segunda-feira, 4 de julho de 2016

Um Cadáver De Poeta - Canto I - Álvares de Azevedo


Death of a poet - Loui Jover


Levem ao túmulo aquele que parece um cadáver! Tu não pesaste sobre a terra: a terra te seja leve!


L. UHLAND



I



De tanta inspiração e tanta vida

Que os nervos convulsivos inflamava

E ardia sem conforto.. .

O que resta? uma sombra esvaecida,

Um triste que sem mãe agonizava . .

Resta um poeta morto!

Morrer! e resvalar na sepultura.

Frias na fronte as ilusões—no peito

Quebrado o coração!

Nem saudades levar da vida impura

Onde arquejou de fome . . sem um leito!

Em treva e solidão!

Tu foste como o sol; tu parecias

Ter na aurora da vida a eternidade

Na larga fronte escrita. . .

Porém não voltarás como surgias!

Apagou-se teu sol da mocidade

Numa treva maldita!



Tua estrela mentiu. E do fadário

De tua vida a página primeira

Na tumba se rasgou...

Pobre gênio de Deus, nem um sudário!

Nem túmulo nem cruz! como a caveira

Que um lobo devorou!. . .







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