sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Girando Com Zé Pelintra Na Grande Encruzilhada

Zé Pelintra - Camucada


Com a classe que vem
da segurança de Seu gingado,
com a elegância que tem
a imponência de Seu lado,
Zé Pelintra me chama
para dar um giro
no meio de uma
respeitosa encruzilhada.

Me ensinando primeiro
alguns precisos passos,
me doutrinando primeiro
com alguma dose de cigarro,
me posicionando primeiro
com doces goles de cerveja,
ele vibra em meu coração
como cordas de um violão.

E conversamos um pouco
sobre a vida de tudo,
e conversamos um pouco
sobre a vida de todos,
e conversamos um pouco
sobre fins e meios,
nos preparando tranquilos
para os giros que daríamos.

Os Gigantes do nada surgiram,
os Ogãs eram outros Malandros
sem rostos precisos,
apenas as mãos eu via,
iniciando toques precisos
de um som primitivo
chamando os giros,
clamando os giros…

E giramos,
giramos em meio
àquela encruzilhada,
giramos por toda
aquela inacabável
encruzilhada,
fazendo de nossas pernas
veículos de muitas asas!

E giramos,
giramos dançando
uma Dança Sagrada,
giramos sambando
um Samba Sagrado,
giramos cruzando
nossas mãos no peito
ao Maioral saudando!

E giramos,
giramos batendo fortes
os pés no solo,
giramos em êxtase
naquele Solo Sagrado,
giramos nos consagrando
ao cumprimentarmos
Exu nos acompanhando!

E giramos,
giramos concentrados
na saudação
ao Senhor Das Luzes,
giramos concentrados
na sudação
ao Senhor Das Trevas,
que conosco Girava!

E giramos,
giramos cumprimentando
outros Malandros Girantes,
outras Malandras Girantes,
todos os Exus Girantes,
todas as Pombagiras Girantes,
todos os Ciganos Girantes,
todas as Ciganas Girantes!

E giramos,
giramos arrancando
urros das Trevas,
giramos ouvindo
outros Sambas
advindos das Luzes,
giramos atingindo
O Grande Samba Primeiro!

E giramos,
giramos fechando
algumas portas,
giramos abrindo
outras portas,
giramos quebrando
poucas portas,
como artistas silenciosos!

E giramos,
giramos na calada
daquela madrugada,
giramos nas gritarias
de todas as madrugadas,
giramos na
Grande Madrugada
anunciando Grandes Dias!

E giramos
E giramos
E giramos
E giramos
E giramos
E giramos
E giramos
Malandros Dançarinos!

E giramos
E giramos
E giramos
E giramos
E giramos
E giramos
E giramos
Malandros Sambistas!

E giramos
E giramos
E giramos
E giramos
E giramos
E giramos
E giramos
Malandros Girantes!

E eu caí,
repleto de um êxtase
que jamais sentira,
pleno de uma energia
que jamais tocara,
ciente de ter efetuado
uma Dança
e uma Jornada Sagradas!

Fiquei deitado
E Zé Pelintra,
ao lado de
Maria Navalha,
me ergueram
gargalhando
com seus braços!

Em meu redor
vi um Cigano
e uma Cigano,
um Exu
e uma Pombagira,
meus acompanhantes
na Estrada
desta vida…

Atrás deles,
vi outros Ciganos
e outras Ciganas,
outros Exus
e outras Pombagiras,
da Linhagem inumerável
que forma minha
Espiritual Liga…

E em redor
de todos nós naquela
Grande Encruzilhada,
outros Malandros
e outras Malandras,
muitos da minha
Linhagem,
todos da Grande Linhagem…

E Zé Pelintra
gritou bem alto:
“Quero festa,
quero dança,
quero alegria,
são todos bem-vindos
nesta Grande
Gira!”

E eu voltei
a girar,
E Zé Pelintra
voltou a girar,
Ciganos e Ciganas
giraram,
Exus e Pombagiras
giraram!

E eu segui
girando,
E Zé Pelintra
seguiu girando,
Maria Navalha
se pôs a girar,
Malandros e Malandras
se puseram a girar!

Os Gigantes
ressoaram Girantes,
Os Gigantes
atravessaram Campos,
ainda giro
no meio daquela
Grande Encruzilhada,
ainda giro!

Ainda giro
ainda giro
ainda giro
ainda giro
ainda giro
ainda giro
ainda giro
naquela Encruzilhada!

E com
Zé Pelintra
no comando
de todas as Giras
que a Grande Noite
oferece
com todo respeito
à Grande Gira!

SALVE
ZÉ PELINTRA!!!

SALVE
ZÉ PELINTRA!!!

SALVE
ZÉ PELINTRA!!!

SALVE
ZÉ PELINTRA!!!

SALVE
ZÉ PELINTRA!!!

SALVE
ZÉ PELINTRA!!!

SALVE
ZÉ PELINTRA!!!

SALVE
ZÉ PELINTRA!!!

SALVE
ZÉ PELINTRA!!!

Inominável Ser
GIRANDO
COM
ZÉ PELINTRA




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