas De Sangue
Vertido Pelos
Senhores Assassinos
Dos Mortais
E Dos Imortais.
Seja Feita
Em Nós
A Maldita Vontade
Temporal:
A De Nos
Devorar
Como Malditos
Filhos
Que Dele Somos.
Que Não
Sejam Perdoadas
As Nossas
Malditas Transgressões,
Geradoras
Do Genocídio Que Arrasta
Para O Fim
Toda Esta
Civilização.
E Nos Deixe
Cair No Abismo
Que Nós Mesmos
Escavamos,
Não Nos Livre
Do Maldito Mal
Que Alimentamos.


AMÉM


AMÉM


AMÉM


AMÉM


AMÉM


AMÉM


AMÉM


AMÉM


AMÉM


Inominável Ser
ORANDO
PELO MALDITO
FIM
DESTA MALDITA
HUMANIDADE





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