terça-feira, 30 de agosto de 2016

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Aless Piccolo - Saturno Buttò

Vejo o Caminho
Infernal
Bem diante dos meus
Olhos perfurados
Pela brisa doente
Dos tempos errados.
Arranco meus pulmões
E passo,
Então,
A respirar o viciado ar
Que advém
Da Fossa.
Um ar que fala
Palavras antigas pérfidas
Perdidas nos Reinos
Das Trevas.
Um ar que marcha
Ao redor de tudo
Que a História esconde
Entre os escombros
Das reminiscências
De massacres
E crimes vários
Cometidos por esta
Porca Humanidade.
Um ar que mutila
Toda minha alma
E as almas daqueles
Que junto comigo
Atravessam O Deserto
Comendo da ardente
Areia
E bebendo da venenosa
Água
Dos cactos em chamas
Do mesmo.
E O Terror
Toma forma,
O Terror que assombra
O dia,
O Terror que assombra
A noite.
Os Terrores Noturnos
Tenho nos bolsos
De minha velha calça
Jeans
Desbotada.
Os Terrores Diurnos
Carrego na gravidade
De minha cara fechada
Sem risos,
Sem gargalhadas
E sem tolos momentos
De qualquer sincera
Pura harmonia
Com o que chamam
De felicidade.
E eu mesmo sou
Um terrorista armado
Com amargura,
Tristeza,
Ódio,
Revolta,
Rebeldia,
Solidão
E melancolia…
Meus dias são
Pesados
E longos.
Minhas noites são
Penosas
E curtas.
Não há saída,
A porta do Desespero
É uma corrida tranquila
Em direção ao orifício
De cada Abismo
Dentro de mim.
E é dentro de mim
Que consigo encontrar
Uma paz
E uma harmonia
Que jamais encontrarei
No externo mundo
Medíocre,
Insano,
Decadente,
Apodrecido,
Esgotado
E escroto
Da Desgraça
Contemporânea
Que você aí,
Talvez,
Deva amar.
Eu só sei dançar,
De infindas maiores,
Neste desgraçado
Humano mar.

Inominável Ser
UM INOMINÁVEL
APRENDIZ DE
DANÇAS
INFÉRTEIS




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